ADÉLA lança o álbum de estreia “PRIMA”
Novo lançamento na cena portuguesa. A PORTA B apresenta e analisa esta proposta musical.
Redação PORTA B
8 de setembro de 2026

ADÉLA Desafia Convenções e Conquista o Palco Global com "PRIMA", Uma Declaração de Poder Feminino
A artista ADÉLA lança agora "PRIMA", o seu muito aguardado álbum de estreia, que se posiciona como um retrato sonoro incisivo de uma jovem mulher em plena ascensão. Com produção executiva de Blake Slatkin e Dylan Brady, o disco documenta a jornada da artista em direção ao seu sonho de se tornar uma estrela pop, capturando cada etapa desse percurso através da sua música inovadora. "PRIMA" chega acompanhado de um novo e impactante videoclipe para o tema "Nicole Kidman", que promete cativar tanto pela sua estética como pela sua narrativa.
A Evolução de Uma Voz Singular no Pop
Este álbum de estreia marca uma significativa evolução na expressão artística de ADÉLA, distanciando-se do seu EP inicial, que se destacou por êxitos de pop industrial que ecoavam com uma força bruta. "PRIMA" oferece agora uma visão mais tridimensional e multifacetada da sua identidade musical, revelando uma artista que explora a profundidade e a complexidade da sua experiência. A produção partilhada por nomes como Blake Slatkin e Dylan Brady garante uma sonoridade coesa e vanguardista, que serve de base para as confissões e ambições da jovem artista.
A ambição de ADÉLA para "PRIMA" é clara: que o álbum capte a essência de ser uma mulher de 22 anos. Num período da vida marcado por múltiplas transformações, a artista procurou equilibrar as perceções que a envolvem – "ela é tão profunda" ou "ela é engraçada e não leva nada a sério" – num trabalho que mistura o duro com o suave, a vulnerabilidade com a autoconfiança, e batidas robustas com uma energia inegavelmente feminina. Este equilíbrio é a chave para o universo sonoro que ADÉLA constrói, onde a força e a delicadeza coexistem em harmonia.
Detalhes Sonoros e Narrativas Pessoais
O single "Nicole Kidman" é um dos pontos altos do álbum, com o seu videoclipe, realizado por Hannah Lux Davis, a ser uma homenagem visualmente rica à atriz vencedora de um Óscar. O vídeo está repleto de referências a papéis icónicos de Nicole Kidman, desde filmes como Eyes Wide Shut, Moulin Rouge, Birth e Babygirl, até ao seu célebre anúncio para a AMC Theatres, criando uma ponte entre o cinema e a música pop. A inspiração para a canção surgiu de uma experiência pessoal de ADÉLA, que, ao sentir-se particularmente elegante num evento dos Globos de Ouro, sentiu uma ligação instantânea com a imagem da atriz, a quem considera uma verdadeira estrela de cinema.
Em "PRIMA", a artista demonstra a sua capacidade de forjar um caminho próprio, ao mesmo tempo que reconhece as influências que moldaram a sua paixão pela música pop. Um exemplo notável é "I’m The Man", uma faixa produzida por Cashmere Cat, que se inicia com uma introdução que evoca as produções iniciais de Ariana Grande. No entanto, é a escrita de ADÉLA que assume o protagonismo, desconstruindo os papéis de género tradicionais e reformulando as relações a partir de uma perspetiva singular. A artista reflete sobre como o seu crescente sucesso dificulta a procura por um parceiro que se sinta confortável com a sua posição, sublinhando que é preciso um homem confiante e emocionalmente equilibrado para aceitar que a mulher assuma a liderança.
Outro momento marcante do álbum é "Fantasize", onde ADÉLA evoca o sussurro confiante que se tornou uma marca da discografia de Britney Spears, quebrando a quarta parede com uma afirmação de positividade sexual. A canção traça um caminho direto em direção à satisfação sexual, solidificando a mensagem de autoaceitação e empoderamento que permeia todo o trabalho. "PRIMA" é, em última análise, um testemunho da capacidade de ADÉLA de misturar referências clássicas do pop com uma visão contemporânea e audaciosa, criando um som que é simultaneamente familiar e inovador.
Perspetiva
A chegada de "PRIMA" ao panorama musical português, pela mão de ADÉLA, é um evento com potencial para ressoar profundamente na cena cultural independente. A sua abordagem descomplexada à expressão feminina, à redefinição de papéis de género e à positividade sexual, temas que são centrais no álbum, podem encontrar um terreno fértil junto de um público que valoriza a autenticidade e a quebra de paradigmas. Ao aliar uma produção de ponta a letras que espelham experiências e reflexões íntimas, ADÉLA apresenta-se como uma voz relevante para uma geração que procura na música não só entretenimento, mas também identificação e inspiração. O seu trabalho pode contribuir para enriquecer o diálogo sobre a identidade feminina e o empoderamento no contexto da música pop em Portugal, oferecendo uma nova perspetiva sobre o que significa ser uma estrela pop na era contemporânea.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 8 de setembro de 2026