MÚSICA

CITEMOR regressa de 17 de julho a 8 de agosto em Montemor-o-Velho e Coimbra

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

R

Redação PORTA B

17 de julho de 2026

4 min de leitura|3 leituras
CITEMOR regressa de 17 de julho a 8 de agosto em Montemor-o-Velho e Coimbra

CITEMOR 2026: Arte, Crítica e Território no Coração de Portugal

O CITEMOR regressa de 17 de julho a 8 de agosto, transformando Montemor-o-Velho e Coimbra em palcos vibrantes para uma dúzia de propostas artísticas. O festival apresenta um programa diversificado que abrange teatro, dança, performance, música, cinema, videoarte e artes visuais, reafirmando-se como um dos eventos culturais mais relevantes do panorama nacional. A edição deste ano promete desafiar e provocar reflexão, mantendo um diálogo constante com as questões mais prementes da contemporaneidade.

Uma Vocação de Criação e Experimentação

Há muito que o CITEMOR se consolidou como um espaço privilegiado para a criação e experimentação artística, promovendo um cruzamento geracional e geográfico de talentos. Artistas de Portugal, Espanha, Brasil, México e Japão convergem para apresentar estreias absolutas, antestreias e obras desenvolvidas em residência de criação, sublinhando a natureza inovadora e internacional do festival. Esta vocação mantém-se no cerne da programação, que se propõe a ser um catalisador de novas linguagens e discursos artísticos.

O festival distingue-se pela sua capacidade de estabelecer uma ligação permanente com o território que o acolhe, utilizando a arte como ferramenta para pensar e interrogar o mundo. Cada acontecimento é desenhado para ser uma experiência única, convidando o público a mergulhar em narrativas e estéticas que desafiam as convenções. Esta abordagem não só enriquece a oferta cultural da região, como também posiciona Montemor-o-Velho no mapa da criação contemporânea.

Destaques de Abertura e Primeiras Revelações

A edição de 2026 arranca já a 17 de julho, às 21h30, no Teatro da Cerca de São Bernardo, em Coimbra, com a aguardada apresentação de Dressing Room, uma criação de Lígia Soares. Atriz, coreógrafa e dramaturga de inegável importância na criação contemporânea portuguesa, Lígia Soares regressa ao CITEMOR para inaugurar o festival com uma obra que questiona a viabilidade do luxo num contexto de crescentes desigualdades sociais. A peça explora a contradição inerente entre um vestido, que por si só representa a maior fatia do orçamento de produção, e uma proposta de crítica social contundente, interrogando a própria natureza do espetáculo.

Entre o luxo e a política, o entretenimento e a denúncia, Dressing Room expõe as contradições da sociedade contemporânea e a forma como o poder se manifesta de maneira espetacularizada. O festival prossegue no sábado, dia 18, no Teatro Esther de Carvalho, em Montemor-o-Velho, com A.P.S.A. e Filho, Lda. Esta é a primeira criação escrita e dirigida por Bruno Ambrósio, que também integra o elenco. A peça mergulha nas memórias familiares de dois homens, revisitadas através de gestos técnicos e rotinas repetidas ligadas aos processos de corte e tratamento da carne, aos sistemas de abate e às lógicas do comércio animal.

A partir deste universo particular, os protagonistas confrontam-se com as heranças familiares, a complexidade das relações paternas e uma ideia de masculinidade que os acompanha desde a infância. O diagnóstico de uma doença degenerativa crónica atua como catalisador, intensificando o questionamento sobre o lugar de um deles na família. A obra de Bruno Ambrósio entrelaça corpo, herança e expectativas familiares, prometendo uma reflexão profunda sobre laços e identidade.

Perspetiva

O CITEMOR tem desempenhado, ao longo de várias décadas, um papel fundamental na afirmação da região de Montemor-o-Velho como um território fértil para a criação artística contemporânea. O seu contributo efetivo para a identidade cultural local, para a economia regional e para a coesão territorial é inegável, funcionando como um motor de desenvolvimento e visibilidade. Em Portugal, o festival representa um modelo de como a cultura pode ser um agente transformador, não apenas esteticamente, mas também social e politicamente.

A realização deste festival é, em si mesma, um ato de reflexão sobre a liberdade de criação, a igualdade de acesso, participação e representação no panorama artístico. Num tempo de incertezas, o CITEMOR reforça o papel vital que a cultura desempenha no fortalecimento da democracia e na promoção de um pensamento crítico. Ao convocar artistas e públicos para dialogar através da arte, o festival contribui para uma sociedade mais consciente e participativa, consolidando o seu legado como um farol de inovação e relevância cultural em Portugal.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 17 de julho de 2026

PORTA B — Perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.