Balanço: Spotify encerra 2025 com 751 milhões de utilizadores ativos e 290 milhões de subscritores Premium
O Spotify encerrou 2025 com números históricos: 751 milhões de utilizadores ativos mensais e 290 milhões de subscritores Premium, consolidando o seu crescimento global e reforçando a liderança no mercado de streaming.
Redação PORTA B
19 de fevereiro de 2026

Spotify encerra 2025 com 751 milhões de utilizadores e 290 milhões de assinantes Premium
De acordo com os dados divulgados pelo Spotify, a empresa fechou o ano de 2025 com um total de 751 milhões de utilizadores ativos mensais, um aumento de 11% em comparação com o ano anterior, e 290 milhões de assinantes Premium, representando um crescimento de 10% face a 2024. O último trimestre do ano revelou-se histórico para a plataforma, ao registar a maior adição líquida de utilizadores ativos da sua trajetória. Este desempenho positivo reflete-se num tom confiante por parte da liderança executiva durante a apresentação dos resultados.
A América Latina continua a ser uma região de destaque para o Spotify, representando atualmente 21% da base global de utilizadores ativos mensais e 23% dos assinantes pagos. Estes dados evidenciam o papel dos mercados emergentes no crescimento da plataforma, mas também levantam questões importantes para a indústria musical, como a monetização, o valor médio dos planos e a sustentabilidade do modelo em regiões onde o poder de compra é mais limitado.
Resultados financeiros sólidos e o impacto da tecnologia
No que diz respeito aos resultados financeiros, o Spotify reportou receitas totais de €4,5 mil milhões no último trimestre de 2025, um aumento de 13% em moeda constante face ao mesmo período do ano anterior. A margem bruta situou-se nos 33,1%, um avanço de 83 pontos-base em relação a 2024, enquanto o lucro operacional atingiu os €701 milhões. Estes números indicam uma maior consistência no desempenho da empresa, após anos de investimentos elevados que, por vezes, pressionaram as margens.
Daniel Ek, CEO do Spotify, destacou a importância da tecnologia no futuro da plataforma: “Hoje, construímos uma tecnologia para áudio – e, cada vez mais, para todas as formas como os criadores se conectam com o público. A próxima onda de mudanças tecnológicas – inteligência artificial, novas interfaces, dispositivos vestíveis, novas formas de interação com conteúdo – vai remodelar como as pessoas descobrem e vivenciam áudio e mídia.” Contudo, apesar destas declarações ambiciosas, muitas destas apostas tecnológicas, como a inteligência artificial, permanecem numa fase de desenvolvimento, sem impacto financeiro imediato.
A expansão de formatos, como podcasts e audiolivros, também tem sido uma prioridade para a plataforma. Atualmente, o Spotify conta com mais de sete milhões de títulos de podcasts e um catálogo de mais de 500 mil audiolivros disponíveis em mercados de língua inglesa. No último trimestre, a empresa expandiu o formato de audiolivros para utilizadores Premium em cinco novos países europeus e introduziu funcionalidades como resumos personalizados e integração de conteúdos. Apesar do crescimento, as preocupações sobre a remuneração justa dos criadores e a transparência dos algoritmos continuam a ser temas recorrentes no sector.
Análise crítica: impacto na indústria musical portuguesa e europeia
O crescimento do Spotify e a sua posição dominante têm implicações diretas na indústria musical portuguesa e europeia. Por um lado, a plataforma continua a ser uma ferramenta indispensável para artistas e editoras que procuram alcançar públicos internacionais. Porém, a centralização do consumo musical num serviço algorítmico suscita preocupações sobre a diversidade cultural e a visibilidade de artistas independentes.
Em Portugal, onde o mercado musical já enfrenta desafios relacionados com a limitada dimensão geográfica e o poder de compra, o modelo de remuneração do Spotify tem sido alvo de críticas. A remuneração por streaming, baseada em algoritmos que favorecem os artistas mais populares, coloca os músicos portugueses em desvantagem, especialmente os que produzem em géneros menos comerciais ou em língua portuguesa. A promessa de playlists personalizadas e inteligência artificial como ferramentas para descobrir novas músicas não parece, até agora, favorecer os artistas locais de forma significativa.
A expansão dos audiolivros e podcasts Premium para países europeus representa uma oportunidade para os criadores portugueses diversificarem os seus conteúdos e alcançarem novos públicos. No entanto, isto requer investimento em produção e adaptação tecnológica, algo que pode ser difícil para muitos criadores independentes sem apoio financeiro adequado.
Por outro lado, a aposta do Spotify em novas interfaces e dispositivos vestíveis levanta questões sobre o futuro do consumo de música e áudio. Embora estas inovações possam transformar a forma como interagimos com o conteúdo, o impacto nos mercados europeus, onde o consumo cultural tem características específicas, ainda é incerto. A acessibilidade dos dispositivos e a aceitação dos novos formatos entre os públicos mais tradicionais serão decisivas para o sucesso destas iniciativas.
Conclusão: desafios e oportunidades
O encerramento de 2025 com números tão expressivos reflete o papel central do Spotify na indústria global de música e áudio. Contudo, o desafio de transformar o crescimento da base de utilizadores em lucro sustentável permanece. Para os artistas e criadores portugueses e europeus, a plataforma oferece oportunidades de visibilidade e experimentação, mas também coloca em evidência as desigualdades no sistema de remuneração e os riscos de homogeneização cultural.
O futuro do Spotify, em Portugal e na Europa, dependerá da sua capacidade de equilibrar a inovação tecnológica com as necessidades dos criadores, enquanto continua a expandir a sua base de utilizadores. A promessa de um “Ano de Elevar a Ambição” para 2026 será, sem dúvida, acompanhada de perto por uma indústria que procura formas mais justas e sustentáveis de operar num mercado cada vez mais dominado pelo digital.
PORTA B — Este artigo representa a perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.