INTERNACIONAL

Estudo revela que 86% dos executivos planeiam aumentar investimento em música e aquisição de catálogos

Um estudo recente revela que 86% dos executivos planeiam aumentar o investimento em direitos musicais e aquisição de catálogos, consolidando a música como um ativo estratégico no mercado financeiro. Este movimento reflete a crescente valorização da propriedade intelectual no setor.

R

Redação PORTA B

13 de março de 2026

5 min de leitura|153 leituras
Estudo revela que 86% dos executivos planeiam aumentar investimento em música e aquisição de catálogos

Estudo revela que 86% dos executivos pretendem aumentar investimento em música e compra de catálogos

O investimento na música tem vindo a ganhar cada vez mais espaço nas estratégias de grandes fundos e gestores internacionais. Um estudo recente revela que 86% dos executivos que já investem no setor planeiam aumentar os seus aportes em direitos musicais e catálogos ao longo dos próximos 12 meses. Este movimento reforça a ideia de que a música se tornou um ativo estratégico dentro do universo financeiro.

Música como classe formal de ativos

De acordo com os dados apresentados, 99% dos executivos que participaram do estudo reconhecem que a propriedade intelectual musical passou a ser tratada como uma classe oficial de ativos, ao lado de investimentos mais tradicionais como imóveis, infraestruturas ou participações empresariais. Este reconhecimento institucional significa que catálogos de gravações, direitos editoriais e receitas de royalties estão a ser avaliados com maior rigor e precisão no contexto financeiro, refletindo a crescente importância económica da música.

A pesquisa aponta ainda para um crescimento contínuo neste tipo de investimento. Cerca de 78% dos inquiridos afirmam esperar um aumento no volume total de capital destinado ao setor musical nos próximos 12 meses. Estes números são suportados por profissionais que, juntos, gerem mais de 3,24 biliões de dólares em ativos, dando peso e credibilidade aos resultados do estudo.

O ritmo acelerado das transações no setor musical

Outro dado relevante apresentado pelo estudo é o aumento no número de oportunidades de negócio envolvendo direitos musicais. Sessenta e seis por cento dos executivos afirmam que as possibilidades de transações aumentaram em relação ao ano anterior. Estas negociações incluem, sobretudo, a compra de catálogos de gravações, direitos editoriais e receitas de royalties, ativos que têm sido particularmente procurados devido à estabilidade das receitas geradas pelo streaming e pela execução pública.

O valor médio destas transações chegou aos 87 milhões de dólares, com os investidores a concluir, em média, mais de uma operação por mês ao longo do último ano. Quando questionados sobre a evolução dos preços neste mercado, 51% dos executivos acreditam que o tamanho das transações aumentará nos próximos meses, enquanto 34% prevêem estabilidade nos valores. Apesar do ritmo acelerado, 75% dos inquiridos consideram que os preços dos ativos musicais ainda permitem novos negócios, o que demonstra que o mercado continua atractivo.

Impacto da inteligência artificial: preocupação ou oportunidade?

Embora o sentimento geral seja de otimismo, o estudo também identifica a inteligência artificial como um dos principais pontos de atenção para os investidores. Cerca de 42% dos executivos destacam a inteligência artificial como um tema preocupante para o setor a curto prazo. A possibilidade de geração de conteúdos musicais por ferramentas tecnológicas levanta questões sobre a proteção de direitos autorais e o impacto na valorização dos catálogos existentes.

No entanto, a perceção não é maioritariamente negativa. Um total de 33% dos inquiridos assume uma posição neutra em relação ao impacto da inteligência artificial nos ativos musicais, enquanto 21% consideram que o tema não representa uma ameaça significativa. Apenas 4% dos participantes do estudo demonstram preocupação relevante com o impacto das novas tecnologias. Este equilíbrio de opiniões sugere que, embora existam desafios, os investidores mantêm confiança no potencial financeiro da música no médio e longo prazo.

Reflexão crítica sobre o impacto na indústria musical portuguesa e europeia

A análise dos dados apresentados no estudo permite-nos refletir sobre o impacto que este crescimento no investimento pode ter em mercados musicais mais pequenos e localizados, como o português e, de forma mais ampla, o europeu. O aumento do interesse global por catálogos musicais e direitos autorais poderá beneficiar artistas e editoras locais, ao abrir portas para negociações mais robustas e oportunidades de internacionalização. Contudo, é também necessário ter em conta a possível centralização do poder económico em grandes fundos globais, o que poderá dificultar o acesso a esses recursos por parte de agentes culturais mais pequenos.

Além disso, o papel da inteligência artificial merece particular atenção em Portugal, um mercado historicamente marcado pela valorização da música tradicional e da identidade cultural. Com a crescente presença de ferramentas tecnológicas no processo criativo, é crucial assegurar que a autenticidade e a riqueza cultural da música portuguesa não sejam comprometidas pela massificação de conteúdos gerados artificialmente.

Por outro lado, o aumento das receitas provenientes do streaming poderá consolidar a música como uma fonte de rendimento estável, algo que beneficia diretamente os artistas e editoras locais. No entanto, é fundamental que se continue a discutir a justa distribuição desses rendimentos, garantindo que os criadores sejam devidamente recompensados pelo seu trabalho.

Perspetivas para o futuro

Os resultados do estudo demonstram que o investimento na música entrou numa nova fase de maturidade, consolidando-se como parte integrante das estratégias financeiras de grandes investidores institucionais. Para Portugal e outros países europeus, este novo capítulo pode representar uma oportunidade para fortalecer a presença internacional dos seus artistas e valorizar os seus catálogos musicais. No entanto, é essencial que os agentes locais estejam atentos às dinâmicas deste mercado global e procurem adaptar-se às novas realidades impostas pelas tecnologias emergentes e pela concentração de capital.

A música, enquanto ativo financeiro, promete continuar a crescer, mas é crucial que este crescimento seja acompanhado por uma reflexão profunda sobre os impactos culturais e económicos, especialmente em mercados mais pequenos e menos centralizados.

PORTA B — Perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.