MÚSICA

BONS SONS 2026 apresenta cartaz musical

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

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Redação PORTA B

8 de abril de 2026

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BONS SONS 2026 apresenta cartaz musical

BONS SONS 2026: Vinte Anos de Resistência e a Afirmação de Cem Soldos como Protagonista Cultural

O festival BONS SONS revelou esta terça-feira, em Cem Soldos, os detalhes da sua 13.ª edição, que decorrerá entre 6 e 9 de agosto de 2026. Assinalando duas décadas de história sob o tema da resistência, o evento promete mais de 50 atuações musicais e espetáculos distribuídos por onze palcos, reafirmando a aldeia como protagonista cultural.

Uma Celebração de Duas Décadas e o Legado da Resistência

A edição de 2026 do BONS SONS solidifica a sua identidade como um pilar da música portuguesa, celebrando vinte anos de existência com uma curadoria apontada como uma das mais equilibradas dos últimos tempos. O alinhamento musical transcende géneros, cruzando harmoniosamente a tradição com a eletrónica, o indie, o hip hop, o folk e a experimentação sonora, refletindo a diversidade e vitalidade da cena musical nacional. Com mais de 40 nomes confirmados no cartaz, a aldeia de Cem Soldos prepara-se para acolher uma vasta panóplia de sonoridades.

O tema central desta celebração de duas décadas, a resistência, permeia toda a programação e a filosofia do festival. É um manifesto que honra a conquista de um espaço para a cultura portuguesa e a afirmação do meio rural como um território vibrante e contemporâneo. O BONS SONS destaca-se por ser um ponto de encontro de coletivos, de artistas que moldaram a sua história e que regressam agora com projetos renovados, novas abordagens e fusões artísticas, promovendo um diálogo entre várias gerações e geografias.

Novidades e Parcerias que Expandem o Território do Festival

Entre as novidades mais marcantes desta edição, destaca-se a estreia do Palco Rosa Ramalho, uma homenagem à icónica escultora e ceramista, figura emblemática da olaria tradicional portuguesa. Este novo espaço cénico convida o público a explorar Cem Soldos além do seu centro, situando-se em plena natureza e abrindo portas para paisagens distintas da aldeia, como hortas de cultivo e eiras de secagem. Dada a sua localização e caráter intimista, os concertos neste palco terão lotação limitada e exigirão inscrição prévia.

A programação de 2026 reforça também a aposta em parcerias estratégicas que enriquecem a oferta cultural do festival. A colaboração com a MPAGP – Música Portuguesa a Gostar Dela Própria trará quatro concertos, enquanto o Festival Materiais Diversos apresentará dois espetáculos de artes performativas. O cinema itinerante Curtas em Flagrante assegurará a exibição de várias curtas-metragens, e o Gerador será responsável pela organização de quatro conversas. Adicionalmente, a associação 30POR1LINHA conduzirá o público em passeios guiados pela biodiversidade dos campos, bosques e ribeiros que circundam a aldeia. Os detalhes específicos destes espetáculos, filmes, temas de conversas e percursos serão anunciados brevemente.

Outra iniciativa de relevo é o funcionamento em pleno do estúdio de vídeo das crianças das escolas de Cem Soldos. Ao longo de meses, os jovens observam o seu território, recolhem histórias da comunidade e experimentam técnicas de vídeo e som, criando peças que refletem os seus olhares sobre a vida rural. Este projeto, que visa estimular a curiosidade, a escuta ativa, a criatividade e o sentido de pertença, culminará numa exposição com os materiais produzidos, a ser apresentada durante o festival.

Perspetiva

O BONS SONS transcende a mera organização de um festival de música para se afirmar como um laboratório cultural e social de impacto significativo em Portugal. Ao celebrar a contemporaneidade no campo, o evento não só oferece uma plataforma para a música portuguesa, mas também promove o planeamento territorial, a cidadania participativa, o envelhecimento ativo e o ensino em comunidade. A sua ação sustentável e a criação de espaço público demonstram um compromisso profundo com a comunidade e a valorização do património popular.

Com a sua abordagem multifacetada, o festival demonstra como a cultura pode ser um motor de desenvolvimento rural e um agente de transformação social. A capacidade de integrar a música com as artes performativas, o cinema, o debate e projetos comunitários, ao mesmo tempo que preserva a autenticidade de Cem Soldos, posiciona o BONS SONS como um modelo de festival que celebra a resistência cultural e a vitalidade de um Portugal que pulsa tanto nas grandes cidades como nas aldeias mais recônditas.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 8 de abril de 2026

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