MÚSICA

Holy Nothing lançam novo disco "Fascínio e Miragem"

Holy Nothing lançam “Fascínio e Miragem”, álbum colaborativo que explora as relações culturais entre Portugal e Brasil com artistas como Russo Passapusso e Luca Argel.

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Redação PORTA B

10 de abril de 2026

4 min de leitura|55 leituras
Holy Nothing lançam novo disco "Fascínio e Miragem"

Holy Nothing lançam novo disco "Fascínio e Miragem"

Os Holy Nothing, banda portuense conhecida pela sua capacidade de explorar novos territórios sonoros, estrearam hoje "Fascínio e Miragem", um disco que promete estabelecer pontes culturais e artísticas entre Portugal e Brasil. Assumidamente colaborativo e inspirado no conceito de “conversação infinita” do ensaísta Eduardo Lourenço, o álbum surge como uma reflexão musical profunda sobre as relações históricas, culturais e identitárias entre os dois países, numa fusão de ritmos, vozes e perspectivas.

Uma viagem transatlântica pela lusofonia

O título do álbum, “Fascínio e Miragem”, referencia diretamente o ensaio "Do Brasil: Fascínio e Miragem", de Eduardo Lourenço, onde o autor examina os imaginários mútuos que ligam e ao mesmo tempo distanciam Portugal e o Brasil. Inspirados por essa análise, os Holy Nothing transformaram o conceito numa obra musical que se propõe a celebrar a riqueza e a complexidade da lusofonia, enquanto questiona a herança partilhada e projeta um futuro de maior conexão cultural.

Composto por dez faixas cantadas principalmente em português, o disco explora a tensão entre proximidade e distância, memória e esquecimento, e reconhecimento e estranhamento. Cada canção é uma peça de um puzzle sonoro que combina os dois lados do Atlântico, com uma abordagem rica e diversa que mergulha nos universos estéticos dos dois países.

As colaborações que dão voz ao diálogo

Para dar vida ao conceito, os Holy Nothing convidaram uma série de músicos brasileiros a colaborar no álbum, reforçando o cariz de diálogo cultural que o projeto propõe. Entre os nomes que participam em “Fascínio e Miragem” encontram-se Russo Passapusso e Roberto Barreto, integrantes do BaianaSystem, conhecidos pela sua fusão de música eletrónica e ritmos afro-brasileiros; a big band instrumental Bixiga 70, que representa o melhor da cena afrobeat contemporânea brasileira; e Luca Argel, cantor e compositor radicado no Porto, cuja obra se tem destacado pela forma como aborda temas como a saudade e a identidade.

A presença destes artistas não é apenas uma escolha artística, mas também uma afirmação da miscigenação de influências que define a lusofonia. Cada voz e cada instrumento são uma peça fundamental na construção de uma conversa musical que celebra a diversidade num mundo cada vez mais interligado.

Entre o passado, o presente e o futuro

Os Holy Nothing, que ao longo da sua carreira têm explorado fusões entre pop, música eletrónica e ritmos globais, deram um passo ousado com “Fascínio e Miragem”. O álbum não é apenas um objeto artístico; é também um espaço de questionamento. O passado histórico entre Portugal e Brasil é aqui exposto, não só como um legado, mas também como uma oportunidade de diálogo transformador.

Musicalmente, o disco não se limita a revisitar tradições; antes, dança com o presente e projeta os dois países para um futuro comum, partilhando uma língua e uma cultura que, embora marcada por diferenças, encontra na arte um terreno fértil para novas formas de expressão e entendimento.

Uma edição especial e concertos de apresentação

“Fascínio e Miragem” chega ao público numa edição especial em vinil pela Lusofonia Record Club, um selo que celebra a ligação cultural entre os dois lados do Atlântico. A arte visual do álbum, desenvolvida pelo Koiástudio, reflete a temática do disco, com um design que remete para o cruzamento de linguagens e culturas.

O lançamento será acompanhado por dois concertos imperdíveis: a apresentação no Porto terá lugar a 19 de abril, no evento Porto Sounds Secret, prometendo uma celebração intimista e vibrante. Já em Lisboa, a banda subirá ao palco a 14 de maio durante o festival Duro de Matar. Ambas as datas prometem ser momentos altos para os fãs que desejem experienciar ao vivo a energia deste novo trabalho.

Uma obra para refletir e celebrar

“Fascínio e Miragem” não é apenas um disco; é uma declaração de intenções artísticas e culturais. Os Holy Nothing mostraram mais uma vez que não têm receio de explorar territórios inusitados e de assumir riscos criativos. Este álbum, que cruza fronteiras e sotaques, é uma celebração da lusofonia, mas também um convite à reflexão sobre o que une e separa Portugal e Brasil — e sobre o poder da música para transformar essas fronteiras em pontes.

PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 10 de abril de 2026

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