MÚSICA

Bienal de Artes Performativas de Amarante regressa entre 21 e 30 de agosto de 2026

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

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Redação PORTA B

13 de julho de 2026

4 min de leitura|3 leituras
Bienal de Artes Performativas de Amarante regressa entre 21 e 30 de agosto de 2026

Amarante Torna-se Palco Vivo: BapAmarante 2026 Promete Reinventar o Comum com Arte e Comunidade

Amarante prepara-se para acolher a segunda edição da sua Bienal de Artes Performativas (BapAmarante) entre 21 e 30 de agosto de 2026. Durante dez dias, a cidade e os seus arredores transformar-se-ão num epicentro de criação contemporânea, convidando públicos de todas as idades a interagir com a arte em cenários inesperados. Este evento cultural, impulsionado pela Sekoia – Artes Performativas e a Câmara Municipal de Amarante, visa fortalecer o diálogo entre artistas, comunidade e o próprio território.

Um Encontro Que Reinventa o Comum

Para a sua segunda edição, a BapAmarante assume o mote "reinventar o comum", propondo a arte como um espaço privilegiado para a escuta, a presença e a construção de relações. A iniciativa da Sekoia – Artes Performativas, em parceria com a Câmara Municipal de Amarante, reafirma o objetivo de consolidar a posição da região no panorama artístico tanto a nível nacional como europeu. A bienal foca-se em cruzar a criação contemporânea com o quotidiano, transformando o território numa tela viva onde as artes performativas se manifestam em múltiplas formas.

A programação cuidadosamente elaborada é multidisciplinar, abrangendo dança, teatro, música, cinema, performance e projetos participativos. Esta abordagem diversificada pretende não só cativar um público vasto, mas também desafiar as perceções sobre o que a arte pode ser e onde pode acontecer. Os espetáculos desenrolam-se em locais não convencionais, desde parques e mercados a igrejas e museus, sublinhando a intrínseca ligação entre a expressão artística e o espaço público e reforçando a ideia de que a arte não tem barreiras.

Nomes Sonantes e o Compromisso da Gratuidade

Entre as propostas que prometem marcar esta edição, destacam-se obras de artistas de renome nacional e internacional que exploram a essência da experiência humana. A programação integra “Segunda-feira: Atenção à Direita!” de Cláudia Dias, uma peça que convida à reflexão crítica sobre a nossa orientação no mundo. Igualmente relevantes são “Saber a Terra – Ensaiar a Relação” de Sara Rodrigues e Rodrigo B. Camacho, explorando a nossa conexão com o ambiente e as comunidades, e “Neither Here Nor There” de Jo Fong e Sonia Hughes, que aborda questões de pertença e deslocamento.

O público terá ainda a oportunidade de assistir a “Simulacro” de Carminda Soares e Margarida Montenÿ, uma obra que desafia a perceção da realidade e a sua representação. A celebração coletiva e a partilha ganham forma em “A Festa” de Filipa Francisco, prometendo momentos de comunhão e alegria. Estes trabalhos, entre outros, exploram temas universais como a resistência, a memória, a relação com o território, a intimidade e a celebração coletiva, oferecendo diversas perspetivas sobre a condição humana e o seu potencial de transformação.

Um dos pilares fundamentais da BapAmarante é a democratização do acesso à cultura. Toda a programação tem entrada gratuita, um gesto que visa incentivar a participação alargada e garantir que as artes performativas sejam acessíveis a todos, independentemente da sua condição social ou económica. Esta decisão reflete o compromisso da bienal com a inclusão e a valorização do público como parte integrante e ativa da experiência artística, promovendo um diálogo aberto e sem barreiras.

Perspetiva

A realização da segunda edição da BapAmarante representa um passo significativo para a descentralização cultural em Portugal e para a afirmação de Amarante como um polo vibrante de criação artística. Ao integrar propostas de envolvimento comunitário e práticas participativas, a bienal não se limita a apresentar espetáculos, mas posiciona a arte como uma ferramenta essencial para a reflexão social e a construção coletiva. Este modelo de festival, que aposta na interação e na ocupação de espaços públicos, serve de exemplo para outros eventos culturais no país, demonstrando como a arte pode ser um motor de transformação, coesão social e desenvolvimento regional.

Além do seu valor artístico e comunitário, a BapAmarante incorpora uma dimensão solidária notável. Ao convidar o público a contribuir com donativos que revertem parcialmente para a Liga Portuguesa Contra o Cancro, a bienal tece uma ponte entre a cultura e a responsabilidade social. Esta iniciativa não só enriquece a experiência dos participantes, proporcionando um sentido de propósito adicional, como também reforça o papel da cultura na promoção de causas maiores, elevando o impacto do evento para além do meramente artístico e solidificando o seu lugar como uma iniciativa cultural de relevo no calendário nacional.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 13 de julho de 2026

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