“GEHENNA” é primeiro LP dos Fjords
Gehenna", disco de Fjords inspirado em Dante, explora a jornada interior do inferno em 4 faixas densas, desde a entrada guiada por Virgílio até à eventual saída.
Redação PORTA B
16 de fevereiro de 2026

Fjords Descortinam o Inferno Interior em "GEHENNA", o LP de Estreia
Os Fjords, banda já reconhecida no panorama musical português pela sua sonoridade densa e atmosférica, preparam-se para lançar "GEHENNA", o seu primeiro longa duração. O álbum, com edição marcada para esta segunda-feira, 16 de fevereiro, materializa-se em formato físico – CD e cassete – e promete levar o ouvinte numa viagem introspectiva e visceral, inspirada na complexa estrutura da "Divina Comédia" de Dante Alighieri.
A banda, que já havia demonstrado a sua capacidade criativa nos seus dois EP's anteriores, eleva agora a fasquia com um trabalho conceptualmente ambicioso. "GEHENNA" não é apenas um conjunto de canções; é uma banda sonora para uma jornada épica pelo labirinto da alma humana. O disco, composto por quatro faixas extensas e carregadas de intensidade, explora as profundezas do inferno, não como um lugar físico e externo, mas como um estado mental, um reflexo das nossas próprias angústias e demónios internos.
Uma Viagem Através dos Círculos do Ser
A narrativa sonora de "GEHENNA" inicia-se com "Virgílio", faixa que serve como portal de entrada para este universo dantesco. Tal como o poeta romano guia Dante na sua descida ao inferno, a música apresenta o ouvinte ao tom sombrio e reflexivo que irá dominar o resto da experiência. As restantes três faixas, "Inferno", "Purgatorio" e "Paradiso", representam as diferentes etapas da viagem do herói, cada uma mergulhando em temáticas profundas e perturbadoras.
"Inferno" é o coração pulsante do álbum. Dividida em nove partes distintas, a faixa acompanha Dante pelos nove círculos infernais, explorando os pecados e as punições que ali se encontram. A música reflete a angústia e o desespero inerentes a cada círculo, enquanto as letras, profundamente imersas na temática de cada patamar, exploram o julgamento, a culpa e a forma como as ações passadas podem moldar, ou destruir, o nosso futuro.
"Purgatorio" emerge como um momento de introspeção e redenção. A faixa, de caráter repetitivo e hipnótico, enfatiza a importância da autoconsciência e da necessidade de confrontar os erros do passado para alcançar a mudança e seguir em frente. É um apelo à responsabilidade individual e à busca pela purificação.
"Paradiso" encerra a jornada com uma reflexão ousada sobre a morte de Deus como conceito. A faixa questiona a crença cega em um ser superior e a ilusão da salvação divina, celebrando a força dos atos humanos e a capacidade de cada indivíduo de forjar o seu próprio destino. É uma declaração de independência e de fé no potencial humano.
Uma Produção Impecável
"GEHENNA" não se destaca apenas pela sua complexidade conceptual e pela sua intensidade emocional. A produção do álbum, a cargo da própria banda e com gravação e mistura a cargo de André Figueiredo, é igualmente notável. A masterização de João Pires (Hetta) confere ao disco uma sonoridade cristalina e poderosa, que realça a beleza e a agressividade da música.
Os singles "Purgatorio" e "Virgílio" serviram como amostra do que estava por vir, despertando a curiosidade dos fãs e da crítica especializada. Agora, com o lançamento iminente do álbum completo, os Fjords preparam-se para apresentar "GEHENNA" ao vivo, no dia 21 de fevereiro, na Cooperativa Mula, no Barreiro. Uma oportunidade única para testemunhar a intensidade e a profundidade desta obra ambiciosa e marcante.
Com "GEHENNA", os Fjords não apenas consolidam o seu lugar no panorama musical português, mas também demonstram a sua capacidade de criar arte que desafia, provoca e transcende as fronteiras do género. Um disco que, sem dúvida, ficará na memória de quem se atrever a embarcar nesta viagem ao inferno da alma.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 16 de fevereiro de 2026
PORTA B — Este artigo representa a perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.