Cover de Bruxelas, programa histórico da RUC, lança segundo volume
Novo lançamento na cena portuguesa. A PORTA B apresenta e analisa esta proposta musical.
Redação PORTA B
6 de março de 2026

A Arte da Reinterpretação: "Cover de Bruxelas Sessions, Volume 2" Redefine Clássicos
O panorama musical português acolhe um novo e significativo capítulo na arte das versões com o lançamento do CD "Cover de Bruxelas Sessions, Volume 2". Este disco inovador reúne cinco artistas distintos – John Mercy, From Atomic, Surma, Corsage e Paul Oak – que oferecem reinterpretações vibrantes de hinos do rock, pop e indie, adicionando novas perspetivas a canções que marcaram gerações. O single de apresentação, uma versão eletrizante de "My Friend Jack", originalmente dos britânicos The Smoke, por Paul Oak, já demonstra a profundidade criativa do projeto.
Um Legado Radiofónico e a Paixão pelas Versões
Este novo volume surge na sequência do sucesso assinalável do seu antecessor, lançado em 2021, que compilou as primeiras sessões gravadas para o programa "Cover de Bruxelas". O projeto é uma extensão do programa homónimo, um pilar da Rádio Universidade de Coimbra (RUC), que desde 1995 se dedica integralmente à celebração das versões musicais. A iniciativa nasceu da paixão partilhada por Rui Ferreira e José Braga, que juntos deram vida a este espaço radiofónico.
Inspirado pelos tempos em que Rui Ferreira apresentava "Os Últimos Dias do Vinil", o programa "Cover de Bruxelas" foi concebido com a intenção de revisitar, reciclar e reutilizar sonoridades. Esta filosofia está patente no seu lema atual: "Cover de Bruxelas, o programa dos três érres da sustentabilidade sonora: revisitar, reciclar e reutilizar. Cover de Bruxelas, um programa amigo do ambiente sonoro". Desde a estreia, Rui Ferreira, também produtor executivo do CD, tem desafiado artistas a criar versões exclusivas para o programa, demonstrando que uma cover transcende a mera cópia, estabelecendo um diálogo profundo com a obra original.
Do Estúdio à Essência: Artistas Reimaginam Clássicos
O "Volume 2" do CD mantém esta visão, apresentando uma coleção de temas que sublinham a capacidade das versões de transformar o familiar em algo inesperado. Entre as faixas, destacam-se as reinterpretações de John Mercy para "Primitive", "Needs of Flesh" e "Nothing to Lose", que ganham uma nova roupagem sonora. O disco inclui também versões emblemáticas de From Atomic, como "I’m in Love With a German Filmstar" e "Dream Baby Dream", que prometem surpreender os ouvintes.
As contribuições de Surma, Corsage e Paul Oak enriquecem ainda mais o álbum, com releituras surpreendentes que incluem, além da já referida "My Friend Jack", uma nova abordagem a "Sunny Afternoon". Cada faixa é uma prova de como uma cover pode abrir novas perspetivas sobre canções amplamente conhecidas, revelando camadas de significado que se chocam e se amplificam. Este é um trabalho que realça a força criativa inerente à música, mesmo quando revisitada.
A produção executiva do "Cover de Bruxelas Sessions, Volume 2" esteve a cargo de Rui Ferreira, com a masterização assegurada por João Rui e o grafismo desenvolvido por Toni Fortuna. O disco estará disponível em formato físico e digital a partir desta sexta-feira, 6 de março, dando continuidade à missão do programa e do produtor de demonstrar que a música, mesmo quando reciclada, nunca perde a sua vitalidade. Para Rui Ferreira, "cada canção emerge de um conjunto de condições sociais e materiais; o mesmo acontece com cada intérprete. As versões que reunimos no Volume 2 são a prova de que reinterpretar é descobrir novas verdades na música".
Perspetiva
O lançamento do "Cover de Bruxelas Sessions, Volume 2" é um marco importante na cena cultural portuguesa, sublinhando a riqueza da reinterpretação musical e o talento dos artistas nacionais. Este projeto não só celebra a história da música, mas também a projeta para o futuro, ao mostrar como clássicos podem ser revitalizados e apresentados a novas gerações através de lentes contemporâneas. Ao dar palco a estas versões, o projeto fomenta um diálogo cultural contínuo, onde o passado e o presente se encontram para criar algo original e relevante.
A iniciativa de Rui Ferreira e José Braga reafirma que a música é um organismo vivo, capaz de se adaptar e evoluir. Ao enfatizar os "três érres" da sustentabilidade sonora – revisitar, reciclar e reutilizar – o "Cover de Bruxelas" não só enriquece o património musical português, como também inspira uma nova forma de consumo e apreciação da arte. Este volume é um testemunho da paixão pela música e da crença de que a criatividade é um ciclo virtuoso, sempre em renovação.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 6 de março de 2026
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