Em julho o ponto de encontro do costume acontece em Ovar: O Festa
A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.
Redação PORTA B
30 de junho de 2026

Ovar Transforma-se em Ponto de Encontro Lusófono com o Regresso do Festa
O Parque Urbano de Ovar prepara-se para acolher, nos dias 10 e 11 de julho, o regresso do Festa – Sons da Lusofonia, um evento que promete dois dias intensos de música, cultura e celebração da diversidade linguística e artística dos países de língua portuguesa. Com uma programação que abrange três palcos e doze propostas musicais, o festival volta a cruzar geografias e gerações, afirmando-se como um espaço de encontro e partilha para toda a comunidade. Este ano, o evento reforça a sua aposta em experiências participativas e no envolvimento local, consolidando a sua identidade diferenciadora.
Uma Celebração da Identidade e da Diversidade Cultural
O Festa transcende a mera apresentação de concertos, posicionando-se como um verdadeiro convite à vivência partilhada da cultura. A sua essência reside na criação de um espaço onde a natureza se encontra com a arte e a comunidade, promovendo a presença, a participação e a diversidade. Este ponto de encontro visa unir amigos, famílias e comunidades, transformando a cultura numa experiência coletiva e memorável, onde a música toca, a palavra voa e o tempo é vivido em plena diversidade.
O presidente da Câmara Municipal de Ovar, Domingos Silva, descreve o Festa como o espelho da programação cultural do município, sublinhando o seu foco em proporcionar vivências únicas ao público, profundamente enraizadas no território e na sua identidade. Silva destaca o crescimento notável do evento, que se consolidou como uma marca forte, muito além de um simples alinhamento de espetáculos. Para ele, o festival é um convite a abrandar e desfrutar, a participar ativamente, tornando-se uma tradição para todos, com ofertas envolventes como o Lugar das Infâncias e o Espaço Conversas.
Cartaz Musical que Cruza Continentes e Gerações
A programação musical do Festa oferece doze momentos distintos, pensados para dançar com os pés na relva ou para uma audição mais contemplativa, numa manta aos quadrados onde cabe sempre mais um. A noite de 10 de julho será protagonizada por duas das vozes mais marcantes da atualidade portuguesa. Bárbara Bandeira apresentará "Lusa: ato II", a segunda parte de um novo ciclo artístico que assinala uma evolução na sua sonoridade, enquanto Blaya trará "ARRAIÁ.L", um trabalho que funde as festividades populares portuguesas e brasileiras. Os concertos estão agendados para as 21h30 e 23h30, respetivamente.
No dia 11 de julho, a noite culmina com a atuação de António Zambujo, que subirá ao palco às 21h30 para apresentar o seu décimo primeiro álbum de originais, "Oração ao Tempo". Contudo, o dia reserva muito mais antes do pôr do sol, com uma série de concertos que promovem a ligação entre diferentes geografias e sonoridades da lusofonia.
A abrir o Festa no dia 10 de julho, às 18h00, Ossn apresentará um live act imersivo, combinando fragmentos de memória, ecos cabo-verdianos e ritmos hipnóticos. Logo de seguida, às 19h00, destaca-se um concerto com forte dimensão comunitária: Daniela Pereira Cristo junta-se a um coro local, composto por elementos do Canto Décimo, Cáster Antiqua e As Suspiro, e ao grupo de cordofones do Grupo Folclórico As Tricanas de Ovar. Este projeto, que explora uma abordagem contemporânea da música de raiz portuguesa, exemplifica o envolvimento e a partilha com coletividades locais, reforçando a identidade do festival. No sábado, 11 de julho, a tarde será preenchida com Lucas Santtana, que às 16h00 celebra a língua portuguesa com "Brasiliano", seguido por Cheny Wa Gune às 17h00, que cruza a tradição da timbila moçambicana com sonoridades contemporâneas do afro-pop. Às 18h00, o projeto "Do Cabo do Mundo" recria a obra de Fausto Bordalo Dias, reunindo artistas imigrantes residentes em Portugal.
Perspetiva
O Festa – Sons da Lusofonia em Ovar não é apenas um festival de verão; é um laboratório cultural que espelha a riqueza e a complexidade da identidade lusófona no século XXI. Ao trazer para o mesmo palco artistas de diferentes gerações e geografias, e ao promover a fusão de sonoridades tradicionais com abordagens contemporâneas, o evento contribui ativamente para a renovação e valorização da música e da cultura de língua portuguesa em Portugal.
A aposta na participação comunitária, através de projetos como o de Daniela Pereira Cristo com coletividades locais, e a criação de espaços de diálogo e de programação para crianças e famílias, reforçam o papel do Festa como um modelo de inclusão cultural. Este compromisso com a diversidade e a partilha assegura que o evento se mantenha relevante, não só como celebração artística, mas também como um motor de coesão social e de memória coletiva, consolidando Ovar como um epicentro cultural vibrante no panorama nacional.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 30 de junho de 2026
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