MÚSICA

Gilsons apresentam novo disco em digressão mundial com paragem nos Coliseus de Lisboa e Porto

A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.

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Redação PORTA B

17 de maio de 2026

4 min de leitura|28 leituras
Gilsons apresentam novo disco em digressão mundial com paragem nos Coliseus de Lisboa e Porto

Gilsons: A Força da Luz e da Superação Desagua nos Coliseus de Lisboa e Porto

O aclamado trio brasileiro Gilsons, composto por José, João e Fran Gil, prepara o seu regresso a Portugal em outubro para apresentar o mais recente trabalho, "Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão". As datas já estão confirmadas para os dias 17 e 18 de outubro, nos emblemáticos Coliseu dos Recreios, em Lisboa, e Coliseu Porto Ageas, respetivamente, prometendo noites de profunda emoção e celebração musical.

De "Pra Gente Acordar" à Ambição Global

A banda consolidou a sua posição no panorama musical com o álbum de estreia, "Pra Gente Acordar", que lhes valeu o reconhecimento com nomeações para os prestigiados Grammy Latino e diversos prémios da música brasileira. Este sucesso inicial pavimentou o caminho para uma sonoridade distintiva que conquistou públicos e crítica.

Atualmente, os Gilsons encontram-se imersos numa ambiciosa digressão mundial que teve início no Brasil em abril. Esta jornada musical tem levado o trio a palcos internacionais em países tão diversos como a Dinamarca, Alemanha, Espanha, França, Nova Zelândia e Austrália, culminando em outubro com as aguardadas paragens em Portugal. A dimensão da tour sublinha a crescente projeção global da banda e a sua capacidade de transcender fronteiras culturais.

Um Legado de Afeto e Colaborações Históricas

O novo disco, "Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão", carrega uma densidade emocional singular, tendo sido concebido e gravado num período de profundo luto, após o falecimento de Preta Gil, mãe de Fran. O processo criativo do álbum transformou-se num caminho de cura coletiva para a família, refletindo-se numa sonoridade que habilmente equilibra a subtileza de elementos acústicos tradicionais com a energia pulsante de batidas eletrónicas, tudo sob a direção de produção de José Gil.

Este novo projeto é enriquecido por uma série de colaborações notáveis. O single "Minha Flor" destaca-se como um momento histórico, unindo três gerações da lendária família Veloso – com a participação de Caetano, Moreno e Tom Veloso, numa composição original de Arnaldo Antunes. Além disso, o tema "Bem Me Quer" renova a bem-sucedida parceria com Narcizinho Santos, o criador do fenómeno "Várias Queixas".

O álbum apresenta ainda outras participações de peso: em "Se a vida pede", os Gilsons contaram com a colaboração da instrumentista Sona Jobarteh, a primeira mulher proveniente das dinastias Griot da África Ocidental a profissionalizar-se na Kora. Já em "Nó na nuca", o trio convidou Julia Mestre, membro dos Bala Desejo, para dar o seu contributo. Os próprios Gilsons descrevem o disco como um exercício de "afirmar a luz sem negar a sombra", transformando um ano de luto num legado vibrante de afeto e celebração da vida.

Perspetiva

A chegada dos Gilsons a Portugal, com um álbum tão pessoal e transformador como "Eu vejo luz em maior proporção do que eu vejo a escuridão", é um evento de significado cultural profundo. O público português, que já demonstrou um carinho especial pela sua fusão de ritmos e mensagens, terá a oportunidade de testemunhar a evolução artística de um trio que se reinventa através da emoção, solidificando a sua ligação com os fãs em terras lusas.

Nos espetáculos ao vivo, o trio tem preparado uma viagem imersiva que promete transitar entre o novo repertório e os hinos que definiram a sua carreira. Será uma oportunidade de revisitar sucessos incontornáveis como "Várias Queixas", "Love Love", "Devagarinho" e "Deixa Fluir", enquanto se abraçam as novas composições que refletem um período de superação e esperança. A expectativa é de que estas atuações nos Coliseus sejam mais do que simples concertos, mas sim celebrações vibrantes da vida e da resiliência humana, ecoando a mensagem de luz que o trio tão bem encarna.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 17 de maio de 2026

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