Bandua lançou novo álbum de remisturas “BANDUA REMIXES”
Novo lançamento na cena portuguesa. A PORTA B apresenta e analisa esta proposta musical.
Redação PORTA B
30 de março de 2026

Bandua: O Primeiro Capítulo Desdobra-se em Novas Le(i)turas Sonoras
O projeto Bandua, a colaboração musical entre o luso-brasileiro Bernardo D’Addario e o português Edgar Valente, acaba de lançar "BANDUA REMIXES", um álbum que revisita o seu trabalho inaugural através das perspetivas de sete artistas portugueses contemporâneos. Editado pela independente britânica Earthly Measures, este disco não só encerra um ciclo inicial do duo, como também projeta a sua sonoridade para o futuro, explorando a pluralidade e a contínua metamorfose da sua identidade musical.
Raízes e Horizontes de um Projeto Sonoro
Desde a sua génese, Bandua tem-se dedicado a entrelaçar a memória e a cultura portuguesas com as tendências musicais globais mais atuais. O duo concebe música eletrónica que se enraíza profundamente no território e nas suas origens, criando um universo sonoro que habita um espaço suspenso. Este equilíbrio entre o digital e o orgânico, entre a tecnologia e a tradição, é a assinatura de Bandua, dissolvendo fronteiras conceptuais entre o campo e a cidade, o passado e o futuro, o local e o global.
A proposta original de Bandua sempre foi impulsionada por questões de identidade e interpretação, explorando aquilo que foi e o que pode ser. A sua música desafia categorizações simples, fluindo entre diferentes paisagens sonoras e emocionais, mantendo sempre uma conexão palpável com a essência cultural que a inspira. É esta base sólida e, ao mesmo tempo, flexível que permitiu o surgimento de um projeto de remisturas tão diversificado e revelador.
A Multiplicidade de "BANDUA REMIXES"
O álbum "BANDUA REMIXES" constitui um gesto final em direção às origens do projeto, ao mesmo tempo que abre portas para o que virá a seguir. Longe de serem meras reimaginações, as remisturas evidenciam a elasticidade intrínseca à linguagem sonora de Bandua, revelando a multiplicidade já presente nas composições originais. Cada um dos sete artistas convidados aborda o material a partir de um vocabulário musical distinto, transformando as faixas em novos caminhos que brotam do mesmo sistema de raízes.
O coletivo de produtores reunido para este trabalho traz novas leituras sonoras ao universo de Bandua, cada um com uma identidade marcante na eletrónica contemporânea. Nomes como Sickonce, Phragmant, Ohxala, Pedro Martins, Magupi, C4STRO e tarabela exploram um vasto leque de géneros. As remisturas desdobram-se em sonoridades que vão do downtempo ao drum and bass, passando por ambientes psicadélicos, ambientais e faixas orientadas para o clube, demonstrando a versatilidade do material original.
Este álbum de remisturas capta um momento de transição, um corpo de trabalho devolvido à circulação, transformado através do diálogo e reenquadrado coletivamente. O disco escuta atentamente aquilo que já se encontra em movimento na cena eletrónica portuguesa, reforçando a ideia de que a música de Bandua é um ponto de partida para inúmeras explorações. Ao fechar o primeiro ciclo, "BANDUA REMIXES" não se apresenta como um fim, mas como uma ressonância contínua, uma afirmação da abertura à pluralidade e à troca.
Perspetiva
"BANDUA REMIXES" solidifica a posição de Bandua no panorama musical português, não apenas como um projeto inovador, mas também como um catalisador para a comunidade eletrónica nacional. Ao convidar uma seleção tão diversa de produtores, o álbum não só celebra a riqueza das composições originais, como também destaca a vitalidade e a criatividade da cena eletrónica em Portugal. Este intercâmbio de ideias e sonoridades enriquece o diálogo cultural, mostrando como a memória e a tradição podem ser continuamente reinterpretadas e revitalizadas através de expressões contemporâneas.
O impacto cultural deste trabalho reside na sua capacidade de gerar pontes, unindo diferentes perspetivas e linguagens musicais num corpo coeso. A releitura coletiva das origens de Bandua demonstra uma maturidade artística que transcende o próprio duo, afirmando a música eletrónica como um espaço privilegiado para a experimentação e a redefinição de identidades sonoras. É um testemunho da capacidade da música em Portugal de se reinventar, dialogar com o global e, ao mesmo tempo, manter-se fiel às suas raízes, garantindo que o seu eco ressoe muito além das fronteiras.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 30 de março de 2026
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