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Alok revela ao Mundo da Música os bastidores da sua estreia na Sphere, tornando-se o primeiro brasileiro a atuar na arena de Las Vegas

Alok fez história ao tornar-se o primeiro brasileiro a atuar na inovadora Sphere de Las Vegas, uma arena que combina tecnologia de ponta e design futurista para criar experiências imersivas à escala global.

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Redação PORTA B

12 de março de 2026

5 min de leitura|164 leituras
Alok revela ao Mundo da Música os bastidores da sua estreia na Sphere, tornando-se o primeiro brasileiro a atuar na arena de Las Vegas

A estreia de Alok na Sphere: uma experiência tecnológica e sensorial à escala global

A inovação da Sphere como palco de excelência

A Sphere, inaugurada em 2023 em Las Vegas, rapidamente se tornou um marco internacional para produções ao vivo. Com uma arquitectura esférica que se destaca tanto pela sua dimensão física como pela tecnologia de ponta, esta arena é agora considerada uma das mais avançadas do mundo. A estrutura mede cerca de 112 metros de altura e 157 metros de largura, sendo a maior arena esférica actualmente existente.

No interior, a Sphere impressiona com a sua tela de resolução 16K que cobre toda a superfície do espaço, proporcionando uma experiência visual imersiva. Com cerca de 700 mil metros quadrados dedicados à projecção de imagens, o público é envolvido por um ambiente contínuo e de altíssima qualidade. Mas não é apenas o aspecto visual que distingue esta arena: o sistema de som foi concebido para maximizar a experiência imersiva, utilizando tecnologias como beamforming e Wave Field Synthesis. Estas permitem direccionar o áudio com uma precisão extraordinária, garantindo uma distribuição uniforme do som por toda a arena, independentemente da posição dos espectadores.

Além disso, o espaço integra efeitos multissensoriais e tecnologia 4D, criando espectáculos que combinam música, imagem e arquitectura de forma integrada e pioneira.

Alok: a estreia de um artista numa arena revolucionária

O DJ e produtor Alok foi o primeiro artista brasileiro a actuar na Sphere, um feito que marca não só a sua carreira como também o reconhecimento internacional da música electrónica que vem de fora dos grandes centros habituais. Alok descreveu a experiência como algo "fora da curva", sublinhando que actuar neste espaço requer um nível elevado de responsabilidade e criatividade.

“O que percebi enquanto estava no palco é que este espectáculo vai muito além de um DJ set. É quase uma experiência cinematográfica. A música, aqui, é sentida de forma diferente devido à integração total entre som, imagem e arquitectura”, afirmou o artista.

Para se adaptar às especificidades da arena, a equipa de Alok desenvolveu conteúdos visuais especificamente para o formato esférico e tridimensional. “Não é como um telão plano atrás do artista; a tela envolve todo o espaço, criando uma sensação quase idêntica à realidade virtual. É como construir uma arquitectura visual viva dentro do próprio espectáculo”, explicou.

A mentalidade por trás da tecnologia

Mais do que replicar a tecnologia da Sphere noutros palcos, Alok destacou a importância de captar a filosofia que sustenta este tipo de experiência. Segundo o artista, o maior aprendizado está na forma como os espectáculos são conceptualizados.

“A principal lição não é copiar tecnologias específicas, mas sim abraçar a ideia de criar experiências verdadeiramente imersivas. Em alguns dos meus projectos mais recentes, como o show da pirâmide e o Keep Art Human, temos trabalhado para integrar narrativa, som e imagem. O objectivo não é apenas oferecer música, mas criar momentos que fiquem na memória do público e, idealmente, inspirem novas formas de pensar”, concluiu.

Impacto na indústria musical europeia e portuguesa

A Sphere representa um avanço significativo na forma como se concebem espaços para espectáculos ao vivo. A sua arquitectura e tecnologia redefinem os padrões da indústria musical global, e a estreia de Alok neste palco abre caminho para uma reflexão importante sobre o impacto deste tipo de inovação no contexto europeu e português.

Embora Portugal e grande parte da Europa não contem ainda com infraestruturas deste nível tecnológico, o conceito de experiências imersivas tem vindo a ganhar terreno, especialmente através de eventos que integram arte visual, música e outros elementos interactivos. Festivais como o Boom Festival ou espectáculos em espaços icónicos, como o Coliseu dos Recreios, já demonstram que há uma procura crescente por formatos inovadores que transcendam as apresentações tradicionais.

Porém, a questão que se levanta é: até que ponto a indústria musical portuguesa está preparada para abraçar esta nova abordagem? A criação de experiências sensoriais e integradas exige não apenas investimentos significativos em tecnologia, mas também uma mudança fundamental na forma como os artistas e os promotores pensam os seus espectáculos. Portugal, com a sua rica herança cultural e musical, tem potencial para se destacar neste campo, mas a aposta em inovação precisa de ser mais consistente e ambiciosa.

O futuro dos espectáculos ao vivo

À medida que espaços como a Sphere ganham protagonismo, é inevitável que a indústria musical europeia se veja pressionada a evoluir. A aposta em tecnologia de ponta e experiências sensoriais pode abrir novas oportunidades para artistas e promotores portugueses, permitindo-lhes competir num mercado cada vez mais globalizado.

A estreia de Alok na Sphere é um exemplo claro de como a música pode ser elevada a um formato que transcende os limites tradicionais de um espectáculo. Esperemos que esta visão inspire mudanças e desafie os actores da indústria em Portugal e na Europa a explorar novas formas de criar, produzir e viver a música.

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