Funarte oficializa Leonardo Lessa na presidência e mantém foco na Política Nacional das Artes
Leonardo Lessa é oficialmente empossado como presidente da Funarte, reforçando o compromisso da fundação com a Política Nacional das Artes e garantindo a continuidade de uma liderança experiente e dedicada à consolidação das políticas culturais.
Redação PORTA B
17 de abril de 2026

Leonardo Lessa assume presidência da Funarte e reforça aposta na Política Nacional das Artes
A nomeação de Leonardo Lessa para a presidência da Fundação Nacional de Artes (Funarte) representa mais do que uma simples mudança de liderança: simboliza um compromisso claro com a continuidade e o aprofundamento das políticas culturais implementadas nos últimos anos. Lessa, que já integrava a estrutura central da Funarte desde 2023 como diretor-executivo, tem um percurso que o liga intimamente à fundação, tendo ainda dirigido a área de Artes Cénicas da instituição em 2015 e 2016. Esta continuidade institucional é crucial num momento em que a Funarte atravessa uma fase de consolidação e expansão das suas funções estratégicas.
Um perfil alinhado com a missão da Funarte
Formado em Artes Cénicas pela Universidade Federal de Minas Gerais, Leonardo Lessa traz para o cargo uma combinação rara de experiência artística, gestão cultural e conhecimento das dinâmicas políticas do sector. O seu percurso inclui ainda funções como assessor parlamentar em políticas culturais, coordenação do Galpão Cine Horto em Belo Horizonte e participação no grupo de transição da área da cultura no início do atual governo federal. Este conjunto de experiências dota-o de um entendimento abrangente do ecossistema cultural brasileiro, essencial para gerir uma instituição que atua transversalmente nas artes performativas, música, dança e circo.
A presidência da Funarte não se limita à organização de editais ou à programação cultural. Exige uma capacidade de articulação federativa, desenho institucional sólido e diálogo constante com os diferentes agentes culturais. É neste âmbito que o perfil de Lessa se torna particularmente relevante: ele é um gestor que conhece os meandros da fundação e tem competências para manter a Funarte como um actor central na política cultural nacional.
Continuidade num momento de desafios acrescidos
A passagem de testemunho sucede à saída de Maria Marighella, que liderou a Funarte até recentemente, deixando o cargo para se preparar para as eleições de 2026 na Bahia. Durante o seu mandato, a fundação reencontrou o seu ritmo de investimento e reordenou as suas áreas internas, recolocando-se no centro das discussões sobre políticas públicas para as artes no Brasil. Desde 2023, a Funarte investiu mais de 200 milhões de reais em cerca de 1.200 projectos artísticos, um indicador do reforço do seu papel enquanto motor cultural.
Este cenário, contudo, traz consigo novos desafios. Se a fase inicial foi marcada pela reconstrução institucional e reativação de programas, a atual etapa pede uma transição para a execução eficaz, a ampliação do alcance e a sustentabilidade das políticas culturais. A continuidade à qual Lessa se compromete não pode ser entendida como mera repetição do passado, mas sim como um aprofundamento que permita consolidar as conquistas e responder a um contexto cada vez mais exigente.
A Política Nacional das Artes: um novo paradigma
O maior desafio — e talvez a maior oportunidade — que Leonardo Lessa terá pela frente é a implementação da Política Nacional das Artes (PNA), instituída por decreto em março deste ano. Este documento estratégico reconhece as artes como um direito fundamental e propõe uma organização mais estruturada da intervenção pública no sector. Para a Funarte, isto significa assumir um papel pioneiro na execução de um plano que tem o potencial de transformar profundamente o modo como as artes são apoiadas e desenvolvidas no Brasil.
A expectativa é que a PNA se traduza em medidas concretas que cheguem até aos agentes culturais, grupos, espaços e redes locais. A articulação com os diferentes níveis de governo — federal, estadual e municipal — será crucial para garantir que esta política não fique confinada ao papel, mas se torne viva na prática diária dos artistas e das comunidades.
Impacto para a indústria cultural portuguesa e europeia
Embora a Funarte seja uma instituição brasileira, a sua evolução tem ecos relevantes para o panorama cultural português e europeu. O reforço das políticas públicas de apoio às artes e a aposta numa abordagem estruturada e integrada são tendências que também se manifestam em várias instituições culturais europeias, que procuram equilibrar a descentralização com a necessidade de coordenação.
Para a indústria musical portuguesa, por exemplo, a implementação da PNA pode servir como inspiração para a criação de políticas que promovam a diversidade artística, o apoio à criação emergente e a valorização dos agentes culturais locais, sobretudo em contextos periféricos e menos privilegiados. A experiência brasileira mostra que a sustentabilidade das políticas culturais passa pela construção de redes colaborativas e pelo envolvimento activo das comunidades, algo que Portugal e outros países europeus podem potenciar.
Além disso, o facto de Leonardo Lessa ter uma formação multidisciplinar e uma trajetória que alia gestão à prática artística é um modelo que pode ser replicado na Europa para fortalecer instituições culturais, acostumadas por vezes a lideranças demasiado tecnocráticas ou desligadas do terreno. A sua presidência abre espaço para uma visão mais integrada das artes, onde música, teatro, dança e outras expressões se reforçam mutuamente.
Conclusão: um caminho de consolidação e inovação
A oficialização de Leonardo Lessa na presidência da Funarte não é apenas um acto formal, mas um sinal claro de que o Brasil quer dar continuidade e aprofundar a sua política cultural num momento decisivo. A Fundação Nacional de Artes, com um historial de revitalização recente, assume-se agora como peça fulcral na execução da Política Nacional das Artes, focada em garantir direitos culturais e estruturar o sector.
Para a indústria musical portuguesa e europeia, esta evolução serve como um exemplo da importância de políticas públicas fortes, integradas e participativas. A liderança de Lessa, com o seu perfil multidimensional, representa uma aposta no diálogo entre gestão e criação, entre instituições e comunidades, que poderá inspirar outras realidades culturais a repensar os seus modelos de apoio e desenvolvimento artístico.
Assim, a Funarte entra numa fase em que a palavra de ordem é continuidade — mas uma continuidade que implica inovação, compromisso social e uma visão estratégica capaz de transformar o panorama das artes de forma sustentável e inclusiva.
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