MÚSICA

Howling Bells lançam “Strange Life” o primeiro álbum em mais de 12 anos

Os Howling Bells lançam

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Redação PORTA B

13 de fevereiro de 2026

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Howling Bells lançam “Strange Life” o primeiro álbum em mais de 12 anos

Howling Bells Desvendam "Strange Life": O Regresso Vibrante de Uma Anomalia Essencial

Os Howling Bells, o carismático trio australiano, quebram um silêncio de mais de doze anos com o lançamento de "Strange Life", o seu aguardado novo álbum. O disco, editado esta sexta-feira, 13 de fevereiro, pela Nude Records, marca um regresso com uma sonoridade que promete revisitar as raízes da banda, ao mesmo tempo que reflete uma maturidade forjada por uma década de experiências transformadoras.

Um Percurso Fora da Curva

Desde a sua ascensão em 2006, com o aclamado álbum de estreia homónimo, os Howling Bells destacaram-se como uma presença singular no cenário musical. Numa era dominada pelo indie britânico mais desleixado e por uma estética de bandas masculinas com calças skinny, o trio composto por Juanita Stein (voz e guitarra), Joel Stein (guitarra) e Glenn Moule (bateria) sempre foi uma anomalia fascinante. A sua música distinguiu-se pela sua intensidade hipnótica e pela abordagem estética que os afastava das tendências do momento.

A busca por um sonho levou-os a atravessar o mundo, um desejo que rapidamente se materializou em sucesso. Conquistaram palcos de renome, participaram na prestigiada NME Tour e atuaram em estádios como banda de abertura dos Coldplay, angariando elogios da crítica mais exigente. Apesar das inevitáveis mudanças na formação ao longo dos anos, a essência do indie rock dos Howling Bells permaneceu intransigente, um testemunho direto da união inquebrável e da química musical entre os seus membros fundadores.

A Essência de "Strange Life"

A sonoridade dos Howling Bells sempre foi uma tapeçaria rica e imersiva, tecida a partir de influências tão diversas quanto Tom Waits, Sonic Youth, Nirvana, Fleetwood Mac e Björk. O resultado é uma mistura intoxicante de romance sépia e explosões de rock'n'roll, uma identidade sonora que se tornou a sua marca registada. "Strange Life" emerge agora como um documento vibrante e uma exploração profunda dessa alquimia musical, que continua a surpreender pela sua vitalidade.

O título do álbum, "Strange Life", encapsula a estranheza intrínseca à música da banda e, de forma cada vez mais evidente, ao mundo contemporâneo. Juanita Stein expressa um carinho particular pela palavra "estranho", explicando que esta abrange um vasto espectro de experiências — do fantástico ao trágico, e tudo o que existe no meio. Para a vocalista, a persistência de uma banda ao longo do tempo é, por si só, algo "para lá de estranho", e viver em 2025 é a experiência mais invulgar de todas.

Juanita Stein reflete sobre uma clara divisão na existência, demarcada por eventos como as eleições de 2016 e a subsequente pandemia, que tornaram o mundo "realmente, realmente alucinante". "Strange Life" recupera a perspetiva musical única que cativou o público no início da carreira da banda, mas agora filtrada por uma vida inteira de experiências. O álbum é simultaneamente familiar e novo, oferecendo aos fãs de longa data um reencontro com um velho amigo, mas falando numa linguagem que só a maturidade e as voltas adicionais ao sol permitem compreender em profundidade. É, como sugere Juanita Stein, um disco sobre a experiência e a sabedoria acumulada. A vocalista sublinha a importância de reconhecer os erros e a dor, transformando-os em música bela para evitar que apodreçam internamente, uma realidade que nunca deseja enfrentar.

Com uma amplitude que vai do macro ao íntimo, "Strange Life" percorre estas paisagens emocionais com uma humanidade e um coração palpáveis. Juanita Stein confessa que a velocidade vertiginosa da vida anterior não permitia a reflexão. Contudo, o período entre o último álbum e o presente, marcado por marcos como a maternidade, propiciou uma introspeção profunda sobre a sua vida e sobre a música que os Howling Bells criaram como banda, infundindo o novo trabalho com uma camada adicional de profundidade e significado.

Perspetiva

O regresso dos Howling Bells com "Strange Life" tem um significado particular para a cena cultural portuguesa, onde a sua sonoridade hipnótica e a sua abordagem artística sempre encontraram eco. Num panorama musical em constante mutação, a capacidade da banda de manter a sua identidade, enquanto absorve e reflete as complexidades do mundo, é um testemunho da sua relevância. A PORTA B antecipa que este novo trabalho será recebido com entusiasmo pelos apreciadores de música que valorizam a profundidade lírica e a inovação sonora, solidificando o lugar dos Howling Bells como uma banda essencial no indie rock global.

A exploração da "estranheza" da existência, um tema central em "Strange Life", ressoa profundamente nos tempos atuais. A capacidade de transformar a experiência e a dor em arte, conforme articulado por Juanita Stein, oferece uma poderosa mensagem de resiliência e introspeção, elementos que certamente cativarão o público português. Este álbum não é apenas um regresso, mas uma afirmação da contínua evolução de uma banda que se recusa a ser categorizada, e que continua a desbravar caminhos com a sua visão única.


PORTA B — Jornalismo Cultural Independente | 13 de fevereiro de 2026

PORTA B — Este artigo representa a perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.