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HYBE vai criar novo grupo feminino indiano

A HYBE, casa de nomes como BTS, está a dar um passo ousado ao lançar audições na Índia para formar o seu primeiro grupo feminino, apostando num dos mercados culturais mais vibrantes do mundo.

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Redação PORTA B

8 de abril de 2026

4 min de leitura|49 leituras
HYBE vai criar novo grupo feminino indiano

HYBE prepara-se para formar novo grupo feminino indiano

A gigante sul-coreana HYBE, conhecida mundialmente por gerir artistas como os BTS, está a realizar audições na Índia com o objetivo de formar o seu primeiro grupo feminino proveniente deste país. Trata-se de um passo estratégico significativo para a empresa, que parece estar determinada a expandir ainda mais a sua presença global, desta vez apostando num dos mercados culturais e demográficos mais dinâmicos do mundo.

Uma oportunidade num mercado em ascensão

A escolha da Índia como próximo alvo de expansão não é aleatória. O país encontra-se no meio de um verdadeiro boom de concertos e eventos ao vivo, impulsionado por uma população maioritariamente jovem — cerca de 65% dos 1,5 mil milhões de habitantes têm menos de 35 anos. Este cenário cria um terreno fértil para o consumo de música e entretenimento, especialmente entre as gerações mais novas, que estão cada vez mais conectadas à cultura global.

Além disso, a Índia tem demonstrado um crescimento exponencial na sua indústria musical, com um aumento significativo na popularidade de géneros internacionais como o K-pop. A entrada de uma empresa como a HYBE no mercado indiano não só reforça esta tendência, como também cria a oportunidade de diversificar ainda mais a oferta musical, promovendo um intercâmbio cultural entre a Ásia do Sul e o resto do mundo.

Como funcionam as audições?

Para formar este novo grupo, a HYBE abriu um portal de inscrições destinado a jovens nascidas entre 2005 e 2011. As candidatas podem apresentar-se em cinco categorias distintas: canto, rap, dança, modelagem ou representação. As audições serão realizadas em 10 cidades indianas, incluindo alguns dos maiores centros urbanos do país, como Bengaluru, Delhi e Mumbai.

Este processo de seleção representa uma aposta ambiciosa por parte da HYBE, que, ao procurar talento local, pretende combinar a sua expertise global com a criatividade e energia dos recursos culturais indianos. De acordo com declarações da empresa, o objetivo é não só criar artistas que possam competir no panorama internacional, mas também destacar as identidades culturais únicas da Índia no palco mundial.

Uma análise crítica: impacto na indústria musical

A iniciativa da HYBE para formar um grupo feminino na Índia é, sem dúvida, uma jogada estratégica que poderá ter um impacto profundo na indústria musical global. Por um lado, esta decisão sublinha a crescente influência do K-pop como fenómeno cultural transnacional, demonstrando que este género não se limita à Coreia do Sul e aos mercados ocidentais tradicionais, como os Estados Unidos ou a Europa. A Índia, com o seu vasto público jovem e crescente interesse pelo pop asiático, surge como uma fronteira natural para a expansão.

Por outro lado, esta aposta levanta questões sobre o equilíbrio entre globalização e preservação cultural. Embora a HYBE tenha afirmado que pretende trabalhar em colaboração com especialistas locais para garantir que a identidade cultural indiana seja respeitada e devidamente representada, a introdução de um grupo formado por uma empresa estrangeira poderá ser vista por alguns como uma forma de “exportação cultural” que corre o risco de diluir as tradições musicais indianas.

Outro aspeto importante a considerar é o impacto económico desta decisão. A entrada de uma empresa multinacional como a HYBE no mercado indiano pode estimular a indústria musical local, criando novas oportunidades para artistas, produtores e outros profissionais do setor. Contudo, também pode levar a uma maior centralização da indústria em torno de grandes conglomerados, dificultando a sobrevivência de atores locais menores.

O futuro da música global

A formação de um grupo feminino indiano pela HYBE não é apenas um movimento estratégico; é um reflexo das mudanças mais amplas que estão a moldar a indústria musical global. A crescente interligação de mercados e culturas, facilitada pela tecnologia e pelas redes sociais, está a criar novos espaços para a colaboração e fusão artística. Contudo, estas mudanças também exigem uma reflexão profunda sobre as responsabilidades das grandes empresas em preservar e valorizar as culturas locais.

Enquanto aguardamos os resultados deste processo de audição e a eventual estreia do grupo, é claro que a iniciativa da HYBE será acompanhada de perto por outras empresas do setor, que poderão seguir o exemplo e explorar mercados emergentes como a Índia. O que está em jogo não é apenas o sucesso de um novo grupo feminino, mas também o futuro da música como uma força verdadeiramente global e inclusiva.

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