MÚSICA

De London a Lisboa, Real GUNS não abranda e fecha mais um ciclo de música nova

Real GUNS destaca-se em 2026 com quatro lançamentos marcantes, incluindo os EPs "London" e "Lisboa", que narram a sua jornada no rap crioulo.

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Redação PORTA B

23 de março de 2026

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De London a Lisboa, Real GUNS não abranda e fecha mais um ciclo de música nova

De London a Lisboa, Real GUNS não abranda e fecha novo ciclo de música

Nos trilhos do hip-hop nacional, há nomes que se destacam não apenas pela consistência, mas também pela inovação e pela capacidade de transformar vivências pessoais em arte. Real GUNS, alter ego de Ovilton Santiago, volta a provar que é um desses nomes incontornáveis. Em apenas três meses, o rapper crioulo lançou quatro novos trabalhos: o álbum duplo SOG e os EP London e Lisboa. Este último, apresentado publicamente no dia de hoje, marca o encerramento de um ciclo onde a introspecção e o regresso às origens são os pontos cardeais.

Um ano de afirmação e intensidade criativa

Para Real GUNS, a máxima "quantidade não significa qualidade" parece ser apenas mais um desafio a ultrapassar. 2026 começou com a edição de SOG, um projeto ambicioso em dois volumes que demonstrou, desde logo, a sua capacidade de entregar um trabalho coeso e conceptual em grande escala. Contudo, o rapper não se ficou por aí. Com os EP London e Lisboa, lançados de surpresa nas últimas semanas, Real GUNS ofereceu ao público um vislumbre mais pessoal e profundo da sua jornada enquanto artista e ser humano.

London, o primeiro dos dois EP, serve como ponto de partida para uma viagem musical e emocional enraizada na passagem de Ovilton Santiago pelo Reino Unido, onde encontrou o ponto de ignição para a sua paixão pelo rap. Já Lisboa fecha o círculo, trazendo a narrativa de regresso à capital portuguesa, cidade que viu Real GUNS crescer e onde o seu nome começou a ganhar espaço no panorama musical nacional.

Lisboa: o regresso ao início

Em Lisboa, composto por quatro faixas inéditas, Real GUNS assume um tom mais maduro, mas igualmente cru e visceral. Não faltam referências à vida quotidiana, às agruras da juventude e à luta por afirmação num mundo que nem sempre acolhe com braços abertos quem decide remar contra a corrente. A lírica é, como sempre, marcada pela honestidade desarmante do autor, que transforma vivências pessoais em hinos universais de resiliência.

O EP conta ainda com momentos de forte carga emocional, como a homenagem ao falecido Betto Di Ghetto, um nome histórico para a comunidade hip-hop e um dos pioneiros do rap crioulo em Portugal. Há também espaço para a colaboração com General Mucuemba, parceiro habitual de Real GUNS e um nome incontornável no percurso do artista.

A força do rap crioulo

Se há algo que distingue Real GUNS da maioria dos seus pares, é o seu compromisso com a autenticidade. A escolha do crioulo como idioma principal do seu rap não é apenas uma questão de identidade cultural, mas também uma afirmação de resistência e um tributo às suas raízes. O crioulo, nas rimas de Real GUNS, deixa de ser apenas um idioma e torna-se uma ferramenta de expressão carregada de força e emoção.

A dualidade entre London e Lisboa espelha o percurso de vida do artista: de um jovem emigrante que encontrou no rap uma forma de comunicar a sua vivência no Reino Unido, até ao homem que regressa à cidade que moldou o seu carácter. Este trajeto torna-se ainda mais poderoso quando narrado em crioulo, um idioma que carrega a memória e a história de várias gerações.

Apresentação ao vivo no SOG Radio Show

Para coroar este ciclo de lançamentos, Real GUNS escolheu apresentar Lisboa ao vivo no SOG Radio Show, um espaço que se tem tornado um ponto de encontro para as vozes mais autênticas do hip-hop. O programa especial, transmitido simultaneamente entre Londres e Lisboa, reflete o próprio conceito do EP e é um exemplo perfeito da forma como o artista funde música e narrativa para criar algo único.

Com o mesmo fuso horário a unir as duas cidades que marcam as suas raízes e a sua trajetória artística, Real GUNS promete uma performance íntima e desprovida de artifícios, tal como já habituou o seu público. Esta será, sem dúvida, uma oportunidade única para os fãs testemunharem de perto a entrega emocional e lírica de um dos nomes mais relevantes do hip-hop nacional.

Um futuro promissor

Com quatro lançamentos em apenas três meses, Real GUNS prova que não é apenas prolífico, mas também um dos artistas mais consistentes e inovadores do panorama musical português. Lisboa não é apenas o encerramento de um ciclo criativo; é também um novo ponto de partida para um artista que continua a reinventar-se, sem nunca perder de vista as suas origens e convicções.

A pergunta que se impõe agora é: que surpresas nos reservará Real GUNS para o resto de 2026? Se o início do ano serve de indicação, o futuro promete ser tão vibrante quanto os caminhos que ligam London a Lisboa.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 23 de março de 2026

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