Deezer relança vertente B2B e alcança 2026 com lucro inédito e nova aposta em parcerias
A Deezer redefine a sua estratégia ao apostar no mercado B2B, alcançando um lucro inédito e impulsionando parcerias que prometem transformar a relação entre música e marcas.
Redação PORTA B
20 de março de 2026

Deezer aposta no mercado B2B e alcança lucro inédito em 2025
A Deezer, uma das plataformas de streaming mais reconhecidas no mercado global, anunciou recentemente uma reformulação estratégica que tem vindo a gerar atenção na indústria musical. A empresa decidiu reforçar a sua aposta no mercado B2B, alargando a sua oferta a marcas, anunciantes e outros actores do ecossistema musical, com vista a diversificar as fontes de receita e alcançar uma sustentabilidade financeira que há muito procurava.
De acordo com declarações recentes da empresa, a música pode ser muito mais do que mero conteúdo para monetização. "A música carrega significado e emoção e, se usada corretamente, as marcas podem criar conexões genuínas e duradouras com os clientes. Com a Deezer for Business, os nossos parceiros têm acesso a um catálogo totalmente licenciado, tecnologia de ponta e décadas de experiência na indústria musical para os guiar em cada etapa do processo", sublinhou a empresa no anúncio da sua nova estratégia.
Segmentos do mercado B2B: publicidade, música licenciada e tecnologia de IA
A nova frente de negócios da Deezer divide-se em três grandes áreas. A primeira é a de publicidade em áudio, destinada a anunciantes que procuram alcançar os seus públicos-alvo através de uma experiência auditiva personalizada e não intrusiva. A segunda área foca-se nos profissionais e em estabelecimentos físicos, oferecendo música devidamente licenciada para ser utilizada em lojas, restaurantes, ginásios e outros ambientes comerciais. Por último, a Deezer está a expandir a oferta de deteção de conteúdos gerados por inteligência artificial (IA), disponibilizando esta tecnologia a outras organizações do sector.
A tecnologia de deteção de IA, em particular, tem sido destacada como um dos trunfos mais inovadores da empresa. Segundo a Deezer, esta ferramenta permite identificar músicas geradas por inteligência artificial, removê-las das recomendações e dificultar práticas fraudulentas que visam desviar royalties. Em janeiro de 2026, a plataforma relatou que cerca de 60 mil faixas geradas por IA eram carregadas diariamente, representando 39% de toda a música entregue nesse período. Impressionantemente, até 85% dos streams dessas músicas foram identificados como fraudulentos, desmonetizados e excluídos do cálculo dos royalties.
A decisão de licenciar esta tecnologia para terceiros não só reforça o compromisso da Deezer com a proteção dos artistas e do repertório humano, como também representa uma nova potencial fonte de receita para a empresa.
Resultados financeiros sólidos e o foco em rentabilidade
O anúncio desta reformulação estratégica foi feito pouco depois da divulgação dos resultados financeiros de 2025, um ano marcante para a Deezer. Pela primeira vez, a plataforma apresentou um resultado líquido positivo, com um lucro de 8,5 milhões de euros. A receita anual foi de 534 milhões de euros, com um EBITDA ajustado de 10 milhões de euros e um fluxo de caixa livre de 10,1 milhões de euros.
Além disso, a empresa conseguiu reduzir as despesas operacionais em 12 milhões de euros e aumentar a sua base de assinantes diretos em 8,6% na França e 7,7% no resto do mundo. A área de parcerias também registou progressos significativos, com a renovação de acordos importantes com empresas como a TIM e a Sonos, e a expansão para novos segmentos de mercado.
Impacto na indústria musical portuguesa e europeia
A estratégia da Deezer apresenta implicações importantes para a indústria musical, tanto a nível europeu como em Portugal. Num mercado cada vez mais maduro e competitivo, onde a luta por novos subscritores se torna cada vez mais difícil, a diversificação de receitas pode servir de modelo para outras plataformas. Em Portugal, onde o streaming tem vindo a ganhar terreno mas onde os artistas ainda enfrentam desafios relacionados com a remuneração justa, a aposta em tecnologia para combater fraudes e proteger royalties é um sinal positivo.
No entanto, a abordagem da Deezer também levanta questões sobre o impacto crescente da inteligência artificial na indústria musical. Embora a tecnologia de deteção de IA seja apresentada como uma solução para proteger a música humana, é importante refletir sobre como esta ferramenta será usada e regulada para evitar novos desequilíbrios no ecossistema musical. Por exemplo, como será garantida a transparência e a imparcialidade na identificação de conteúdos fraudulentos ou gerados por IA? E como poderão os artistas emergentes, especialmente em mercados mais pequenos como o português, beneficiar desta nova dinâmica?
Perspetivas para o futuro
A estratégia da Deezer parece clara: crescimento sustentável com foco na rentabilidade. Para 2026, a empresa planeia manter os níveis de receita alcançados em 2025, continuar a apresentar EBITDA e fluxo de caixa positivos, e acelerar o crescimento da sua base de assinantes diretos. Ao mesmo tempo, a construção de um segmento B2B robusto surge como uma prioridade estratégica.
Num panorama europeu onde o streaming de música enfrenta novos desafios e oportunidades, a Deezer posiciona-se como pioneira na exploração de caminhos alternativos. Resta saber como estas mudanças irão ressoar junto dos consumidores, artistas e marcas, e de que forma poderão contribuir para um sector mais equilibrado e dinâmico. Em Portugal, onde a relação do público com a música é profundamente enraizada, esta transformação poderá abrir portas para novas colaborações entre artistas, empresas e plataformas, mas também para debates sobre o futuro da criação musical num mundo cada vez mais digital e automatizado.
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