MÚSICA

Alucinação coletiva na Queima das Fitas com Yasmine e Morad

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

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Redação PORTA B

7 de maio de 2026

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Alucinação coletiva na Queima das Fitas com Yasmine e Morad

Queima das Fitas do Porto: Yasmine e Morad Inauguram Noites com Encontros Genuínos e Uma Alucinação Coletiva

A Queima das Fitas do Porto deu início às suas noites de celebração esta quarta-feira, 6 de maio, com um arranque memorável que contou com as atuações de Yasmine e Morad. A diversidade musical e a intensidade das performances marcaram a primeira noite, transformando o recinto num palco de encontros autênticos e de uma energia contagiante que culminou numa verdadeira alucinação coletiva.

Vozes que Resonam com a Geração Presente

A abertura das hostilidades musicais esteve a cargo de Yasmine, que subiu ao palco com uma elegância desarmante. O seu concerto foi muito mais do que um mero espetáculo; foi um encontro profundo entre a artista e o público, uma ponte entre as raízes que a definem e a modernidade que a projeta para o futuro. A força da sua voz, carregada de história, entrelaçou-se com a leveza pop, criando uma atmosfera singular.

O sorriso que Yasmine ofereceu ao público desde o primeiro instante desarmou o recinto, e bastaram os primeiros versos para solidificar a perceção de que a sua presença visava criar uma ligação genuína, e não apenas cumprir uma atuação. A voz quente, segura e cheia de textura preencheu o espaço com uma naturalidade que apenas os intérpretes que dominam o palco sem esforço conseguem transmitir. As suas canções mais conhecidas foram recebidas como pequenos hinos pessoais, cantados em coro por uma plateia que se reconhece nas histórias femininas que a artista narra, abordando temas como o amor, a pertença, a força e a vulnerabilidade.

A Rua em Palco: A Verdade Irreverente de Morad

Após a elegância e a doçura de Yasmine, o palco da Queima das Fitas recebeu Morad, cuja atuação foi a personificação daquilo que se espera de um artista que não vem apenas cantar, mas representar. O rapper espanhol chegou para dar voz à rua, à vivência, à resistência e à identidade de uma geração que se revê na sua mensagem crua e sem filtros.

Morad entrou em palco com a intensidade que o catapultou para o estatuto de fenómeno, direto, cru e com uma presença que ocupou o espaço antes mesmo de proferir a primeira palavra. Não houve introduções longas ou teatralidade ensaiada; houve impacto imediato. A energia instalou-se de imediato, alimentada por um público que dominava cada verso e que não estava ali apenas para assistir, mas para viver o concerto em toda a sua plenitude. Em palco, a entrega do artista é visivelmente física e intensa, marcada por gestos rápidos, um olhar firme e uma respiração que acompanha a cadência das histórias que conta. Não há artifício nas suas palavras ou na sua postura, há verdade. E foi precisamente essa verdade que o tornou tão magnético, culminando numa alucinação coletiva que tomou conta da noite de quarta-feira na Queima das Fitas do Porto.

Perspetiva

A noite de abertura da Queima das Fitas do Porto, com Yasmine e Morad, espelha a dinâmica cultural e musical que Portugal vive atualmente. A programação demonstrou a capacidade de criar pontes entre diferentes universos artísticos, oferecendo ao público uma experiência rica e multifacetada. A autenticidade e a capacidade de cada artista em estabelecer uma ligação profunda com a sua audiência, seja através de narrativas íntimas e empoderadoras ou da representação visceral de uma realidade urbana, sublinham a importância de dar voz a quem fala com verdade. A Queima das Fitas do Porto afirmou-se, assim, como um espaço privilegiado para a convergência de talentos que, de formas distintas, conseguem mobilizar e inspirar as novas gerações, reafirmando o papel central da música na expressão de identidades e sentimentos coletivos.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 7 de maio de 2026

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