MÚSICA3 min de leitura

Porto/Post/Doc 2026 atravessa música, arquivo e cultura popular, de Elza Soares ao punk, Thelonious Monk e Cameron Winter

Entre 19 e 28 de novembro, o Porto/Post/Doc chega à 13.ª edição com uma programação em que a música atravessa secções, geografias e gerações.

R

Redação PORTA B

70 visualizações
Porto/Post/Doc 2026 atravessa música, arquivo e cultura popular, de Elza Soares ao punk, Thelonious Monk e Cameron Winter

Entre 19 e 28 de novembro, o Porto/Post/Doc regressa ao Porto para a sua 13.ª edição, com uma programação em que a música atravessa diferentes secções, geografias e gerações, segundo a Glam Magazine.

A competição Transmission reúne cinco filmes sobre diferentes formas de viver e estar na música. Em «Elza», Eryk Rocha parte de arquivos raros e de conversas gravadas nos últimos anos de vida de Elza Soares para percorrer mais de sete décadas de carreira e de transformação do Brasil. «Tour de Verão», de Mischa Richter, segue Jerry e Annie durante a última digressão dos Dead Company. «O Melhor Verão», de Tamra Davis, recupera imagens filmadas na digressão Summersault, em 1995, em que surgem Beastie Boys, Sonic Youth, Foo Fighters, Beck, Pavement e Bikini Kill. A competição inclui ainda o filme português «Esta Vida de Marinheiro», de Paulo Miguel e Borges Antunes, construído a partir de arquivos, filmes pessoais, concertos e testemunhos sobre o percurso de João Aguardela, músico associado a projetos como Sitiados, Megafone e A Naifa.

O programa especial «O Futuro é Punk: 50 anos de um movimento artístico e político» olha para o punk como uma força que continua a influenciar linguagens artísticas e formas de resistência, cinco décadas depois das primeiras explosões do movimento. Entre os filmes apresentados estão «Punk em Londres» (1977), de Wolfgang Büld, sobre uma cena londrina ainda em formação, «Jubileu» (1978), de Derek Jarman, «D.O.A.: Um Ritual de Passagem» (1980), de Lech Kowalski, sobre a digressão dos Sex Pistols pelos Estados Unidos, e «B-Movie: Luxúria e Música na Berlim Ocidental 1979-1989», sobre a cena underground de Berlim Ocidental antes da queda do Muro. O programa inclui ainda «Ei, o Dee Dee está em casa?» (2023), em que Kowalski recupera as memórias de Dee Dee Ramone sobre os Ramones, Johnny Thunders e Richard Hell.

No foco dedicado a Alain Gomis, «Rewind Play» regressa a uma entrevista televisiva de 1969 com Thelonious Monk. A partir de imagens não utilizadas, repetições, pausas e erros de tradução, o realizador questiona a forma como a televisão constrói a imagem de um artista negro. Em «Nha Balila – Dentu d'algem», de André Xina e Inês T. Alves, uma referência do batuku e do finason, aos 92 anos, viaja de Cabo Verde até Portugal e reencontra uma diáspora que reconhece na sua voz uma memória comum.

A música surge também no programa dedicado a Bárbara Wagner e Benjamin de Burca, em que dança, performance e música aparecem como formas de ocupação e afirmação. «Kmêdeus», de Nuno Boaventura Miranda, abre uma viagem por Mindelo, pela dança contemporânea, pela música, pelo cinema e pelo carnaval. «Era Uma Vez no Harlem», de William Greaves e David Greaves, recupera imagens inéditas do encontro que, em 1972, reuniu artistas, músicos e ativistas ligados ao Harlem Renaissance na casa de Duke Ellington.

O festival encerra a 28 de novembro com a apresentação de «Cameron Winter at Carnegie Hall», de Paul Thomas Anderson, realizado em colaboração com Benny Safdie. Filmado em 16 mm e 35 mm, o filme acompanha o vocalista dos Geese sozinho ao piano no Carnegie Hall, numa observação íntima da relação entre músico, música e público.