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IFPI revela mercado global de música em 31,7 mil milhões de dólares e destaca Brasil no top 10 com crescimento de 14%

A indústria musical atingiu 31,7 mil milhões de dólares em 2025, marcando o 11.º ano consecutivo de crescimento global. Com um impressionante aumento de 14,1%, o Brasil destacou-se no top 10 dos maiores mercados mundiais.

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Redação PORTA B

18 de março de 2026

4 min de leitura|64 leituras
IFPI revela mercado global de música em 31,7 mil milhões de dólares e destaca Brasil no top 10 com crescimento de 14%
## Crescimento global da indústria musical: uma análise crítica

A indústria musical continua a demonstrar um crescimento sólido a nível global, com um aumento de 6,4% na receita em 2025, atingindo os 31,7 mil milhões de dólares. Este assinala o décimo primeiro ano consecutivo de expansão, confirmando a força do setor, embora com ritmos distintos entre as várias regiões. Num contexto global, o Brasil destacou-se ao registar um crescimento de 14,1% e ao ascender à oitava posição no ranking dos maiores mercados do mundo.

### Streaming: o motor principal da indústria musical

O streaming consolidou-se como o principal motor do mercado global da música gravada, gerando mais de 22 mil milhões de dólares e representando 69,6% de toda a receita global em 2025. Dentro deste segmento, o streaming por assinatura mantém-se como o maior impulsionador, com um crescimento de 8,8% no último ano, representando agora 52,4% da receita mundial. 

A base global de assinantes pagos chegou aos 837 milhões, um aumento significativo que se deve, sobretudo, ao crescimento em mercados emergentes. Estes territórios continuam a oferecer oportunidades para a expansão do consumo digital, enquanto mercados mais maduros apresentam um ritmo de crescimento mais moderado.

### Outras formas de consumo musical: o renascimento do vinil

Embora o streaming tenha dominado o cenário musical, outras formas de consumo continuam a crescer. O mercado físico registou um aumento de 8% a nível global, com o vinil a destacar-se ao crescer 13,7%. Este formato, considerado por muitos como nostálgico, acumula quase duas décadas de crescimento contínuo, demonstrando a sua relevância enquanto alternativa ao consumo digital.

Para além disso, as receitas provenientes de direitos de execução pública também aumentaram, revelando que a música continua a ter valor em múltiplas frentes, tanto no formato físico como digital.

### Disparidades regionais: o impacto na Europa

O relatório destaca diferenças significativas no crescimento entre regiões. A América Latina registou um aumento de 17,1%, mantendo uma trajetória de crescimento contínuo há mais de 15 anos, enquanto a Ásia mostrou um desempenho notável, com o Japão e a China a liderarem o crescimento. A Europa, por outro lado, apresentou um avanço mais moderado, fruto de um mercado mais maduro e saturado.

Para a indústria musical portuguesa e europeia, este cenário global levanta questões importantes. Apesar de um mercado consolidado, o ritmo de crescimento mais lento na Europa reflete os desafios de inovação e adaptação às novas dinâmicas de consumo. Em Portugal, o mercado discográfico tem vindo a beneficiar do aumento do streaming e do renascimento do vinil, mas enfrenta dificuldades no que toca à diversificação de fontes de receita e à internacionalização dos artistas nacionais.

### O papel das gravadoras e os desafios futuros

Os números apresentados no relatório refletem também o impacto do investimento contínuo das gravadoras, que estão a transformar o consumo em receita através da descoberta de novos artistas, estratégias de lançamento e campanhas de marketing robustas. No caso dos mercados emergentes, como o brasileiro, este investimento tem sido essencial para consolidar a posição do país no cenário internacional.

Contudo, o crescimento da indústria não está isento de desafios. Um dos temas mais preocupantes é o uso da inteligência artificial para treinar modelos com músicas sem autorização. Este fenómeno tem gerado uma discussão crescente sobre a necessidade de criar mecanismos de licenciamento que garantam remuneração justa para artistas e produtores.

Outro problema significativo é a fraude em streaming, que tem impacto direto na distribuição de receitas. Estas questões exigem soluções claras e regulamentações eficazes para proteger os profissionais da música e assegurar um ambiente saudável para o desenvolvimento da indústria.

### Reflexões sobre o impacto na indústria musical portuguesa

A análise dos dados globais levanta questões pertinentes para o mercado musical português. Apesar de Portugal ser um mercado pequeno no contexto europeu, a digitalização acelerada do consumo, liderada pelo streaming, oferece oportunidades consideráveis para artistas e produtores nacionais. Por outro lado, o crescimento do vinil demonstra que há espaço para formatos tradicionais, desde que aliados a uma oferta artística de qualidade.

No entanto, a falta de estratégias robustas de internacionalização limita o potencial de crescimento dos artistas portugueses fora do mercado europeu. Além disso, os desafios globais relacionados com a inteligência artificial e a fraude em streaming deverão ser acompanhados de perto para evitar que impactem negativamente a indústria local.

Em suma, o relatório da IFPI evidencia um cenário positivo para a indústria musical global, mas também revela desafios que precisam de ser enfrentados para sustentar o crescimento. Para os players da música portuguesa, estas tendências globais e os respetivos desafios representam uma oportunidade única para inovar, expandir fronteiras e garantir um futuro sólido para o setor.

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