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Selma Uamusse e Luca Argel vêm domingar ao Capitólio, sem guião nem alinhamento

A iniciativa Como um dia de Domingo leva ao Capitólio, em Lisboa, encontros artísticos de fim de tarde em dias úteis, com Selma Uamusse em novembro e Luca Argel em dezembro.

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Redação PORTA B

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Selma Uamusse e Luca Argel vêm domingar ao Capitólio, sem guião nem alinhamento

A iniciativa Como um dia de Domingo leva ao Capitólio, no centro de Lisboa, dois encontros artísticos ao final da tarde de dias úteis, sem palco e com o público frente a frente com os artistas. Segundo a GLAM, Selma Uamusse é a primeira convidada, na segunda-feira, 16 de novembro, e Luca Argel é o segundo, na terça-feira, 15 de dezembro. Ambos têm carta branca para surpreender quem assiste.

O ponto de partida pode ser um texto, um poema ou o nome de uma rua. A partir daí, cabe ao artista escolher a linguagem e o caminho, seja música, teatro, poesia, dança ou várias destas em simultâneo, com espaço para o improviso e para a participação de quem está na sala. Ana Pereira, responsável pela iniciativa, descreve cada sessão como « um ato único, onde o público também é uma personagem », imprevisível e irrepetível.

A iniciativa mantém-se fiel ao espírito das sessões de verão realizadas na aldeia de Cardosas, em Arruda dos Vinhos, agora transposto para a cidade. Segundo a fonte, a intimidade que marcou essas sessões é preservada no Capitólio, com a vantagem de as sessões decorrerem agora a salvo da chuva.

Os convidados

Selma Uamusse, nascida em Maputo, Moçambique, vive em Portugal desde 1988. É uma artista multifacetada que junta as raízes moçambicanas ao rock, à soul, ao afrobeat e ao jazz nos álbuns « Mati » (2018) e « Liwoningo » (2020), e cuja versatilidade é também reconhecida no teatro, no cinema e nas artes visuais.

Luca Argel, músico, poeta e escritor, nasceu no Rio de Janeiro e vive em Portugal há mais de uma década. Desde 2015 editou seis álbuns, entre eles « Samba de Guerrilha » (2021), que deu origem a um espetáculo multidisciplinar. Em 2024 participou no Festival da Canção.

Um projeto com três anos

Como um dia de Domingo existe há três anos. O nome inspira-se numa canção de Gal Costa e Tim Maia e na ideia de « fazer de conta que ainda é cedo », isto é, dar tempo ao tempo e passá-lo com os amigos, sem pressa nem plano. Inicialmente, os encontros realizavam-se ao domingo, mas o calendário tornou-se mais flexível para responder à procura do público. Por Cardosas passaram nomes como Carla Galvão, Beatriz Brás, Mia Meneses, Lena d’Água e Hugo van der Ding.

A iniciativa é uma criação da Mãe Jerico, a casa-projeto que Ana Pereira abriu em 2021 na aldeia de Cardosas. Depois de muitos anos a trabalhar em teatro, Ana Pereira sentia que os artistas estavam demasiado longe do seu público e quis encurtar essa distância. A Mãe Jerico aproxima novos públicos do mundo rural através de almoços e jantares preparados com os vizinhos da aldeia, encontros de poesia, bailes, sessões de cinema ao ar livre, oficinas de pão em forno de lenha, de petiscos silvestres, de adufe e de dança, e pequenos concertos.