MÚSICA

Croz Boyce (Dave Portner & Brian Weitz dos Animal Collective) anunciam disco de estreia

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

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Redação PORTA B

12 de março de 2026

4 min de leitura|33 leituras
Croz Boyce (Dave Portner & Brian Weitz dos Animal Collective) anunciam disco de estreia

Croz Boyce: Uma Nova Odisseia Instrumental de Avey Tare e Geologist dos Animal Collective

Dave Portner (conhecido como Avey Tare) e Brian Weitz (Geologist), figuras incontornáveis dos Animal Collective, revelam Croz Boyce, o seu novo projeto instrumental. O álbum de estreia homónimo, que promete uma viagem sonora de quarenta minutos por nove faixas inovadoras, será lançado a 8 de maio e o primeiro single, “Hanging Out With a Blueberry Pop”, já se encontra disponível para audição.

Génese de uma Parceria Distante e Profunda

A génese de Croz Boyce remonta a 2023, nascendo do desejo de Portner e Weitz de aprofundar uma colaboração que já tinha dado frutos em 2019, com a faixa "Brown Thrasher". Essa experiência inicial despertou nos músicos a vontade de explorar um território musical mais vasto e inteiramente instrumental, longe das dinâmicas habituais dos Animal Collective. O projeto solidifica uma amizade e uma sinergia criativa que transcende a distância geográfica.

O nome peculiar, Croz Boyce, tem uma origem simples e afetuosa: surgiu de uma pasta partilhada no Dropbox intitulada "Croz Boys", uma referência a David Crosby. Mais do que uma mera designação, o nome acabou por encapsular a essência do projeto: a pura alegria de criar música com amigos, independentemente dos quilómetros que os separam, um testemunho da capacidade da arte de unir e inspirar.

A Arquitetura Sonora de Croz Boyce: De Carolina do Norte a Washington D.C.

O processo criativo por trás do álbum Croz Boyce destaca-se pela sua metodologia inovadora e colaboração remota. Dave Portner iniciava a criação na Carolina do Norte, desenvolvendo temas de guitarra que, de seguida, eram enviados a Brian Weitz em Washington D.C. Este, por sua vez, respondia com camadas eletrónicas, construindo uma tapeçaria sonora complexa e envolvente. Todo o disco foi concebido através deste intercâmbio digital, com apenas duas sessões presenciais dedicadas à mistura, sublinhando a fluidez e a eficácia desta abordagem à distância.

O álbum de estreia apresenta nove faixas que se entrelaçam numa fusão orgânica de cordas acústicas e elétricas, sintetizadores atmosféricos e uma percussão subtil. A sonoridade de Croz Boyce é uma exploração rica e texturada, prometendo uma experiência imersiva ao ouvinte. A mistura do disco ficou a cargo de Josh Dibb (Deakin), outro membro dos Animal Collective, enquanto a masterização foi assinada por Taylor Deupree, garantindo uma qualidade sonora impecável. A edição do álbum será feita pela reconhecida editora Domino.

Para antecipar o lançamento, o primeiro single, “Hanging Out With a Blueberry Pop”, já está disponível, oferecendo um vislumbre da paisagem sonora que o projeto propõe. Acompanha o tema um vídeo envolvente, realizado pelo explorador e cineasta Joseph Ricketts, que complementa visualmente a atmosfera experimental e exploratória da música.

Perspetiva

A chegada de Croz Boyce ao panorama musical representa um momento significativo para os apreciadores de música experimental e independente em Portugal. Dada a vasta e dedicada base de fãs dos Animal Collective no país, este novo projeto instrumental dos seus membros fundadores é aguardado com particular entusiasmo. Portner e Weitz têm um historial de desafiar convenções e explorar novas fronteiras sonoras, o que ressoa profundamente com o público e os artistas que acompanham a linha editorial da PORTA B.

Este disco instrumental tem o potencial de influenciar a cena musical portuguesa, incentivando a experimentação e a colaboração em formatos não convencionais. Croz Boyce não é apenas um álbum; é uma demonstração de como a criatividade e a amizade podem superar barreiras físicas, oferecendo uma lufada de ar fresco num cenário cultural que valoriza a inovação. A sua sonoridade única, que mistura elementos acústicos e eletrónicos, poderá inspirar novos projetos e expandir os horizontes auditivos, confirmando o lugar de Portugal como um recetáculo atento às novas tendências da música global.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 12 de março de 2026

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