Guimarães Jazz celebra 35 anos com várias estreias e produções próprias
A PORTA B traz análise aprofundada sobre os desenvolvimentos na cena cultural portuguesa.
Redação PORTA B
21 de julho de 2026

Guimarães Jazz: 35 Anos de Vanguarda e Estreias Marcantes em Guimarães
O Guimarães Jazz celebra em 2026 a sua 35.ª edição, consolidando a sua posição como um dos mais relevantes festivais de jazz em Portugal. De 12 a 21 de novembro, a cidade-berço transformar-se-á num ponto de encontro vibrante para 85 músicos, estudantes, profissionais e público, com uma programação intensa que inclui 12 concertos e uma série de iniciativas paralelas.
Uma Década Retrospectiva e um Olhar para o Futuro
A edição que assinala os 35 anos do festival reafirma a sua importância no panorama cultural nacional e internacional. Para além da celebração da efeméride, será lançado um novo livro que retrospectiva a última década do Guimarães Jazz, dando continuidade à documentação iniciada com a publicação "Novembro", que cobriu os primeiros 25 anos do evento. Esta iniciativa sublinha a memória e o legado de um festival que se reinventa a cada ano.
Mais do que uma simples comemoração, o Guimarães Jazz mantém o seu compromisso com uma programação voltada para o presente e para o futuro do género. O festival privilegia a descoberta artística, a diversidade de propostas e um acompanhamento atento dos processos criativos que moldam a evolução do jazz contemporâneo, garantindo que a sua oferta cultural se mantém relevante e estimulante.
Estreias de Peso e Produções Exclusivas Elevam a Edição
Um dos aspetos mais distintivos desta 35.ª edição é o elevado número de estreias em palco. Com a notável exceção do vocalista norte-americano Kurt Elling, que regressa a Guimarães no dia 21 de novembro acompanhado pela Orquestra Nacional de Jazz da Macedónia do Norte, sob a direção de Dzijan Emin, todos os restantes líderes de projeto apresentar-se-ão pela primeira vez nessa capacidade no festival.
Entre os nomes que farão a sua estreia como líderes destacam-se figuras influentes do jazz contemporâneo. O trompetista Peter Evans atua a 20 de novembro em quarteto com Joel Ross, Nick Jozwiak e Tyshawn Sorey, prometendo uma performance de grande impacto. O guitarrista Kurt Rosenwinkel, com uma ligação profunda a Portugal e cuja presença em Guimarães há muito se justificava, apresenta-se a 19 de novembro em quinteto, rodeado por um magnífico conjunto de músicos.
A 14 de novembro, o supergrupo feminino ARTEMIS, composto por cinco instrumentistas de excelência — Ingrid Jensen, Nicole Glover, Noriko Ueda, Allison Miller e a pianista Renee Rosnes, que também assume a direção musical — trará a sua visão única ao palco. Estes concertos no Grande Auditório do CCVF refletem a aposta contínua do festival na inovação e na curadoria de talentos emergentes e estabelecidos.
Paralelamente, o Guimarães Jazz reafirma a sua identidade através de produções próprias e projetos concebidos especificamente para o festival, garantindo espetáculos com características irrepetíveis. O histórico guitarrista e vocalista brasileiro Toninho Horta terá a responsabilidade de inaugurar o festival a 12 de novembro, apresentando-se em quarteto com a Orquestra de Guimarães. No dia seguinte, 13 de novembro, o compositor e pianista vimaranense Pedro Emanuel Pereira estreia o projeto "Beyond Miles", que contará com a participação de músicos portugueses de relevo, incluindo o acordeonista João Barradas.
As tradicionais parcerias com a ESMAE e a Porta-Jazz também se destacam neste campo das produções exclusivas. A 15 de novembro, a colaboração com a ESMAE será protagonizada por um quinteto nova-iorquino liderado pelo pianista Lex Korten, que inclui a vocalista argentino-alemã Sabeth Pérez. Este grupo será também responsável por conduzir as jam sessions e oficinas de jazz do festival. No mesmo dia, a parceria com a Porta-Jazz apresenta o projeto "Filigrana", um quarteto liderado pelo pianista Miguel Meirinhos e pela artista plástica Joana BC.
O programa desta 35.ª edição é complementado por dois concertos com intenções artísticas distintas. No primeiro sábado do festival, 14 de novembro, um trio formado por três importantes instrumentistas da cena musical de Chicago – Dave Rempis, Jason Adasiewicz e Chris Corsano – subirá ao palco com a sua abordagem pós-moderna ao jazz e à improvisação. No sábado da segunda semana, 21 de novembro, em parceria com a Sonoscopia, o compositor holandês Ernst Reijseger, um violoncelista original e idiossincrático, apresentará a sua prestigiada carreira e visão artística.
Perspetiva
O Guimarães Jazz, ao celebrar 35 anos com uma programação tão arrojada e diversificada, reafirma o seu papel central na dinamização cultural portuguesa e na projeção internacional do jazz. A presença de 57 músicos portugueses entre os 85 artistas envolvidos sublinha o compromisso do festival com o talento nacional, ao mesmo tempo que oferece uma plataforma de intercâmbio com grandes nomes da cena mundial.
Este festival não é apenas um evento musical; é um motor cultural que transforma Guimarães num polo de encontro, aprendizagem e evolução artística. A aposta em produções próprias e a curadoria de estreias significativas garantem que o Guimarães Jazz continua a ser um farol de inovação, contribuindo decisivamente para a vitalidade e o futuro do jazz em Portugal e além-fronteiras.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 21 de julho de 2026