INTERNACIONAL

Ecad intensifica presença em cidades do Norte de Portugal para sensibilizar sobre direitos de autor na música

O Ecad reforça a sua presença no Norte de Portugal, promovendo acções educativas para sensibilizar comerciantes e organizadores de eventos sobre a importância dos direitos de autor na música. Esta iniciativa visa proteger os criadores e garantir uma distribuição justa das receitas musicais.

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Redação PORTA B

3 de março de 2026

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Ecad intensifica presença em cidades do Norte de Portugal para sensibilizar sobre direitos de autor na música

Intensificação das acções de sensibilização sobre direitos autorais no Norte do Brasil: reflexões e impacto na Europa

A indústria musical enfrenta constantes desafios no que toca à protecção e ao reconhecimento dos direitos de autor. Recentemente, uma entidade brasileira anunciou o reforço da sua presença na região Norte do país, com o objectivo de esclarecer dúvidas e educar o público sobre a importância e o funcionamento da cobrança e distribuição dos direitos autorais musicais. Trata-se de uma intervenção que inclui visitas a estabelecimentos comerciais, bem como acompanhamento de eventos locais como feiras, exposições e espectáculos.

“O nosso trabalho já abrange toda a região Norte, com técnicos que operam de forma permanente nos diferentes estados. Estamos a intensificar estas visitas para garantir que os estabelecimentos e eventos compreendem a obrigatoriedade do licenciamento musical e a importância do pagamento de direitos autorais”, afirmou Silveira, representante da organização.

O desconhecimento generalizado sobre os direitos autorais

De acordo com a mesma fonte, persiste um desconhecimento significativo sobre o destino e a finalidade do pagamento dos direitos autorais. Este cenário não é exclusivo do Brasil e reflete uma problemática global que afecta também a Europa e, em especial, Portugal.

“Nem todos entendem que este pagamento é uma forma de remuneração para os criadores que vivem da música. A nossa missão é reforçar esta mensagem e explicar como funciona a cadeia produtiva do sector musical”, sublinhou Silveira.

A legislação brasileira exige que qualquer pessoa ou entidade que utilize música publicamente — seja em negócios, eventos ou plataformas digitais — esteja devidamente licenciada. Estabelecimentos como lojas, restaurantes, hotéis, rádios, cinemas e organizadores de espectáculos encontram-se todos abrangidos pela lei, e o pagamento deve ser efectuado antes da utilização da música.

Este enquadramento legal, semelhante ao que é praticado em países europeus, visa assegurar uma repartição justa dos lucros gerados pela utilização de obras artísticas. Assim, compositores, intérpretes e músicos recebem a retribuição devida pelo uso público das suas criações.

Como funciona o cálculo e distribuição?

O cálculo dos valores devidos não é um processo arbitrário. É definido com base em critérios como o tipo de actividade exercida, a forma como a música é utilizada, a dimensão do estabelecimento e a região socioeconómica. Por exemplo, o licenciamento de um ginásio terá um custo diferente do de uma estação de rádio, dado o peso distinto da música em cada contexto.

Segundo a entidade responsável pela arrecadação, 85% dos valores cobrados são directamente encaminhados aos titulares dos direitos autorais e conexos, como compositores, intérpretes e músicos, enquanto os restantes 15% são destinados à gestão administrativa.

O impacto da sensibilização no sector empresarial

As acções de sensibilização realizadas em cidades como Boa Vista e Cacoal destacam uma necessidade premente: combater a desinformação em torno da execução pública de música. Para os titulares dos direitos, trata-se de uma fonte de rendimento garantida pela legislação. Para os empresários, é uma obrigação legal que deve ser cumprida quando a música faz parte da actividade comercial.

Embora estas iniciativas estejam centradas no Brasil, levantam questões relevantes para o contexto europeu. Em Portugal, por exemplo, o licenciamento musical também é obrigatório, mas a consciencialização sobre esta matéria nem sempre é clara. A Sociedade Portuguesa de Autores (SPA) desempenha um papel semelhante ao da sua congénere brasileira, mas enfrenta igualmente resistência e desconhecimento por parte de alguns sectores empresariais.

Análise crítica: o que podemos aprender em Portugal?

O reforço das acções no Brasil serve como alerta para Portugal e para outros países europeus. Apesar de uma legislação robusta e de mecanismos claros de cobrança, a indústria musical continua a enfrentar desafios no que diz respeito à sensibilização de empresários e utilizadores de música em espaços públicos.

Em território português, há ainda quem encare o pagamento dos direitos autorais como uma “taxa desnecessária”, ignorando que está a usufruir de um produto criativo que exige remuneração. Este tipo de mentalidade retarda o desenvolvimento da indústria musical, colocando em risco a sustentabilidade de compositores e músicos.

Além disso, com a crescente digitalização do consumo musical, a fiscalização e o licenciamento tornam-se ainda mais complexos, especialmente no que diz respeito às plataformas de streaming. A experiência brasileira pode inspirar novas formas de abordagem, como visitas personalizadas a estabelecimentos e acções educativas mais direccionadas.

O futuro da protecção dos direitos autorais

A protecção dos direitos autorais é um tema central para o futuro da música, tanto no Brasil como na Europa. Sem um sistema eficaz de licenciamento e distribuição de receitas, os criadores enfrentam uma precariedade crescente e o sector torna-se insustentável a longo prazo.

A implementação de estratégias proactivas, como as que estão a ser levadas a cabo no Brasil, pode ser um exemplo a seguir. Para Portugal, a adaptação de medidas semelhantes — com maior proximidade às comunidades e um foco na educação — poderia ajudar a consolidar uma cultura de respeito pelos direitos autorais.

Afinal, é essencial que tanto os utilizadores de música como os operadores do sector compreendam que o pagamento de direitos autorais não é uma taxa ou um encargo supérfluo, mas uma das formas mais básicas de valorizar a criação artística e de garantir a sua continuidade.

PORTA B — Este artigo representa a perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.