“Hearts and Souls” é o segundo disco de Santa Clara Blues
Santa Clara Blues lança "Hearts and Souls", segundo álbum que explora, com sonoridades Folk e Blues, os desafios do ser humano na sociedade moderna.
Redação PORTA B
13 de abril de 2026

Santa Clara Blues: o regresso às raízes com “Hearts and Souls”
O esperado segundo álbum da banda portuguesa Santa Clara Blues, intitulado Hearts and Souls, chega hoje às plataformas digitais e lojas físicas. Este novo trabalho promete conquistar os ouvidos e os corações dos fãs do Folk, Blues e Bluegrass, reafirmando a identidade sonora do grupo e aprofundando a sua capacidade de narrar histórias sobre a condição humana e os desafios da sociedade contemporânea.
Uma viagem humana e emocional
Composto por oito faixas, Hearts and Souls é uma obra que aborda de forma sensível e introspectiva o percurso do ser humano no contexto de uma sociedade em constante transformação. O disco mergulha nos altos e baixos da existência, explorando temas como o isolamento, a fragilidade emocional e a luta por uma conexão autêntica com o mundo. Este é, sem dúvida, um trabalho que desafia o ouvinte a olhar para dentro de si, enquanto reflete sobre o impacto da sociedade na sua essência pessoal.
A sonoridade do álbum mantém-se fiel às raízes Folk e Bluegrass que marcaram a identidade da banda no seu primeiro disco. No entanto, em Hearts and Souls, a sonoridade ganha novas camadas e texturas, em parte graças à entrada de dois novos membros: Rui Pereira na bateria e Rui Guerra nas teclas. Estas adições enriqueceram os arranjos musicais, conferindo ao álbum uma profundidade que reflete na perfeição a dualidade sugerida pelo título — entre o coração e a alma, entre o íntimo e o universal.
Uma gestação longa, mas essencial
O percurso até ao lançamento de Hearts and Souls não foi, porém, isento de desafios. A banda enfrentou sucessivos atrasos devido à distância física entre os seus membros, o que dificultou os ensaios e a partilha de ideias de forma regular. Apesar disso, Santa Clara Blues nunca perdeu o foco. Foi apenas em 2025 que o grupo conseguiu reunir-se durante um período contínuo, dedicando-se intensivamente à composição final e aos arranjos que dariam corpo a este novo álbum.
As gravações de Hearts and Souls decorreram entre dois estúdios: o Amblin’ Man Recording Studios, em Suffolk, no Reino Unido, e o Estrela de Alcântara, em Lisboa. Esta parceria internacional deu ao álbum um carácter singular, misturando influências e técnicas de dois cenários distintos. A mistura e a masterização ficaram, uma vez mais, a cargo de Miguel Lima, no Estrela de Alcântara, garantindo a continuidade e consistência da sonoridade da banda.
Uma homenagem às origens
A capa de Hearts and Souls é uma peça de destaque que merece menção especial. A fotografia utilizada remonta a 1967 e retrata a inauguração da Junta de Freguesia da Baixa da Banheira, um momento marcante para a comunidade onde cresceram alguns dos membros da banda. A imagem, captada por Alberto Sousa Branco, é muito mais do que um elemento visual: é uma homenagem à força, união e resiliência de uma comunidade profundamente ligada aos valores da Revolução de Abril. É também um lembrete de que, mesmo num mundo que muitas vezes parece afastar-se da sua essência, é na memória e na união que reside a verdadeira força.
Apresentação ao vivo: uma celebração
O lançamento de Hearts and Souls será celebrado com um concerto de apresentação no próximo dia 18 de abril, na ADAO — Associação Desenvolvimento de Artes e Ofícios, no Barreiro. Este espetáculo, aguardado com grande entusiasmo pelos fãs, contará ainda com convidados especiais que prometem enriquecer a experiência ao vivo. A escolha da ADAO como local de apresentação não é por acaso: é um espaço que privilegia a ligação entre a arte e a comunidade, refletindo os valores que Santa Clara Blues procurou transmitir neste álbum.
Com o selo da Raging Planet, Hearts and Souls é mais do que um simples disco. É um retrato sensível do momento histórico e social em que vivemos, mas também um chamamento à introspeção e à reconexão com os nossos valores mais essenciais. Santa Clara Blues prova, uma vez mais, que a música tem o poder de unir corações e almas numa experiência coletiva de partilha e reflexão.
PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 13 de abril de 2026
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