APT.', de Rosé e Bruno Mars, é a música mais vendida a nível global em 2025, indica a IFPI
A colaboração inédita entre Rosé e Bruno Mars em 'APT.' conquistou o mundo, tornando-se o single mais vendido de 2025, segundo a IFPI, e marcando um momento histórico ao ser a primeira faixa vencedora com letras fora do inglês. Este sucesso reflete a crescente valorização da diversidade cultural na música global.
Redação PORTA B
23 de fevereiro de 2026

IFPI revela: 'APT.' de Rosé e Bruno Mars é o single mais vendido globalmente em 2025
O relatório anual da IFPI, entidade que representa a indústria discográfica internacional, trouxe uma reviravolta ao anunciar 'APT.', colaboração entre Rosé e Bruno Mars, como o single mais vendido em todo o mundo em 2025. Este feito assinala não apenas o alcance inédito da faixa, mas também o início de uma nova era na música popular, marcada pela diversidade linguística e pela valorização de diferentes culturas no panorama musical global.
Um marco histórico para a música global
A ascensão de 'APT.' ao topo das paradas globais da IFPI é especialmente significativa por ser a primeira vez que uma faixa vencedora apresenta letras num idioma distinto do inglês. Este acontecimento sublinha a crescente internacionalização da indústria musical e o papel central que as novas plataformas digitais desempenham na democratização do consumo musical. O êxito de Rosé e Bruno Mars revela que o público está cada vez mais aberto à descoberta de propostas artísticas oriundas de diferentes geografias e contextos linguísticos.
A metodologia aplicada pela IFPI para a compilação destas paradas globais é rigorosa e adaptada às especificidades do consumo musical contemporâneo. São contabilizados downloads e streams de faixas individuais, incluindo remixes e versões alternativas, em plataformas gratuitas e pagas. Estes dados são depois convertidos em unidades de parada de acordo com uma metodologia própria, que pondera a economia relativa de cada formato em cada região do mundo. Em 2024, esta metodologia foi aprimorada para melhor reflectir o valor económico dos streams por assinatura, tornando os resultados de 2025 incomparáveis com os anos anteriores.
Diversidade e conectividade no mercado musical
O relatório deste ano destaca ainda o alcance global do mercado musical, evidenciando como a música pode unir diferentes idiomas e fronteiras. O facto de 'APT.' ter sido a faixa mais consumida mundialmente, independentemente da língua em que é cantada, demonstra que as barreiras linguísticas estão a ser progressivamente dissolvidas pela força das plataformas digitais e pelo apetite dos consumidores por experiências musicais autênticas e inovadoras.
O reconhecimento de Taylor Swift, que conquistou o seu sexto prémio de Artista Global do Ano, evidencia a resiliência dos artistas estabelecidos e a importância das equipas e estratégias de longo prazo por detrás de cada lançamento. A IFPI salienta que a parada de Artistas Globais reúne talentos de todo o mundo, reflectindo também o trabalho colectivo das editoras e a dedicação ao desenvolvimento de carreiras sustentadas.
Impacto na indústria musical portuguesa e europeia
A predominância de faixas não anglófonas e de colaborações internacionais, como é o caso de 'APT.', levanta questões pertinentes quanto à capacidade das indústrias nacionais, nomeadamente a portuguesa, para competir num mercado cada vez mais globalizado. O consumo musical em Portugal, historicamente orientado para as tendências anglo-saxónicas, enfrenta agora o desafio de se adaptar a uma nova realidade, onde o streaming permite o acesso imediato a música de todo o mundo.
Os artistas portugueses têm aqui uma oportunidade de ouro: explorar colaborações internacionais e apostar na produção de conteúdos que possam cativar públicos fora das fronteiras nacionais. No entanto, continuam a existir obstáculos significativos, como a escassez de investimento das editoras nacionais e a dificuldade de promoção em plataformas globais, onde algoritmos privilegiam frequentemente artistas já estabelecidos.
Por outro lado, a Europa, enquanto mercado musical, beneficia da diversidade cultural e linguística, mas enfrenta o risco de fragmentação. O sucesso de 'APT.' pode inspirar editoras e artistas europeus a investir em projectos multilingues e a procurar parcerias que transcendam as fronteiras tradicionais. Para Portugal, é essencial que haja uma estratégia de internacionalização clara, capaz de valorizar a identidade nacional sem perder de vista a universalidade do consumo musical.
A evolução das métricas de consumo musical
A IFPI, ao actualizar a sua metodologia para incluir a economia dos streams por assinatura, está a responder às mudanças estruturais do mercado. O streaming por assinatura representa hoje uma parcela cada vez mais significativa das receitas da indústria musical, e a sua valorização nas paradas globais pode alterar profundamente as estratégias das editoras e dos artistas.
Neste contexto, é fundamental que a indústria musical portuguesa acompanhe as evoluções tecnológicas e adapte as suas práticas de distribuição e promoção. O acesso directo ao público internacional constitui uma oportunidade, mas também exige uma abordagem profissionalizada e um investimento contínuo em inovação.
O futuro da música global
O domínio de 'APT.' nas paradas mundiais da IFPI em 2025 é sintomático de uma mudança profunda no sector musical. A valorização da diversidade linguística, o crescimento das plataformas digitais e a redefinição das métricas de sucesso comercial estão a transformar o modo como artistas, editoras e consumidores se relacionam com a música. Portugal, tal como o resto da Europa, está perante o desafio de se afirmar neste novo contexto, onde a criatividade e a capacidade de adaptação serão determinantes para o sucesso global.
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