Fidju Kitxora lança novo álbum "Ti Manxe"
Fidju Kitxora lança o álbum "Ti Manxe", inspirado na vida cabo-verdiana e gravado entre ilhas do arquipélago, disponível a partir de 29 de abril.
Redação PORTA B
29 de abril de 2026

Fidju Kitxora lança novo álbum “Ti Manxe”
Fidju Kitxora, um dos nomes mais promissores da música contemporânea de Cabo Verde, lança hoje, 29 de abril, o seu novo álbum intitulado Ti Manxe. Disponível em todas as plataformas digitais, o terceiro disco de estúdio do artista propõe-se a ser uma viagem imersiva pelas vivências, memórias e tensões sociais que permeiam tanto as ilhas do arquipélago cabo-verdiano como as comunidades da sua diáspora.
Gravado entre as ilhas de São Nicolau, São Vicente e Santiago, Ti Manxe é o resultado de um processo criativo que combina música tradicional com elementos contemporâneos, explorando as raízes culturais de Cabo Verde através de uma lente sensível e inovadora. O título do álbum, que em criolo pode ser traduzido como “até amanhecer”, reflecte o espírito de continuidade e resistência presente nas temáticas abordadas ao longo do trabalho.
Uma viagem de histórias e sons
Fiel à sua abordagem documental à música, Fidju Kitxora não se limitou a compor canções. O artista mergulhou numa investigação musical e antropológica, recolhendo histórias de vida, gravando sons do quotidiano e participando em conversas com diferentes gerações de cabo-verdianos. O resultado é um álbum que, mais do que um registo musical, se apresenta como um mosaico vivo da realidade cabo-verdiana.
Cada faixa de Ti Manxe é tecida com texturas sonoras que combinam instrumentos tradicionais — como o cavaquinho e a gaita — com uma produção moderna, marcada por batidas electrónicas subtis mas impactantes. O disco também faz uso de gravações de campo, que incluem desde o som de mercados locais em Santiago até ao murmúrio das ondas em São Vicente, criando um ambiente sonoro que transporta o ouvinte para o coração das ilhas. Este recurso às camadas auditivas sublinha a intenção do artista: revelar o que muitas vezes está escondido ou ignorado no frenesim do dia a dia.
"Ti Manxe é sobre coexistência", explicou Fidju Kitxora numa entrevista recente. "É um diálogo entre passado e presente, entre o que herdámos e aquilo que queremos criar. Mas também é uma celebração, uma resistência e um convite para ouvir o outro."
Uma agenda recheada de concertos
Para promover o novo trabalho, Fidju Kitxora já tem uma extensa agenda de concertos marcada para os próximos meses. Em Portugal, o músico passará por algumas das mais relevantes paragens do circuito cultural. A estreia está agendada para o dia 26 de junho em Fafe, seguindo-se actuações no Festival MED, em Loulé, no NOS Alive, em Oeiras, e no Bons Sons, em Cem Soldos.
No panorama internacional, Ti Manxe também será levado a palcos de relevo, como o Les Nuits Botaniques em Bruxelas, o Sakifo Festival na Ilha da Reunião, La Mar de Musica em Espanha, o Ozora Festival na Hungria e o Ariano Folk Festival em Itália. Estes eventos, que vão de festivais de música alternativa a celebrações da world music, são o retrato perfeito da versatilidade artística de Fidju Kitxora e do seu apelo global.
Uma promessa cumprida
Fidju Kitxora já havia conquistado público e crítica com os seus trabalhos anteriores, mas Ti Manxe parece estar preparado para levar a sua música a um novo patamar. O álbum não só explora novas possibilidades sonoras como também solidifica a identidade do artista enquanto contador de histórias e cronista das realidades que atravessam Cabo Verde e a sua diáspora.
Combinando uma autenticidade inabalável com uma abordagem sonora inovadora, Fidju Kitxora não só honra as suas raízes como também as leva para o futuro. Ti Manxe é, sem dúvida, uma obra que merece ser escutada com atenção — e que promete marcar o ano de 2026 como um dos momentos altos da música lusófona.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 29 de abril de 2026
PORTA B — Perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.