Croz Boyce (Dave Portner & Brian Weitz dos Animal Collective) anunciam disco de estreia
A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.
Redação PORTA B
12 de março de 2026

Metades dos Animal Collective Revelam Croz Boyce: Uma Nova Viagem Sonora Instrumental
Dave Portner (Avey Tare) e Brian Weitz (Geologist), figuras incontornáveis do experimentalismo dos Animal Collective, anunciam a formação de Croz Boyce, um novo projeto instrumental que promete redefinir as suas paisagens sonoras. O álbum de estreia, homónimo, será lançado a 8 de maio pela Domino, e o primeiro vislumbre desta jornada já está disponível através do single “Hanging Out With a Blueberry Pop”. Este trabalho marca uma exploração aprofundada da colaboração entre os dois artistas, prometendo uma experiência auditiva única e imersiva.
A Génese de uma Colaboração a Distância
A história de Croz Boyce remonta a 2023, nascendo do desejo de Portner e Weitz de aprofundar uma parceria criativa que já havia dado frutos. A semente foi plantada em 2019, durante a colaboração em “Brown Thrasher”, um tema que revelou a química musical e a complementaridade entre os dois. A partir daí, a ideia de um projeto mais robusto e dedicado começou a ganhar forma, impulsionada por uma vontade mútua de explorar novas texturas e dinâmicas sonoras.
O processo de criação do álbum foi notavelmente orgânico e, em grande parte, remoto, espelhando a realidade geográfica dos seus intervenientes. Portner, a partir da Carolina do Norte, iniciou a construção dos temas com a guitarra, enviando as suas ideias para Weitz, sediado em Washington D.C., que por sua vez respondia com camadas eletrónicas densas e atmosféricas. Todo o disco foi meticulosamente construído nesta dinâmica de correspondência musical, com apenas duas sessões presenciais dedicadas à mistura, sublinhando a eficácia e a liberdade criativa que a distância lhes proporcionou.
A Arquitetura Sonora de Croz Boyce
O álbum de estreia de Croz Boyce é uma viagem compacta de 40 minutos, distribuída por nove faixas que tecem uma tapeçaria sonora rica e multifacetada. A sonoridade do projeto carateriza-se pela fusão harmoniosa de cordas acústicas e elétricas, sintetizadores expansivos e uma percussão inovadora, criando ambientes que são simultaneamente familiares e profundamente exploratórios. A produção contou ainda com a mestria de Josh Dibb (Deakin), outro membro dos Animal Collective, responsável pela mistura, enquanto a masterização ficou a cargo de Taylor Deupree, garantindo uma qualidade sonora impecável.
O single de apresentação, “Hanging Out With a Blueberry Pop”, já disponível, oferece uma amostra cativante do que o projeto tem para oferecer. A faixa é acompanhada por um vídeo envolvente, realizado pelo explorador e cineasta Joseph Ricketts, que complementa a dimensão sonora com uma estética visual singular. Esta primeira peça não só revela a direção musical de Croz Boyce mas também estabelece um universo onde o experimentalismo encontra a beleza melódica.
A escolha do nome Croz Boyce carrega consigo uma história peculiar e um simbolismo profundo. A designação teve origem numa pasta do Dropbox chamada “Croz Boys”, uma referência afetuosa a David Crosby. Mais do que uma simples homenagem, o nome acabou por encapsular a essência do projeto: a alegria descomprometida de criar música com amigos, independentemente das barreiras geográficas, celebrando a camaradagem e a paixão partilhada pela arte sonora.
Perspetiva
Em Portugal, onde a obra dos Animal Collective é amplamente celebrada pela sua inovação e capacidade de desafiar convenções, o anúncio de Croz Boyce promete ser recebido com grande entusiasmo. A comunidade musical portuguesa, reconhecida pela sua abertura a sonoridades experimentais e vanguardistas, encontrará neste novo projeto uma fonte de inspiração e um novo ponto de diálogo. A liberdade instrumental e a abordagem colaborativa de Portner e Weitz podem, inclusive, reverberar junto de artistas locais, incentivando novas formas de criação e partilha musical.
A chegada de Croz Boyce ao panorama musical nacional não é apenas mais um lançamento; é um evento cultural que reforça a vitalidade da música independente e a capacidade de artistas consagrados de se reinventarem. Para os fãs de longa data e para os novos ouvintes, representa uma oportunidade de mergulhar em paisagens sonoras inéditas, desenhadas por mentes que continuam a moldar o futuro da música contemporânea, consolidando a presença de Portugal no mapa das tendências musicais globais.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 12 de março de 2026
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