MÚSICA

"Biografias do Amor” de Sérgio Godinho estreiam no festival "Montepio Às Vezes o Amor”

A cena musical portuguesa prepara-se para mais um momento marcante. A PORTA B analisa o evento e o seu impacto cultural.

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Redação PORTA B

13 de fevereiro de 2026

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"Biografias do Amor” de Sérgio Godinho estreiam no festival "Montepio Às Vezes o Amor”

Sérgio Godinho Desvenda “Biografias do Amor” em Palco: Um Roteiro Inédito Pela Paixão

Sérgio Godinho, um dos mais emblemáticos cronistas da música portuguesa, prepara-se para um novo e audacioso capítulo na sua extensa carreira. Aos 80 anos, o "escritor de canções" reúne pela primeira vez em palco as suas “canções de amor” para apresentações exclusivas em Lisboa e Porto, no âmbito do festival Montepio Às Vezes O Amor, um título que evoca uma das suas canções mais conhecidas do álbum "Ligação Directa" de 2006. Esta iniciativa culmina com a reedição da compilação "Biografias do amor", que chega hoje às lojas e plataformas digitais.

Uma Trajetória de Cinco Décadas Celebrada pelo Amor

Com mais de cinco décadas de atividade ininterrupta e uma discografia que ultrapassa as três dezenas de registos, a obra de Sérgio Godinho é inseparável da história recente de Portugal, sendo frequentemente descrita como a "banda sonora das nossas vidas". Naturalmente, essa narrativa musical abrange também os nossos amores, paixões e desamores. Esta nova proposta cénica surge como uma demonstração notável de inquietude criativa e coragem artística, revisitando um percurso vasto e multifacetado através de um prisma temático inédito.

O novo espetáculo, que terá as suas estreias este fim de semana, promete desenterrar temas que o tempo não fez esquecer, alguns dos quais nunca antes foram apresentados ao vivo. Desde clássicos como "Romance de um dia na estrada" a composições mais recentes como "Tudo no amor", a carreira de Sérgio Godinho é cuidadosamente revista, focando-se exclusivamente nas narrativas de amor que pontuam a sua vasta obra.

Um Ensemble de Excelência Para Reinterpretar a Paixão

Para esta nova aventura musical, Sérgio Godinho rodeou-se de um conjunto de músicos de excecional talento, muitos deles com carreiras individuais proeminentes e inegavelmente influenciadas pela obra do mestre. Acompanham-no membros da sua "velha guarda", que o secundam há mais de duas décadas, como Nuno Rafael, que assume também a supervisão artística, e Sérgio Nascimento, o "senhor ritmo" conhecido pelo seu trabalho com Os Assessores.

A eles junta-se um "sangue novo" de instrumentistas e intérpretes talentosos: Margarida Campelo e Inês Sousa, artistas de múltiplos talentos que se dividem entre projetos coletivos e em nome próprio; e Tomás Marques, o saxofonista benjamim do ensemble, que se tem destacado em diversas formações fixas e que recentemente se estreou como líder do seu próprio projeto. A direção musical e os arranjos ficam a cargo de António Quintino, contrabaixista de formação, mas multi-instrumentista por opção, a quem coube a responsabilidade de encontrar a temperatura certa na releitura destes temas que são pilares do cancioneiro popular nacional.

A Reedição de "Biografias do Amor" e um Inédito de Ouro

Coincidindo com a estreia dos espetáculos, a compilação "Biografias do amor", que empresta o seu título a esta nova série de concertos, foi revista e atualizada. Lançada originalmente em 2001, esta edição assinala a sua primeira chegada ao formato de vinil, apresentada num álbum duplo. Além de um alinhamento renovado, a coletânea inclui uma gravação inédita, captada recentemente ao vivo, do tema "Tudo no amor".

Esta canção, composta por Hélder Gonçalves e letrada por Sérgio Godinho para o grupo Clã, ganha agora uma nova dimensão. Captada numa apresentação com Os Assessores, a versão integra a voz do próprio "escritor de canções", oferecendo uma interpretação distinta daquela originalmente imortalizada por Manuela Azevedo.

Perspetiva

Esta iniciativa de Sérgio Godinho transcende a mera apresentação de um espetáculo musical; representa um marco na sua carreira e na cultura portuguesa. Ao revisitar a sua obra através das lentes do amor, o artista não só demonstra uma notável capacidade de reinvenção, mas também reafirma a universalidade e a intemporalidade das suas letras. É um convite a redescobrir a profundidade emocional de um repertório que, ao longo de décadas, tem espelhado os sentimentos de gerações, provando que a sua música continua a ser um espelho da alma coletiva e uma voz incontornável na paisagem cultural do país.


PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 13 de fevereiro de 2026

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