Guimarães recebe festival europeu Spring Forward com centenas de artistas e programadores
Guimarães recebe pela primeira vez o festival Spring Forward, de dança contemporânea, de 6 a 9 maio, reunindo centenas de artistas na Capital Verde Europeia.
Redação PORTA B
7 de maio de 2026

Guimarães recebe festival europeu Spring Forward com centenas de artistas e programadores
Uma estreia histórica na cidade de Guimarães
Guimarães, cidade berço de Portugal e Capital Verde Europeia em 2026, prepara-se para acolher, pela primeira vez, uma das mais prestigiadas plataformas de dança contemporânea da Europa: o festival Spring Forward. De 6 a 9 de maio, este evento de destaque internacional vai transformar o Centro Cultural Vila Flor (CCVF) numa verdadeira arena de criatividade, inovação e intercâmbio cultural, reunindo centenas de artistas, coreógrafos e programadores de diversas origens, com especial enfoque na cena emergente europeia.
Este festival, que viaja por diferentes países e cidades na Europa a cada edição, é promovido pela rede Aerowaves, reconhecida mundialmente pelo apoio e promoção de coreógrafos de dança contemporânea em início de carreira. A edição de 2026 assume um carácter ainda mais simbólico, dado o contexto da cidade anfitriã, que celebra este ano o título de Capital Verde Europeia, reforçando o compromisso com a sustentabilidade, a inovação e a cultura.
Programação diversa e acessível
A programação do Spring Forward em Guimarães destaca-se pela diversidade e pela acessibilidade, incluindo uma vasta seleção de espetáculos abertos ao público geral, além de atividades exclusivas para profissionais do setor. Ao todo, seis das performances programadas estão disponíveis para o público, tornando os encontros e a arte acessíveis a toda a comunidade local e visitantes.
O festival abre oficialmente na terça-feira, dia 6 de maio, às 18h00, no jardim do CCVF, com uma peça inspiradora e colaborativa: “Vega”, do coreógrafo quebequense Emmanuel Jouthe. Este espetáculo, interpretado por um grupo de estudantes de dança do Centro Coreográfico Instável, resulta de uma colaboração internacional com o projeto “La danse sur les routes du Québec”. Uma iniciativa que visa aproximar o público da dança de uma forma acessível, poética e inovadora, numa experiência ao ar livre, gratuita, até à lotação do espaço.
Na noite seguinte, 7 de maio, às 20h45, será exibido “Noice/Noise”, da coreógrafa alemã Paula Rosolen. Este espetáculo aborda a crescente presença do ruído na nossa vida quotidiana, uma reflexão sobre o impacto do som, da sobrecarga digital e dos conflitos sociais atuais. Inspirada pelo movimento futurista do início do século XX, a peça explora o ruído como força que molda corpos, emoções e relações, numa mistura de elementos visuais, físicos e emocionais, criando uma experiência sensorial intensa e provocadora. Este espetáculo exige bilhete, mas promete envolver o público numa reflexão contemporânea, quase filosófica.
Performance ao ar livre e experiências poéticas
Na sexta-feira, dia 8 de maio, o festival oferece duas propostas que prometem marcar a cidade. A primeira, às 17h00, na praça exterior do Centro Internacional das Artes José de Guimarães, é “Do Birds Dream of Flying?”, uma performance do coletivo esloveno Fabla Collective, assinado por Inan Sven Du Swami & Mojca Špik. Numa interação delicada e comove-se com temas de equilíbrio, liberdade e limitação, a peça utiliza uma escada rotativa e oscilante, que desafia a precisão, o risco e o cuidado. A peça convida o público a refletir sobre a curiosidade, a responsabilidade e a aventura de explorar o mundo, numa experiência poética ao ar livre, acessível e gratuita.
Mais tarde, às 21h15, no Grande Auditório do CCVF, sobe ao palco “It’s the end of the amusement phase”, de Chara Kotsali. Este espetáculo acompanha três mulheres numa maratona de dança que atravessa histórias pessoais e coletivas, numa narrativa que mistura movimento, som e poesia falada. Uma reflexão sobre o progresso, a resistência e a evolução social, num espetáculo que promete envolver emocionalmente o público, mediante a compra de bilhete.
Um festival que promete inovar e envolver
O ponto alto do Spring Forward em Guimarães será, sem dúvida, a sua capacidade de unir diferentes linguagens da dança e das artes performativas, através de uma programação que privilegia a inovação, a diversidade e a inclusão. A presença de artistas de 16 países, com destaque para uma seleção de coreógrafos emergentes do projeto Aerowaves Twenty26, reforça o caráter europeu do evento, ao mesmo tempo que promove o intercâmbio de ideias e experiências.
Além das performances, o festival inclui atividades de formação, debates e encontros profissionais, promovendo um espaço de diálogo e de crescimento para artistas e programadores de todo o continente. A iniciativa reforça também o papel de Guimarães como cidade de cultura, inovação e sustentabilidade, alinhando-se com os objetivos do programa Guimarães 2026 – Capital Verde Europeia.
Uma oportunidade única para a cidade e para o público
A realização do Spring Forward em Guimarães representa uma oportunidade única de colocar a cidade num mapa europeu da dança contemporânea, promovendo o seu património cultural, a sua dimensão artística e o seu compromisso com a sustentabilidade. Para a comunidade local, trata-se de uma oportunidade de participar em eventos culturais de elevada qualidade, de forma gratuita ou a preços acessíveis, facilitando o acesso à arte contemporânea e ao diálogo intercultural.
Com uma programação que combina performances ao ar livre, espetáculos no interior do CCVF e atividades de envolvimento direto com o público, o festival promete deixar uma marca duradoura na cidade e nos seus habitantes.
Conclusão
A estreia do Spring Forward em Guimarães consolida-se como um momento único de celebração da dança, da arte contemporânea e do intercâmbio europeu, numa cidade que reforça o seu papel como polo de inovação cultural e sustentabilidade. A expectativa é de que, ao longo dos dias, a cidade seja palco de encontros, experiências sensoriais e reflexões que ultrapassam fronteiras, tornando-se um exemplo de como a cultura pode ser uma força transformadora.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 7 de maio de 2026
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