MÚSICA

Bandua lança “BARQUINHO” novo single que aponta o rumo de “BANDUA II”

Novo lançamento na cena portuguesa. A PORTA B apresenta e analisa esta proposta musical.

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Redação PORTA B

28 de junho de 2026

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Bandua lança “BARQUINHO” novo single que aponta o rumo de “BANDUA II”

Bandua lança 'Barquinho', um convite à travessia coletiva e ao novo pulsar de 'BANDUA II'

A dupla Bandua, composta por Bernardo D’Addario e Edgar Valente, acaba de desvendar "Barquinho", um novo single que aborda a comunidade, a pertença e a transformação. Lançado a 26 de junho, este tema é o mais recente avanço do muito aguardado segundo álbum do projeto, "BANDUA II", com edição prevista para outubro de 2026. A canção representa uma ponte para os eixos temáticos e sonoros que o próximo disco irá explorar.

Um percurso que culmina em "BANDUA II"

"Barquinho" surge na sequência de "Flor do Rosário", o primeiro tema a ser revelado do novo álbum, divulgado em maio pela editora germânica/sueca Ajabu! Records. A este juntou-se, a 13 de junho, a "ReVariação de 'O Corpo É Que Paga'", uma reinterpretação do clássico de António Variações, editada pela Postas de Pescada. Estes lançamentos têm vindo a construir a narrativa para "BANDUA II", consolidando a identidade dos Bandua como um projeto que cruza de forma singular a música eletrónica com o cancioneiro popular português.

A trajetória da dupla, conhecida por esta fusão inovadora, tem vindo a alargar os horizontes da música portuguesa. Com cada novo lançamento, Bernardo D’Addario e Edgar Valente têm demonstrado uma capacidade notável de revisitar e reinventar a tradição, ao mesmo tempo que exploram sonoridades contemporâneas e globais. O percurso até "BANDUA II" promete ser uma etapa decisiva na evolução artística dos Bandua, cimentando o seu lugar no panorama musical.

"Barquinho": metáfora de encontro e evolução sonora

"Barquinho" é construído em torno de uma imagem simples e poderosa: uma pequena embarcação que se recusa a navegar sozinha. A partir desta ideia central, o tema desdobra-se numa profunda reflexão sobre a importância da comunidade, do encontro e da partilha, afastando-se das narrativas de conquista ou de viagem solitária muitas vezes associadas ao imaginário marítimo português. O barco transforma-se num espaço de abrigo e de múltiplas vozes, tal como expresso no verso "Eu queria que o meu barquinho não navegasse sozinho / queria eu que fosse ninho para mais que um passarinho", que estrutura a narrativa da canção.

Musicalmente, "Barquinho" assinala uma nova fase na sonoridade dos Bandua. Mantendo a sua ligação intrínseca às tradições musicais portuguesas, a dupla expande o seu território para uma linguagem mais aberta, plural, luminosa e marcadamente dançável. Este tema é, assim, uma chave de leitura fundamental para "BANDUA II", um disco que se propõe a refletir sobre Portugal como um território em constante construção e desconstrução, marcado por encontros e pela circulação incessante de influências e transformações.

Neste contexto, o barco em "Barquinho" funciona como uma metáfora da condição permanente de viagem e de escuta. É um símbolo da troca incontornável entre pessoas, territórios e diferentes épocas. A canção antecipa, portanto, um álbum que promete ser um espelho das múltiplas identidades que compõem Portugal, através de uma sonoridade que celebra a fusão e o movimento.

Perspetiva

A abordagem dos Bandua em "Barquinho" e a promessa de "BANDUA II" revelam uma sensibilidade artística que ecoa profundamente na contemporaneidade cultural portuguesa. Ao reinterpretar símbolos coletivos e ao questionar narrativas estabelecidas, a dupla oferece uma visão de Portugal que é ao mesmo tempo enraizada e progressiva. A sua capacidade de fundir a eletrónica com o cancioneiro popular não é apenas uma proeza musical, mas também um ato cultural que realça a vitalidade e a maleabilidade da identidade portuguesa.

Com "Barquinho", Bernardo D’Addario e Edgar Valente não apenas entregam um tema cativante, mas também propõem uma reflexão sobre a importância do coletivo num mundo cada vez mais individualista. O seu trabalho contribui para o contínuo diálogo sobre o que significa ser português hoje, através de uma linguagem musical que é simultaneamente universal e profundamente local. A expectativa para "BANDUA II" é elevada, antecipando-se um álbum que não só consolidará a posição dos Bandua na cena musical, mas também enriquecerá o panorama cultural com a sua perspetiva única e transformadora.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 28 de junho de 2026

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