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Instagram impulsiona crescimento até 8 vezes superior no streaming de artistas, revela estudo da Meta

Artistas que dominam o Instagram registam um crescimento até oito vezes superior no streaming, evidenciando o poder da plataforma na ligação entre redes sociais e consumo musical.

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Redação PORTA B

8 de abril de 2026

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Instagram impulsiona crescimento até 8 vezes superior no streaming de artistas, revela estudo da Meta

Instagram impulsiona crescimento exponencial no streaming de artistas, revela estudo da Meta

A relação entre as redes sociais e o mercado musical continua a evoluir, e um recente estudo da Meta destaca o impacto significativo do Instagram no crescimento das reproduções em plataformas de streaming. Segundo a análise, artistas que conseguem estabelecer uma forte ligação entre o seu desempenho no Instagram e o consumo de música em streaming registaram, em média, um crescimento de 23% nas suas reproduções ao longo de um ano. Em comparação, a média geral do mercado situou-se apenas nos 3%, evidenciando um aumento quase oito vezes superior para os artistas que tiram pleno partido das funcionalidades da plataforma.

O papel dos superfãs no Instagram

Um dos pontos centrais do estudo é o conceito de superfãs, definido como aqueles que interagem de pelo menos cinco formas diferentes com os artistas. Estas interacções podem incluir a compra de merchandising, assistir a concertos, promover o artista junto de outras pessoas ou contribuir financeiramente para os seus projectos. Este grupo de utilizadores revela-se fundamental, não apenas pelo seu nível de envolvimento, mas também pela sua predisposição para gastar mais dinheiro em música.

Entre os mais jovens, especialmente a geração Z, o número de superfãs é ainda mais elevado: 38% dos utilizadores desta faixa etária encaixam-se nesta categoria. Este dado sublinha o papel do Instagram como uma plataforma crucial para os artistas em início ou em crescimento de carreira, permitindo-lhes cultivar uma base de fãs sólida e envolvida.

Maior consumo e novas oportunidades para a música

Os utilizadores do Instagram que interagem diariamente com conteúdos musicais gastam, em média, 51 euros por mês em música – um valor consideravelmente superior à média geral de cerca de 31 euros. Este padrão de consumo estende-se a outras áreas, como eventos ao vivo, onde os superfãs gastam cerca de 75 euros mensais, em comparação com os 49 euros da média geral. Até mesmo os formatos físicos, como os discos de vinil, beneficiam desta tendência, com 21% dos utilizadores do Instagram a relatarem compras no último ano, quase o dobro da média global.

O estudo também introduz o conceito de "artistas do Instagram", ou seja, músicos cujo desempenho em streaming está fortemente ligado ao engajamento na plataforma. Estes artistas tendem a experimentar um crescimento mais consistente e sustentado ao longo do tempo, em vez de dependerem de picos temporários associados a fenómenos virais. A análise revela que o Instagram não é apenas uma ferramenta de descoberta, mas também um motor de crescimento contínuo para os artistas que conseguem mobilizar eficazmente a sua audiência.

Estratégias de activação e o impacto do Reels

Outro aspecto destacado pela pesquisa são as "activações" realizadas dentro do Instagram. Estas incluem a combinação de conteúdos orgânicos publicados nos perfis dos artistas com estratégias de distribuição ampliada, como o uso do formato Reels. O estudo revela que estas iniciativas podem gerar um aumento médio de 10% nas reproduções fora da plataforma, não só durante a semana de lançamento mas também nas quatro semanas seguintes.

Singles que foram promovidos através de campanhas no Instagram apresentaram um crescimento mais expressivo no período pós-lançamento em comparação com aqueles que não utilizaram esta estratégia. Além disso, o impacto gerado pelas activações no Instagram parece ter uma maior durabilidade em relação às campanhas realizadas em outras plataformas.

Instagram versus TikTok: audiências e comportamentos distintos

Embora o estudo reconheça que tanto o Instagram como o TikTok desempenham papéis importantes na indústria musical, as duas plataformas apresentam diferenças significativas nos seus públicos e no impacto que geram. Apenas 20% dos utilizadores interagem com música em ambas as redes, enquanto 18% preferem exclusivamente o Instagram e 13% utilizam apenas o TikTok.

Adicionalmente, os dados destacam que 32% dos utilizadores do Instagram podem ser classificados como superfãs, em comparação com os 27% do TikTok. Este maior nível de envolvimento no Instagram traduz-se numa maior tendência para os utilizadores seguirem os artistas, procurarem os seus perfis em plataformas de streaming e consumirem activamente a sua música.

Reflexão sobre o impacto na indústria musical portuguesa e europeia

No contexto português e europeu, onde o mercado musical enfrenta desafios significativos relacionados com a digitalização e a descoberta de novos públicos, os dados deste estudo são particularmente reveladores. Em Portugal, onde as receitas de streaming têm vindo a ganhar peso mas ainda enfrentam barreiras culturais e económicas, o Instagram surge como uma ferramenta poderosa para quebrar estas limitações.

Artistas emergentes portugueses, especialmente os que operam em géneros menos mainstream, como o fado alternativo, a música electrónica ou o indie rock, podem beneficiar enormemente destas dinâmicas. A capacidade de cultivar superfãs – um público disposto a não só consumir, mas também a investir directamente na carreira dos artistas – pode ser a chave para a sustentabilidade de muitos projectos musicais que se encontram fora dos circuitos comerciais convencionais.

A nível europeu, onde a diversidade de mercados linguísticos e culturais representa um desafio mas também uma oportunidade, o estudo sublinha a importância de uma abordagem bem segmentada. O Instagram não é apenas um canal de promoção; é um espaço de construção de comunidade, de diálogo e de fidelização. Com a crescente relevância do Reels e outras funcionalidades de vídeo curto, os artistas têm agora ao seu dispor ferramentas acessíveis e de alto impacto para conectar-se com audiências vastas e heterogéneas.

A questão que se coloca é se o mercado europeu, tradicionalmente mais cauteloso em adoptar novas tecnologias, conseguirá adaptar-se rapidamente a estas mudanças de paradigma. Para já, o Instagram parece estar a liderar um movimento que está a redefinir a forma como se consome e promove música, tanto em Portugal como no resto da Europa.

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