MÚSICA

Entre setembro e dezembro, mais de 40 propostas entre teatro, música, cinema e humor no Teatro Variedades e Capitólio

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

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Redação PORTA B

5 de agosto de 2026

5 min de leitura|2 leituras
Entre setembro e dezembro, mais de 40 propostas entre teatro, música, cinema e humor no Teatro Variedades e Capitólio

Eixo Cultural do Parque Mayer Vibra com Programação Multifacetada de Setembro a Dezembro

O Parque Mayer consolida a sua posição como um dos mais vibrantes polos culturais de Lisboa, com o Teatro Variedades e o Capitólio a apresentarem um roteiro artístico diversificado para os próximos meses. Entre setembro e dezembro, a programação dos dois espaços soma mais de quarenta propostas que atravessam o teatro, a música, a ópera, o cinema, a dança e o humor, prometendo dialogar com uma vasta gama de públicos.

Parque Mayer Afirma-se como Coração da Cultura Lisboeta

Os icónicos espaços do Parque Mayer, o Teatro Variedades e o Capitólio, têm vindo a desenhar uma estratégia que aposta na pluralidade das expressões artísticas. Esta abordagem visa não só revitalizar um ponto nevrálgico da cultura lisboeta, mas também garantir que a oferta cultural seja acessível e apelativa a diferentes gerações e gostos. A diversidade é a palavra de ordem, com um calendário que reflete a ambição de transformar o Parque Mayer num ponto de encontro para a cultura contemporânea e clássica.

A linha de programação delineada para o último quadrimestre do ano sublinha esta visão, apresentando um leque abrangente de eventos. Desde produções teatrais de grande envergadura a propostas musicais inovadoras, passando por ciclos de cinema e debates literários, o objetivo é criar uma experiência cultural contínua e imersiva, que convida o público a explorar e a interagir com a arte em suas múltiplas formas.

Destaques da Temporada Artística no Variedades e Capitólio

A temporada de outono no Teatro Variedades arranca a 2 de setembro com a estreia de Lote 19 – Felicidade por Metro Quadrado. Esta produção da Companhia da Esquina é uma adaptação e encenação de Jorge Gomes Ribeiro do aclamado romance Quando as Girafas Baixam o Pescoço, de Sandro William Junqueira. O elenco conta com nomes sonantes como Paula Neves, André Nunes, Ângelo Torres, e Carla Chambel, prometendo um início de temporada de elevado calibre. A 17 de setembro, o palco do Variedades recebe Pigmalião, a primeira ópera contemporânea portuguesa a ser apresentada neste teatro. Esta é também a primeira produção da Plataforma Cultural, uma nova estrutura dedicada à criação artística contemporânea, que reinventa o mito clássico numa leitura distópica que fusiona ópera, eletrónica e teatro visual.

A 30 de setembro, é a vez de Imitação dos Pássaros, onde Tiago Torres da Silva explora a vertigem do mundo atual, a solidão das diferentes gerações e os conflitos intergeracionais, com Lídia Franco, Baltasar Marçal, e Tiago Fernandes no elenco. A 12 de novembro, sobe à cena Closer, de Patrick Marber, com encenação de Ricardo Neves-Neves e interpretação de Helena Caldeira, Ivo Canelas, Sissi Martins e Vítor Silva Costa, um retrato sem rodeios do desejo, da traição e da dificuldade de amar. Em dezembro, o Teatro Variedades entra no espírito natalício com a chegada a Lisboa do musical White Christmas, assinado por Henrique e Nuno Feist. O projeto Como um dia de domingo, da Mãe Jerico, desafia artistas a performances criativas e inesperadas baseadas num texto, um poema e o nome de uma rua. Este formato único, onde o público também é personagem, acontece a 19 de outubro e 16 de novembro no Teatro Variedades, e a 15 de dezembro no Capitólio.

O Clube de Leitura do Teatro Variedades regressa com uma programação dedicada à exploração e reflexão sobre a escrita e a criação teatral. Coordenada pela escritora Isabel Milhanas Machado, em colaboração com as Bibliotecas Municipais de Lisboa, a iniciativa propõe ler, conversar e partilhar perspetivas sobre autores e obras. Entre setembro e dezembro, as sessões abordarão a obra de Sandro William Junqueira (7 de setembro), a escrita íntima a partir de Acabar em Beleza de Mohamed El Khatib (12 de outubro), o universo literário de Nathalie Sarraute (9 de novembro) e o teatro de Georg Büchner, com foco em Woyzeck (14 de dezembro). A celebração do centenário do Teatro Variedades prossegue com a exposição Um Lugar Chamado Variedades, patente até agosto de 2027, que agora inclui visitas guiadas pelos seus curadores. A partir de setembro, serão também realizadas visitas guiadas ao próprio edifício do Teatro Variedades, revelando os seus bastidores, arquitetura e os espaços que marcam a sua nova vida. O ciclo Há Jazz no Parque Mayer! continua, transitando do terraço do Capitólio para o lounge do Teatro Variedades, mantendo a entrada livre e a curadoria do Hot Clube Portugal, para trazer regularmente o jazz ao coração do Parque Mayer. No Capitólio, setembro é o último mês do Cinecapitólio Rooftop, que apresenta um ciclo dedicado ao realizador Martin Scorsese, além de títulos como Pulp Fiction, Sacanas sem Lei, e Thelma & Louise.

Perspetiva

A vasta e diversificada programação apresentada pelo Teatro Variedades e pelo Capitólio para os próximos meses é um claro indicador da vitalidade cultural de Lisboa e do empenho em democratizar o acesso à arte. Ao cruzar géneros tão distintos como a ópera contemporânea, o teatro clássico, os musicais e o cinema de autor, os espaços do Parque Mayer afirmam-se como catalisadores de novas experiências, capazes de atrair públicos heterogéneos e de fomentar a curiosidade cultural.

Esta aposta na pluralidade e na qualidade não só enriquece o panorama cultural português, mas também posiciona o Parque Mayer como um hub de inovação e tradição, onde o passado glorioso dos seus palcos se encontra com as mais recentes tendências artísticas. A inclusão de iniciativas como o clube de leitura, as visitas guiadas e os eventos de jazz com entrada livre demonstra um compromisso com a formação de público e com a criação de um ambiente cultural dinâmico e participativo, contribuindo significativamente para o impacto e a relevância da cultura na vida da cidade.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 5 de agosto de 2026

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