MÚSICA

Calcutá confirmada para a abertura das noites de Apresentação de “The Hoggar” de Tinariwen

Tinariwen regressam a Portugal em abril com concertos no Porto e Lisboa; Calcutá, projeto de Teresa Castro, fará a abertura com eletrónica e folk experimental.

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Redação PORTA B

8 de abril de 2026

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Calcutá confirmada para a abertura das noites de Apresentação de “The Hoggar” de Tinariwen

Tinariwen trazem o deserto a Portugal com Calcutá a abrir as noites mágicas

Os Tinariwen, incontornáveis representantes do blues do deserto e da cultura Tuaregue, regressam a Portugal para dois concertos que prometem ser inesquecíveis. A Casa da Música, no Porto, e o Lisboa ao Vivo, na capital, receberão o colectivo maliano a 13 e 14 de abril, respetivamente, para a apresentação do seu mais recente trabalho, "The Hoggar". A surpresa da noite será a participação da portuguesa Calcutá, que abrirá ambos os espetáculos e trará a sua assinatura electrónica e experimental como prelúdio perfeito para a viagem musical que se segue.

Calcutá: um prelúdio hipnótico para os sons do deserto

Teresa Castro, a mente criativa por trás de Calcutá, tem vindo a afirmar-se como uma das vozes mais singulares da música portuguesa contemporânea. Com um pé na folk, outro na música experimental e um coração pulsante de drone, o projeto da multi-instrumentista portuense ganhou destaque com o lançamento do álbum "Soon After Dawn", no início deste ano. Este trabalho tem sido amplamente reconhecido pela crítica pela sua fusão de sonoridades oníricas, texturas eletrónicas subtis e uma sensibilidade artesanal que confere profundidade emocional a cada faixa.

Nos concertos ao lado dos Tinariwen, Teresa estará acompanhada por Luís Barros na bateria e Maria Amaro no contrabaixo, voz e teclado. A sinergia entre os três músicos promete criar uma ambiência envolvente, marcada por paisagens hipnóticas onde as guitarras persistentes e os harmónios se expandem como se fossem seres vivos. Cada peça musical é uma viagem emocional, um convite para abrandar o ritmo frenético do quotidiano e mergulhar num universo de introspeção e contemplação sonora.

A escolha de Calcutá para abrir as noites de Tinariwen não poderia ser mais acertada. A delicada intensidade da música de Teresa Castro tem o potencial de preparar o público para a explosão sensorial que se segue, criando uma ponte entre o minimalismo etéreo do seu som e a profundidade terrena da música Tuaregue.

Tinariwen: a resistência do deserto em forma de canção

Os Tinariwen não são apenas músicos; são cronistas da resistência e da identidade de um povo. A sua música, muitas vezes descrita como "blues do deserto", carrega as histórias, as lutas e as esperanças dos Tuaregues, um povo nómada do Sahara. Fundado nos anos 80, o grupo transformou a guitarra elétrica numa extensão do seu ativismo, trocando armas por acordes para reivindicar a dignidade e a autonomia do seu povo.

Em "The Hoggar", o mais recente álbum que será apresentado nestes concertos, os Tinariwen continuam a explorar temas de exílio, resistência e saudade, mas com uma abordagem musical que incorpora novas texturas e nuances. Este trabalho, que evoca a imensidão e o misticismo do deserto, é uma celebração da sua cultura e uma ponte para o mundo, conectando diferentes tradições musicais.

As performances ao vivo dos Tinariwen são imersivas e carregadas de simbolismo. Os músicos, com as suas indumentárias tradicionais, criam um contraste imediato com as guitarras elétricas que definem o seu som. As linhas melódicas que serpenteiam como dunas e os ritmos tribais de palmas e percussão transformam cada concerto numa experiência inesquecível, onde a música transcende a mera audição e se torna num momento de comunhão.

Duas noites que prometem ficar na memória

A junção de Calcutá e Tinariwen no mesmo alinhamento é uma oportunidade rara para o público português explorar dois universos musicais distintos, mas que partilham uma sensibilidade comum: a capacidade de transportar o ouvinte para outros mundos através do som. O Porto e Lisboa receberão, sem dúvida, duas noites preenchidas de magia, introspeção e celebração.

Com a Casa da Música e o Lisboa ao Vivo como palco, estas atuações prometem ser mais do que simples concertos; serão momentos únicos de celebração da música enquanto veículo de identidade e resistência. Para quem procura experiências verdadeiramente transformadoras, a conjugação entre os minimalismos etéreos de Calcutá e a força crua e espiritual dos Tinariwen é um daqueles encontros que só surge de tempos a tempos.

Os bilhetes já estão à venda e a procura tem sido intensa, dado o estatuto de culto de ambos os artistas. Quem desejar embarcar nesta viagem sonora pelo deserto e pelo etéreo fará bem em garantir o seu lugar o quanto antes.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 8 de abril de 2026

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