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Ministério da Cultura e UFRB lançam curso gratuito na Escult com 160 horas sobre economia criativa, indicadores e património cultural

Através de uma formação gratuita com 160 horas, o Ministério da Cultura e a UFRB oferecem aos agentes culturais ferramentas para integrar economia criativa, indicadores e património cultural, promovendo sustentabilidade e inovação no sector.

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Redação PORTA B

17 de abril de 2026

5 min de leitura|138 leituras
Ministério da Cultura e UFRB lançam curso gratuito na Escult com 160 horas sobre economia criativa, indicadores e património cultural

Formação gratuita sobre economia criativa e património cultural: uma oportunidade para agentes culturais

A formação na área da economia criativa e do património cultural, agora disponibilizada gratuitamente, abre portas para um novo entendimento da gestão cultural. Estruturada com 160 horas de duração, esta iniciativa visa aproximar os conceitos de economia da cultura da prática quotidiana de produtores, gestores e agentes culturais. A proposta é clara: dotar os participantes de ferramentas que os ajudem a compreender e a aplicar indicadores, ao mesmo tempo que olham para o património material e imaterial como elementos-chave de sustentabilidade, mobilização de recursos e continuidade de iniciativas.

Quatro trilhas de aprendizagem: da teoria à prática

O curso organiza-se em quatro grandes áreas de aprendizagem. O percurso inicia-se com os fundamentos da economia cultural e criativa, abordando os conceitos básicos e a sua aplicabilidade. Em seguida, destaca-se a utilização de indicadores e estatísticas, um ponto crítico para a gestão cultural moderna. A terceira trilha foca-se na economia do património cultural, incentivando a reflexão sobre como este pode ser integrado em estratégias de desenvolvimento local. Por fim, o curso culmina na apresentação de ferramentas práticas para a mobilização de recursos, permitindo que os participantes passem do plano conceptual para a execução concreta.

Este modelo pedagógico é particularmente relevante num contexto em que muitos profissionais do sector cultural possuem um sólido repertório artístico e experiência no terreno, mas frequentemente carecem de competências na leitura de dados, organização de informação e planeamento estratégico. Assim, esta formação surge como resposta a uma lacuna evidente, propondo-se a capacitar os participantes para enfrentar os desafios contemporâneos da gestão cultural.

O impacto da formação no panorama cultural europeu

Este curso não se limita a formar gestores e agentes culturais. Está profundamente alinhado com uma transformação mais ampla no sector cultural, que se tem vindo a intensificar nos últimos anos, tanto em Portugal como no resto da Europa. Editais, programas públicos e mecanismos de financiamento exigem cada vez mais precisão na apresentação de impactos, públicos-alvo, resultados e estratégias de planeamento. Neste contexto, a capacidade de interpretar indicadores e traduzir dados em inteligência de gestão não é apenas uma vantagem competitiva; tornou-se uma competência essencial.

No caso específico de Portugal, onde o sector cultural enfrenta desafios relacionados com a sustentabilidade e a profissionalização, esta formação pode desempenhar um papel crucial. Muitos projectos culturais em território nacional continuam a depender de financiamento público e de subsídios, e a exigência de relatórios detalhados, que demonstrem impacto e sustentabilidade, é uma realidade crescente. Assim, a capacidade de medir e justificar resultados, bem como de desenhar estratégias de médio e longo prazo, torna-se indispensável.

Além disso, o curso oferece uma oportunidade para os agentes culturais portugueses repensarem a relação entre património, trabalho e território. Em regiões mais periféricas ou menos servidas por infraestruturas culturais, esta formação pode ser um catalisador para iniciativas que promovam o desenvolvimento local, valorizando o património material e imaterial enquanto motor de actividade económica e social.

Educação à distância e acessibilidade: democratizar o conhecimento

A formação é disponibilizada em regime de ensino à distância (EaD), o que permite um alcance mais alargado e inclusivo. A ausência de barreiras geográficas é particularmente relevante num país como Portugal, onde as oportunidades de formação especializada ainda se concentram, em grande medida, nos grandes centros urbanos. Este formato permite que agentes culturais de todo o território, incluindo regiões insulares, tenham acesso a uma oferta formativa de qualidade, sem os custos e dificuldades associados a deslocações.

Outro aspecto digno de nota é o cuidado com a acessibilidade. O curso contempla tradução em Língua Gestual Portuguesa, legendagem e audiodescrição, assegurando que pessoas com diferentes necessidades possam participar plenamente. Esta abordagem inclusiva está em linha com debates mais amplos que têm vindo a ganhar força no sector cultural, sublinhando que o acesso não deve ser encarado como um elemento acessório, mas sim como parte integrante de qualquer iniciativa.

Reflexão crítica: um modelo aplicável ao contexto português?

Embora esta formação tenha uma estrutura robusta e um potencial transformador, importa reflectir sobre como estas iniciativas podem ser adaptadas ao contexto português. A economia criativa em Portugal tem dado passos significativos, mas ainda enfrenta barreiras relacionadas com a falta de articulação entre agentes culturais, políticas públicas e o sector privado. Assim, formações como esta podem ser o ponto de partida para um diálogo mais estruturado entre os diferentes intervenientes, promovendo uma visão integrada e sustentável do sector.

Além disso, seria interessante observar como este modelo formativo poderia ser replicado ou ampliado em colaborações com instituições de ensino superior e organizações culturais portuguesas. A criação de redes de partilha de conhecimento, com base em formações como esta, pode ser fundamental para impulsionar um sector cultural mais estruturado e resiliente, capaz de enfrentar os desafios do século XXI.

Em suma, esta formação não é apenas mais uma oferta educativa. É um convite a todos os agentes culturais para que repensem o seu papel e as suas práticas, dotando-se de ferramentas que lhes permitam contribuir de forma mais efectiva para o desenvolvimento cultural, social e económico. Um passo necessário para um futuro em que a cultura seja, efectivamente, um motor de transformação.

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