Cordel apresentam ao vivo “Cordel, Vol. II”
Cordel estreia ao vivo "Cordel, Vol. II", um disco que celebra a cultura lusófona com poesia, guitarra e identidade, unindo passado e presente.
Redação PORTA B
9 de abril de 2026

Cordel apresentam ao vivo “Cordel, Vol. II” no Auditório do Liceu Camões
O próximo dia 15 de abril marca o regresso aos palcos de um dos projetos mais singulares da música portuguesa contemporânea. O duo Cordel, composto por João Pires e Edu Mundo, apresenta ao vivo o mais recente trabalho discográfico, Cordel, Vol. II, no Auditório do Liceu Camões, em Lisboa. Este concerto especial promete ser uma celebração da música em português, num encontro íntimo e profundamente imersivo entre tradição e modernidade.
Um universo onde música e palavra se entrelaçam
Desde a sua formação, Cordel tem vindo a afirmar-se como uma das vozes mais autênticas e originais do panorama musical luso. Com uma sonoridade que respira identidade e uma estética cuidadosamente elaborada, o projeto funde a guitarra de João Pires com a voz e a poesia de Edu Mundo, construindo um espaço único onde a música e a palavra convivem harmoniosamente.
Com Cordel, Vol. II, o duo dá continuidade a um percurso que começou em 2019 com o lançamento de Cordel, Vol. I. Este novo álbum, composto por dez temas inéditos, expande o universo sonoro e poético da banda, levando os ouvintes por uma viagem profunda e delicada às paisagens ricas da cultura lusófona. Cada canção é um convite à introspeção, à redescoberta das nossas raízes culturais e à reflexão sobre a nossa identidade coletiva.
Um diálogo entre passado e presente
Uma das características mais marcantes do trabalho de Cordel é a capacidade de trazer para a contemporaneidade ecos do passado. As influências do duo atravessam diferentes tempos e geografias, com referências que vão desde o erudito Luís de Camões até o lirismo popular de Manoel de Barros, passando por ícones da música como Fausto, José Mário Branco, Tom Jobim e Chico Buarque. Também há espaço para homenagens a nomes fundamentais da música de Cabo Verde, como Travadinha e Cesária Évora.
Esta ponte entre a tradição e a modernidade é construída com a firmeza de quem honra o passado enquanto aponta para o futuro. A música de Cordel não é um exercício de nostalgia, mas antes uma reinvenção que dá nova vida às raízes culturais que nos moldam.
A colaboração com Salvador Sobral e outros destaques do álbum
O novo álbum, inteiramente produzido por João Pires e Edu Mundo, conta com a participação especial de Salvador Sobral no tema Nau Frágil. A colaboração entre os artistas resulta numa canção que, segundo os próprios, simboliza o espírito do projeto: frágil e poderosa, luminosa e melancólica, sempre em busca de equilíbrio entre o risco e a beleza.
Com uma abordagem musical que recusa fórmulas fáceis, Cordel, Vol. II é um registo de enorme sensibilidade artística, onde cada tema parece ter sido criteriosamente esculpido. As texturas sonoras, ora minimalistas, ora profundamente orquestradas, aliam-se a uma lírica rica em metáforas, capaz de evocar tanto sentimentos universais como memórias únicas e profundamente pessoais.
Um concerto que promete ser um momento inesquecível
O concerto no Auditório do Liceu Camões promete ser muito mais do que uma simples apresentação ao vivo de um álbum. Cordel quer transformar o palco num espaço de partilha e conexão, unindo a intimidade das suas canções à profundidade das suas palavras. O espetáculo será um convite a uma experiência sensorial e emocional, onde os públicos são levados a escutar tanto os sons como os silêncios.
A noite será, sem dúvida, uma celebração única da música em português, onde o erudito e o popular se entrelaçam para criar algo absolutamente inédito. Será um momento para ouvir, sentir e refletir, num registo que desafia os limites do que consideramos música contemporânea.
Os bilhetes para o evento já estão disponíveis e prometem esgotar rapidamente, tal como aconteceu com outras apresentações da banda noutros palcos nacionais. Para os amantes de música e poesia, este é um concerto que não pode ser perdido.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 9 de abril de 2026
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