Afonso Cruz, Dino D’Santiago e Inês Meneses entre as confirmações do Festival de Leitura da Maia
A cena musical portuguesa prepara-se para mais um momento marcante. A PORTA B analisa o evento e o seu impacto cultural.
Redação PORTA B
25 de março de 2026

Festival de Leitura da Maia Desafia Convenções com Diálogos Cruzados e Vozes Inesperadas
O Fórum da Maia prepara-se para acolher, entre os dias 17 e 20 de abril, o Festival de Leitura da Maia, um encontro que promete reinventar a relação com os livros através de momentos surpreendentes. O evento propõe uma abordagem inovadora à literatura e à leitura, integrando música, encontros com autores e experiências participativas que prometem surpreender a comunidade e colocar o leitor no centro da conversa.
Um Regresso Transformador com o Leitor no Centro
Após edições anteriores focadas estritamente no público escolar, o Festival de Leitura da Maia assinala um regresso marcante com uma programação significativamente alargada. Esta nova fase coloca o leitor em destaque, promovendo um espaço de diálogo e partilha que transcende as barreiras geracionais e de interesses, reafirmando o compromisso de celebrar a literatura e o pensamento crítico.
A iniciativa, promovida pelo Município da Maia, é vista como um pilar fundamental para a democratização do acesso à cultura. Alinhado com os objetivos estratégicos locais em matéria de educação, cultura e cidadania, o festival visa valorizar os espaços culturais da região, estreitar laços com a população e fomentar hábitos culturais sustentados e duradouros.
De Leituras Improváveis a Matchs Literários: Uma Programação Diversificada
Entre os pontos altos da programação, destacam-se as "Leituras Improváveis", que prometem um diálogo surpreendente entre textos clássicos e a contemporaneidade. Em palco, a jornalista Tânia Laranjo, o rapper André Neves (Dealema) e o vocalista de metal Fernando Ribeiro (Moonspell) darão nova vida a obras de autores como Camões, Camilo Castelo Branco e Agustina Bessa-Luís, acompanhados por uma paisagem sonora ao vivo de Luís Bittencourt, evidenciando a perene atualidade destas criações.
O festival inova com propostas interativas como o “Match de Leitores”, um verdadeiro speed date literário moderado por Fernando Alvim. Esta iniciativa pioneira convida os participantes a encontros rápidos, desenhados para conectar leitores com afinidades ou curiosas diferenças, incentivando a partilha de histórias e a descoberta de novas recomendações. Outro conceito original é “Ler de Ouvido”, um lounge de leitura coletiva sonorizado por um DJ set exclusivo de Inês Maria Meneses, transformando o ato usualmente solitário da leitura num momento social e agregador.
A lista de convidados inclui nomes proeminentes da cultura portuguesa, como o escritor Afonso Cruz, o músico Dino D’Santiago, o maestro Martim Sousa Tavares, e a poeta slammer luandense Elisângela Rita. Juntam-se ainda Álvaro Cúria, Carina Albuquerque, Inês Bernardo e Ludgero Cardoso, todos partilhando como a leitura moldou os seus percursos pessoais e artísticos. A programação estende-se também aos mais jovens, com espetáculos como "Ocelo" (sensorial literário), "Eu livro" (circo contemporâneo), contos infantis com Raquel Patriarca e jogos de tabuleiro.
Ao longo dos dias do evento, os visitantes terão à disposição uma área de exposição e venda de livros, concebida como um espaço de descoberta e apoio aos leitores mais curiosos. O último dia do festival, uma segunda-feira, será dedicado inteiramente ao público escolar, com competições de leitura e um encontro especial com o aclamado autor Afonso Cruz, que responderá às perguntas dos alunos, culminando as celebrações literárias.
Perspetiva
A abordagem do Festival de Leitura da Maia representa um modelo inspirador para a dinamização da leitura e da cultura em Portugal. Ao integrar diferentes expressões artísticas e personalidades de áreas tão distintas como a música, o jornalismo e a literatura, o evento demonstra o potencial de criar pontes e tornar a leitura mais acessível e apelativa a públicos variados, quebrando a ideia de que a cultura erudita é exclusiva de certos nichos.
Este festival não só reforça a importância do livro e da palavra num contexto contemporâneo, mas também sublinha o papel das autarquias na promoção de iniciativas que fomentam o pensamento crítico e a cidadania ativa. Ao colocar o leitor no centro e ao incentivar a interação direta, a Maia posiciona-se como um polo de inovação cultural, capaz de gerar um impacto duradouro na comunidade e de inspirar outras regiões do país a reimaginar os seus próprios eventos literários.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 25 de março de 2026
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