Feira do Livro do Porto apresenta ciclo de concertos na Concha Acústica
A cena musical portuguesa prepara-se para mais um momento marcante. A PORTA B analisa o evento e o seu impacto cultural.
Redação PORTA B
6 de agosto de 2026

A Concha Acústica do Porto Transforma Finais de Tarde em Palco de Encontros Inesperados
Os Jardins do Palácio de Cristal, coração pulsante da Feira do Livro do Porto, preparam-se para acolher um ciclo de 17 concertos que promete prolongar o espírito literário e cultural da cidade. Durante dezassete dias, entre 21 de agosto e 6 de setembro, a Concha Acústica será o epicentro de encontros musicais ao final da tarde, quando os livros começam a recolher e os jardins ganham outro ritmo. Às 19 horas, artistas de várias gerações e estilos subirão ao palco, numa programação cuidadosamente desenhada para este emblemático festival.
Música e Literatura: Uma Confluência Artística nos Jardins do Palácio
A 13.ª edição do festival literário do Porto não se limita à palavra escrita, integrando a música como um elemento fundamental na sua programação. A iniciativa visa criar um novo ponto de encontro diário, transformando cada final de tarde numa celebração artística que complementa a atmosfera da Feira do Livro. Este ciclo de concertos foi concebido para valorizar o formato intimista, onde a palavra e as canções ganham um protagonismo especial, ressoando com o ambiente literário envolvente.
A escolha de artistas de diferentes percursos e gerações sublinha a intenção de oferecer um panorama diversificado da música portuguesa. A fusão de talentos emergentes com nomes consagrados promete momentos únicos, muitos deles resultantes de colaborações inéditas e pensadas especificamente para este palco. É uma aposta clara na diversidade e na criação de experiências memoráveis para o público que visita a Feira.
Um Calendário de Estreias e Cruzamentos Artísticos
O ciclo inaugural acontece a 21 de agosto, com a presença de Manuela Azevedo e Hélder Gonçalves, figuras incontornáveis da música nacional, conhecidos pelo seu trabalho nos Clã. No dia seguinte, a Concha Acústica recebe Os Comuns, projeto que reúne Caio, A Sul e o pianista e compositor António Reis, seguindo-se Janeiro, a 23 de agosto, que convida Tatanka para apresentar temas do seu próximo disco. A 24 de agosto, a programação destaca a estreia em palcos nacionais da dupla Catarina Branco e Éme (alter-ego de João Marcelo), enquanto Malva, projeto de Carolina Viana, e a guitarrista Beatriz Madruga, encerram a primeira semana a 25 de agosto, num encontro entre duas das personalidades emergentes da música portuguesa.
A diversidade de linguagens artísticas continua a marcar o ciclo. A 26 de agosto, Raquel Martins e Sebastián Mayor trazem influências musicais que atravessam Portugal, a Argentina, Inglaterra e Espanha. No dia seguinte, S PEDRO e Elisa propõem um diálogo musical pautado pela simplicidade e sonoridades pop. A 28 de agosto, a aposta na nova criação nacional é reforçada com a presença de ZARKO e Latte, dois nomes emergentes da cena portuguesa. O último domingo de agosto, dia 30, será encerrado por Mimi Froes e Miguel Marôco, num encontro concebido especificamente para a Concha Acústica, mantendo o espírito intimista que percorre toda a programação.
A última semana da Feira, que se inicia a 31 de agosto, conta com Afonso Cabral e Francisca Cortesão. A 1 de setembro, o palco recebe Osso Vaidoso, projeto de Ana Deus, Alexandre Soares e Eleonor Picas, que cruza música e poesia. Miramar, de Frankie Chavez e Peixe, convida o percussionista António Serginho a 2 de setembro, para um percurso feito de memórias e improvisação, numa ode à génese da criação artística. Os concertos de João Só e Tiago Nogueira, a 3 de setembro, Almo e Júlio Resende, no dia 4, e Maré Alta 2.0, um coro instantâneo e coletivo da cidade do Porto, conduzem a programação até ao concerto de encerramento. O ciclo culmina a 6 de setembro com Lena d'Água, que convida Benjamim para um espetáculo criado especialmente para a Feira, revisitando cinco décadas de uma das carreiras mais marcantes da música portuguesa.
Perspetiva
A iniciativa de integrar um ciclo de concertos tão robusto e diversificado na programação da Feira do Livro do Porto reflete uma visão alargada da cultura, onde as fronteiras entre as artes se esbatem para criar experiências mais ricas e imersivas. Ao transformar a Concha Acústica num palco diário para encontros musicais, a Feira não só prolonga o seu apelo para além do universo literário, como também oferece uma plataforma vital para a música portuguesa, desde os talentos emergentes aos nomes já estabelecidos.
Esta aposta em cruzamentos artísticos e em formatos intimistas é um testemunho da dinâmica cultural do Porto e da capacidade do país em reinventar os seus espaços e eventos. O ciclo de concertos da Feira do Livro projeta-se, assim, como um momento de celebração e descoberta, consolidando a ideia de que a cultura floresce na intersecção de diferentes expressões artísticas, criando um impacto significativo no panorama cultural português.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 6 de agosto de 2026
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