MÚSICA

Batalha lança livro dedicado ao clubbing no cinema

Batalha Centro de Cinema lança *After Hours*, livro que explora a relação entre cultura de clube e cinema, com ensaios de especialistas e curadores.

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Redação PORTA B

4 de maio de 2026

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Batalha lança livro dedicado ao clubbing no cinema

After Hours: O novo livro do Batalha sobre o encontro entre o cinema e a cultura de clube

O Batalha Centro de Cinema, um dos epicentros culturais da cidade do Porto, volta a afirmar-se como palco privilegiado de reflexão e criação artística com o lançamento da publicação After Hours: Clubbing no Cinema. Este novo livro, que chega agora ao público, explora as múltiplas intersecções entre a cultura de clube e o cinema, propondo uma análise profunda sobre como estes dois universos se entrelaçam para criar narrativas únicas de identidade, emoção e resistência.

Editado por um trio de peso — Ana David, Maria Ferreira e Tabitha Thorlu-Bangura — a obra parte de um ciclo de programação apresentado em 2023 no Batalha e transforma-o num registo duradouro, ao mesmo tempo que expande os seus horizontes críticos. Com este lançamento, o Batalha reforça a sua missão de catalisar o debate em torno de temas contemporâneos, num diálogo constante entre o local e o global, entre o popular e o erudito.

Uma reflexão crítica sobre os cruzamentos entre música e imagem

After Hours: Clubbing no Cinema reúne ensaios inéditos de um conjunto de autores e artistas reconhecidos pela sua capacidade de pensar e articular processos culturais e estéticos. Entre os nomes que assinam os textos da publicação estão Beatrice Loayza, Christin Kakaire, Isilda Sanches, Mário Valente e Mckenzie Wark, figuras cuja visão crítica tem moldado o panorama cultural atual. A obra integra ainda contributos de cineastas e artistas como Cláudia Varejão, João Salaviza, Whit Stillman e Mark Leckey, cujas obras reforçam o diálogo entre a sétima arte e o universo musical.

O livro surge como uma tentativa de mapear os terrenos comuns entre o cinema e os clubes, espaços tradicionalmente associados à celebração da música e ao encontro de corpos em movimento. Ao longo das últimas décadas, o cinema tem explorado esses territórios não só como lugares de evasão, mas também como palcos para retratos íntimos e sociais. A dança, o som e as luzes desorientadoras das pistas de dança oferecem uma tela única para contar histórias que oscilam entre a universalidade e a especificidade cultural.

O Porto como epicentro da relação entre clubes e cinema

Se a interligação entre clubbing e cinema é evidente em várias geografias e contextos, After Hours dedica uma atenção especial ao caso português, com um foco particular na cidade do Porto. Conhecida pela sua vibrante cena cultural e vida noturna, a Invicta é apresentada como um espaço simbólico onde práticas artísticas, vivências em discotecas e criação cinematográfica se cruzam de forma única.

Ao enfatizar a relação entre a cidade e estas práticas culturais, o livro não só presta homenagem ao Porto como também sublinha o papel vital dos clubes enquanto motores de criatividade e transformação social. Estes espaços, muitas vezes negligenciados, são aqui celebrados como laboratórios culturais, onde se exploram novas formas de expressão artística e se constroem identidades tanto individuais como coletivas.

Entre a resistência e a imaginação

Mais do que um mero exercício de memória ou de homenagem, After Hours: Clubbing no Cinema pretende ser um manifesto cultural. A obra sublinha a capacidade do cinema e da cultura de clube de funcionarem como dispositivos de resistência, imaginação e reinvenção social. Num contexto global em que os espaços de encontro físico são frequentemente ameaçados, seja por razões económicas, políticas ou sociais, este livro surge como um testemunho da importância de preservar e valorizar esses locais.

A escolha do Batalha Centro de Cinema como palco para este projeto editorial não poderia ser mais simbólica. Enraizado no coração de uma cidade em constante efervescência cultural, o Batalha reafirma-se como um espaço indispensável para a reflexão e a produção artística. Com After Hours: Clubbing no Cinema, a instituição não só perpetua a memória de um dos seus ciclos mais marcantes, mas também contribui para um debate global sobre o valor da cultura de clube enquanto forma de arte e resistência.

Para os apaixonados por cinema, música e cultura urbana, este livro surge como uma peça essencial para compreender as dinâmicas entre estas linguagens que, embora distintas, se fundem numa dança criativa e social. Entre o registo documental e a exploração teórica, After Hours: Clubbing no Cinema é um convite para entrar no universo denso e multifacetado das pistas de dança, onde o som e a imagem se encontram.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 4 de maio de 2026

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