Festival MIL encerra o cartaz com mais de 50 artistas para descobrir
Lisboa será, entre 7 e 10 de outubro, o epicentro da nova música nacional e internacional, com o Festival MIL a revelar o alinhamento final de mais de 58 projetos.
Redação PORTA B

MIL 2026: Lisboa prepara-se para a pulsação global da nova música com cartaz completo e diversificado
Lisboa será, entre 7 e 10 de outubro, o epicentro da nova música nacional e internacional, com o Festival MIL a revelar o alinhamento final de mais de 58 projetos. Nomes como B Fachada, um dos pilares da canção portuguesa, a ascensão do funk brasileiro com Bia Soull, e a promessa da afro-pop nacional Bluay, encabeçam este último conjunto de confirmações, prometendo uma experiência imersiva na Casa Capitão.
Um festival que desafia fronteiras e celebra a autenticidade
Sob o lema "NO FAKES", o Festival MIL reafirma a sua missão de construir pontes culturais, conectando Portugal ao mundo através da música. Esta décima edição distingue-se por uma rede robusta de parcerias com festivais internacionais de renome, como os brasileiros SIM São Paulo e Coquetel Molotov, os espanhóis Monkey Week, Mercat de Música Viva de Vic, Palco e RADAR, e o minhoto Square. A colaboração estende-se a plataformas globais como a Liveurope e Sounds From Spain, solidificando o seu papel como um ponto de encontro e lançamento de talentos.
A diversidade cultural é um pilar fundamental, com o cartaz a reunir artistas de Portugal, Brasil, Espanha, Angola, Cabo Verde, Bélgica, França, Noruega e Reino Unido. Esta fusão de sonoridades e origens geográficas promete um panorama musical rico e vibrante, onde a descoberta é constante e a autenticidade é valorizada acima de tudo. O MIL não é apenas um festival; é um observatório das tendências emergentes e um espaço de diálogo entre diferentes ecossistemas musicais.
A riqueza do talento em quatro dias de descobertas
A celebração arranca a 7 de outubro, com um programa que, além dos já anunciados MAQUINA., traz a voz da ex-Carne Doce, Salma Jô, diretamente de Goiás, o trap belga de cheapjewels, o eletro-rock brasileiro dos Hate Moss (agora sediados em Itália), e a portuguesa Rita Onofre. Destaque ainda para Tomé Silva, membro do coletivo Tundra e reconhecido baterista de Maria Reis e Panda Bear, que apresenta o seu disco de estreia como cantautor, "Na Sobreda", numa demonstração da sua versatilidade vanguardista.
No segundo dia, 8 de outubro, além das atuações de B Fachada e Bia Soull, o público poderá mergulhar na inventividade pop-rock de Alex D'Alva, nas propostas eletro-pop da espanhola BLAYA e da francesa Chéri, no shoegaze britânico de green star e na irreverência brega dos Colar de Rapariga. Estes nomes juntam-se a uma lista já robusta que incluía projetos como Expresso Transatlântico, Flippeur, Hey Bony, Hofe, Paco Pecado, Las Petunias, Queralt Lahoz, Lau Ro, Manga Cava e OkA, assegurando uma jornada sonora sem precedentes.
O dia 9 de outubro acolhe uma avalanche de novos talentos e sonoridades, com Afreekassia, Afrokillerz, Andre Droga, Indus, Lambada de Serpente e a rainha MC Luanna a receberem reforços de peso. De Espanha, chegam o sadboy catalão Bernarda e a diva pop alternativa Carmen Lancho, enquanto a cantora e compositora Bianca Steck, nascida em Espanha, representa a Bélgica. A delegação portuguesa é robusta, com a afro-pop dos Active Boyz, a kizomba de DENNYH, a eletrónica da canadiana Gayance (residente na Margem Sul), a pianista Gisela Mabel, o eletro-indie dos Hause Plants, o rapper LZ e a femme fatale do novo R&B, RAISSA.
Contudo, um dos momentos mais aguardados é a estreia de Novelaço, projeto dos brasileiros Luca Argel e Jhon Douglas, que revisitam o universo das telenovelas das décadas de 80 e 90.
O encerramento, a 10 de outubro, é marcado pela atuação de Bluay e por uma série de descobertas. Além dos já confirmados Grupo Pilon, Pikika, damoridemort, H.LLS, I'A'V, obelga e Candura, juntam-se os Duques do Precariado, que regressam à Casa Capitão após um concerto memorável, os Mordo Mia e Mantis, a completar a seleção nacional. O angolano HeyRicoo, que fez de Portugal a sua casa, também marca presença. A fechar o ciclo, os galegos Filloas, com a sua hyperpop, e Fillas de Cassandra, com um toque mais electropop, a belga-brasileira Helena Casella com a sua neo-soul, e a eletrónica dos franceses marta, prometem uma despedida memorável.
Perspetiva
O Festival MIL, com a sua proposta abrangente e a ênfase na autenticidade, consolida-se como um pilar essencial na cena cultural portuguesa e europeia. A sua capacidade de agrupar um leque tão diversificado de artistas, desde figuras consagradas a promessas emergentes, e de diversas geografias, projeta Lisboa como um ponto nodal para a experimentação e difusão musical. A iniciativa de oferecer acessos gratuitos a alguns palcos e dias, em colaboração com entidades como a Liveurope, DICE.fm e Altafonte, sublinha um compromisso com a democratização da cultura e a descoberta para um público mais vasto.
Esta edição, em particular, demonstra a vitalidade e a interconexão da música contemporânea, onde géneros e origens se misturam e influenciam mutuamente. O MIL não é apenas um palco para concertos; é um catalisador de novas tendências, um espaço de rede para profissionais da indústria e, acima de tudo, uma celebração vibrante da música que está a moldar o futuro. A sua curadoria meticulosa reflete um profundo conhecimento das correntes musicais atuais, garantindo que cada dia seja uma oportunidade de imersão em sonoridades inesperadas e inovadoras.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 1 de setembro de 2026