MÚSICA

DUA 3.0 transforma plataforma portuguesa num ecossistema 360º para a economia criativa lusófona

Com mais de mil utilizadores, a nova versão reúne criação, comunidade, oportunidades, mercado, gestão e distribuição numa plataforma concebida em Lisboa para o espaço lusófono.

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Redação PORTA B

14 de setembro de 2026

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DUA 3.0 transforma plataforma portuguesa num ecossistema 360º para a economia criativa lusófona

Imagem ilustrativa gerada por IA.

Lisboa, 14 set 2026 – A plataforma portuguesa DUA lançou a sua terceira versão e passou de um conjunto de ferramentas de criação para um ecossistema digital dirigido a artistas, profissionais culturais e negócios criativos do espaço lusófono. Com mais de mil utilizadores registados, a DUA 3.0 reúne criação de música, imagem, vídeo e design, gestão de projetos e carreiras, comunidade profissional, oportunidades, serviços e distribuição musical.

A atualização representa a maior transformação da plataforma desde a sua criação. “Na DUA 2.0 estávamos muito concentrados nas ferramentas. A 3.0 nasce quando percebemos que criar não chega. Quem trabalha nas indústrias criativas precisa também de pessoas, oportunidades, mercado, organização e formas de fazer o trabalho circular”, explica Carlos Guedes, fundador da DUA e da 2 LADOS.

Da criação ao trabalho profissional

Desenvolvida em Lisboa como um projeto independente, a DUA procura responder à fragmentação do trabalho criativo. Artistas, produtores, realizadores e designers recorrem frequentemente a diferentes serviços para criar, encontrar colaboradores, concorrer a oportunidades, gerir projetos, vender trabalho e distribuir conteúdos.

Na nova versão, esse percurso é organizado dentro da mesma plataforma. Um utilizador pode desenvolver uma ideia nos estúdios criativos, construir um perfil profissional, encontrar colaboradores na comunidade, consultar concursos, bolsas e residências no Radar Cultural, contratar ou disponibilizar serviços no DUA Market e, na área da música, avançar para distribuição através da KYNTAL.

A componente de gestão acrescenta ferramentas para organizar projetos, carreiras e candidaturas. “Não queremos ser apenas mais uma ferramenta. Queremos acompanhar aquilo que acontece antes, durante e depois da criação”, afirma Carlos Guedes.

Uma plataforma pensada para a Lusofonia

A dimensão lusófona é uma das principais apostas do projeto. A plataforma está a ser desenvolvida tendo em conta Portugal, Brasil, Angola, Moçambique, Cabo Verde, Guiné-Bissau, São Tomé e Príncipe e as respetivas diásporas, com trabalho dedicado a diferentes variantes do português e aos Crioulos de Cabo Verde e da Guiné-Bissau.

Segundo a empresa, a intenção é construir tecnologia a partir das referências linguísticas e culturais dos mercados que pretende servir. “Queremos que alguém em Lisboa consiga encontrar e trabalhar com alguém em Luanda, Praia, Bissau, Maputo ou São Paulo dentro da mesma infraestrutura”, afirma o fundador.

A estratégia encara a língua portuguesa como uma ligação cultural e económica entre mercados criativos que continuam dispersos por diferentes plataformas e redes profissionais. Portugal funciona como ponto de partida para uma expansão que a empresa pretende desenvolver entre vários países e comunidades.

Crescimento independente e reconhecimento nacional

A DUA cresceu através de versões sucessivas, com uma estrutura reduzida e sem uma ronda de investimento comparável à de muitas startups internacionais. “Durante muito tempo tivemos de construir com muito pouco. Isso obrigou-nos a perceber muito bem o que era realmente necessário e onde devíamos colocar energia”, refere Carlos Guedes.

O projeto nasceu também da experiência do fundador na música e nas artes performativas. O contacto com artistas e contextos culturais de diferentes países influenciou a decisão de desenvolver uma plataforma assente em dificuldades observadas no trabalho diário do setor.

A 2 LADOS, estrutura que integra a DUA e a KYNTAL, venceu entretanto o primeiro prémio na categoria de Empreendedorismo Criativo e Cultural da Mostra Nacional de Jovens Empreendedores, promovida pela Fundação da Juventude.

Visibilidade em listas internacionais

Em setembro, a 2 LADOS passou também a surgir em várias listas da plataforma global F6S relacionadas com arte, música, economia criativa e tecnologia. A empresa aparece em segundo lugar na lista global de Art Innovation, em sétimo lugar na lista global de Creative Economy e em quarto lugar na categoria Music em Portugal, além de integrar a lista “Top 100 AI Companies and Startups in Portugal”.

Para a empresa, a presença simultânea nestas diferentes áreas demonstra o cruzamento em que procura atuar.

“Estamos a aparecer em arte, música, economia criativa e tecnologia ao mesmo tempo. É precisamente esse cruzamento que define o que estamos a construir”, afirma Carlos Guedes.

O próximo teste da DUA 3.0

Com a nova versão disponível e mais de mil utilizadores registados, a DUA entra agora numa fase em que terá de converter o crescimento inicial em utilização recorrente, atividade económica e ligações entre diferentes mercados. A ambição da empresa é que a plataforma funcione como um sistema operativo para a economia criativa lusófona, ligando criação, pessoas, oportunidades, gestão, mercado e distribuição.

A estratégia prevê também levar o DUA Market do ambiente digital para espaços presenciais. A empresa prepara a realização de feiras físicas para aproximar criadores, profissionais, público e serviços e assume, a médio prazo, a ambição de desenvolver hubs criativos em diferentes mercados da Lusofonia.

“Não queremos construir apenas uma tecnologia portuguesa para Portugal. Queremos construir, a partir de Portugal, uma infraestrutura capaz de servir toda a economia criativa lusófona”, afirma Carlos Guedes.