MÚSICA

Alice Boavista apresenta “Boa Nova” single de estreia que antecipa o EP homónimo

Novo lançamento na cena portuguesa. A PORTA B apresenta e analisa esta proposta musical.

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Redação PORTA B

2 de julho de 2026

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Alice Boavista apresenta “Boa Nova” single de estreia que antecipa o EP homónimo

Alice Boavista Desvenda "Boa Nova": Um Canto de Raízes e Contemporaneidade

Alice Boavista acaba de lançar “Boa Nova”, o seu single de estreia em nome próprio, que antecipa o EP homónimo atualmente em preparação. A canção estabelece um ponto de partida para um projeto artístico que visa cruzar a riqueza da música tradicional portuguesa com uma perspetiva autoral moderna, forjando uma linguagem musical enraizada na palavra, na memória e nas profundas ligações culturais.

A Emoção do Regresso e a Força da Memória

“Boa Nova” emerge como uma reflexão poética sobre a ideia de regresso e o sentimento de saudade, construindo uma narrativa que explora a íntima relação com um lugar que persiste vívido na memória. Através da metáfora de uma carta imaginária, o sujeito lírico dirige-se a este espaço ausente, acalentando a esperança de um reencontro futuro e do restabelecimento dos laços de pertença, acolhimento e reconhecimento. A melodia e a letra mergulham na forma como os lugares moldam intrinsecamente a identidade individual e emocional.

Mais do que uma simples meditação sobre a distância física, “Boa Nova” aprofunda-se na permanência das memórias, dos rituais e dos símbolos que acompanham cada jornada pessoal. Entre a ausência e o desejo latente de regresso, o tema propõe uma leitura singular da saudade, não como um lamento, mas como uma força motriz de ligação e um pilar fundamental na construção da identidade. É um convite à introspeção sobre o que nos define e o que nos liga às nossas origens.

A Arquitetura Sonora de um Manifesto

Musicalmente, o single “Boa Nova” já revela as linhas orientadoras que definirão o futuro EP. A composição e a letra são integralmente assinadas por Alice Boavista, que também assume a voz, o adufe e o piano, numa performance que sublinha a sua versatilidade. O arranjo foi cuidadosamente concebido por Francisco Ribeiro, contribuindo para a sonoridade característica da peça.

A acompanhar Alice Boavista nesta jornada musical, encontramos Carlos Barreto no contrabaixo, Eva Senra na flauta transversal e Isabel Sixel no pandeiro e também na voz, enriquecendo a textura sonora com uma fusão de timbres e tradições. A gravação, um processo meticuloso, foi realizada no I Am Studio, sob a precisa direção de Artur Silva. O projeto integra uma tapeçaria de referências que atravessam a música tradicional portuguesa, a música popular portuguesa e brasileira, e ainda influências da música erudita e do jazz, criando um universo sonoro único.

Perspetiva

A utilização de instrumentos associados a diversas tradições musicais lusófonas confere a este trabalho uma linguagem que procura simultaneamente preservar e reinventar as heranças culturais, estabelecendo uma ponte vital entre a tradição e a criação contemporânea. O futuro EP, que partilha o título “Boa Nova”, marcará a primeira edição discográfica de Alice Boavista enquanto autora e intérprete a solo. Concebido como um manifesto artístico e pessoal, o trabalho aprofunda a reflexão sobre temas como a pertença, a memória, a identidade e a transmissão cultural. O título “Boa Nova” assume-se assim como uma metáfora multifacetada: simboliza o nascimento artístico e a revelação de uma nova voz, mas também se apresenta como uma mensagem de esperança e continuidade no panorama cultural português.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 2 de julho de 2026

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