MÚSICA

“5678” é um avanço ao passado de Filipe Sambado

Filipe Sambado lança "5678", um disco que revisita o passado e celebra o décimo aniversário de "Vida Salgada", com concertos no Porto e em Lisboa.

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Redação PORTA B

20 de março de 2026

4 min de leitura|137 leituras
“5678” é um avanço ao passado de Filipe Sambado

"5678" é um avanço ao passado de Filipe Sambado

Filipe Sambado celebra o passado sem tirar os olhos do futuro. O músico, conhecido pela sua liberdade criativa e pela capacidade de transformar o quotidiano em arte, regressa às edições com 5678, um disco que se apresenta como uma ponte entre o que foi, o que é e o que poderá ser. Este trabalho remete diretamente para 1234, um EP de quatro canções lançado em 2012, e representa uma continuidade, não apenas numérica, mas emocional e estética, na trajectória artística de Sambado.

Enquanto 1234 marcava o início de uma caminhada ainda tímida mas ousada, 5678 surge como um ponto de redescoberta, um olhar atento e honesto sobre os últimos anos. Mais do que um simples revivalismo, o novo álbum é uma celebração da evolução de Filipe Sambado, tanto como artista quanto como contador de histórias.

Com uma sonoridade centrada nas guitarras elétricas, Sambado transporta-nos para um universo onde o romântico e o cru convivem, onde as dores são sussurradas com delicadeza ou vociferadas com intensidade visceral. Este equilíbrio entre o contido e o expansivo é uma das marcas do disco, que, embora olhe para trás, nunca deixa de apontar para a frente.

O significado de "5678"

O título do álbum, tal como o seu antecessor, é um jogo com números, mas também com o tempo. Mais do que uma sequência lógica, 5678 é uma metáfora para o contínuo movimento da vida, das memórias e da música. Esta nova obra reflete não apenas uma maturidade artística, mas também uma certa serenidade perante as transformações inevitáveis do percurso humano.

Musicalmente, 5678 mergulha no cancioneiro particular de Sambado, mas faz questão de o explorar sob novas luzes, como se cada acorde e cada palavra fossem revisitados para encontrar novos significados. O resultado é um disco que soa simultaneamente familiar e renovado, como uma fotografia desbotada que ganha novas cores.

Dez anos de "Vida Salgada"

O lançamento de 5678 está intimamente ligado a um marco importante na carreira de Filipe Sambado. Este ano assinala o décimo aniversário de Vida Salgada, o disco que, em 2016, catapultou o músico para a ribalta do panorama musical português. Foi com ele que Sambado se afirmou como uma das vozes mais singulares da música nacional, capaz de conjugar humor, dor e crítica social num só verso.

Para celebrar esta década de Vida Salgada e o início de um novo ciclo com 5678, o artista prepara-se para dois concertos especiais. O primeiro terá lugar no RCA Club, no Porto, a 27 de março, seguido por uma atuação na Casa Capitão, em Lisboa, a 4 de abril. Estes espetáculos prometem ser mais do que simples apresentações: serão uma viagem pela obra de Filipe Sambado, com paragens obrigatórias nos momentos que definiram a sua carreira e nas novidades que dão corpo ao futuro.

Uma nova fase

Enquanto muitos artistas olham para o passado com nostalgia, Filipe Sambado encontra nele uma fonte de energia e reinvenção. 5678 não é apenas uma homenagem ao caminho trilhado até agora, mas também uma afirmação da sua constante vontade de explorar e de surpreender.

Num contexto em que a música portuguesa continua a ganhar espaço e voz, Filipe Sambado reafirma-se como uma das figuras incontornáveis da sua geração. A sua capacidade de transformar experiências pessoais em canções universais, de questionar convenções e de experimentar com géneros e formatos, fazem dele um farol num oceano musical muitas vezes uniforme.

Os próximos meses serão, sem dúvida, um momento de celebração e descoberta para os fãs de Filipe Sambado, mas também uma oportunidade para novos ouvintes se deixarem conquistar pelo seu cancioneiro tão peculiar.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 20 de março de 2026

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