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Monique Dardenne leva Eliane Dias ao quarto episódio de “Música que Não Passa Por Aí” e revela memórias que moldaram a empresária

Monique Dardenne recebe Eliane Dias no quarto episódio de “Música que Não Toca Por Aí” para uma conversa intimista sobre memórias, ancestralidade e o impacto transformador da música na vida e na indústria. Uma reflexão inspiradora sobre como a arte molda identidades e constrói caminhos.

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Redação PORTA B

25 de fevereiro de 2026

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Monique Dardenne leva Eliane Dias ao quarto episódio de “Música que Não Passa Por Aí” e revela memórias que moldaram a empresária

Eliane Dias no quarto episódio de “Música que Não Toca Por Aí”: memórias, identidade e o impacto da música na indústria

No mais recente episódio do programa “Música que Não Toca Por Aí”, Monique Dardenne convida Eliane Dias, uma das principais gestoras musicais da atualidade, para uma conversa que transcende os bastidores da indústria musical. O episódio mergulha em memórias pessoais, maternidade, ancestralidade e o papel da música enquanto ferramenta de construção de vida, oferecendo uma reflexão profunda sobre a sua influência tanto na esfera individual como profissional.

Eliane Dias partilha como a música esteve sempre no centro da sua vida, não apenas como trabalho, mas como parte integrante da sua identidade e percurso. Criou os filhos com o dinheiro proveniente deste sector, enquanto moldava uma carreira que mantém até hoje um olhar focado na sustentabilidade e na preservação de patrimónios culturais. A escuta constante faz parte do seu dia-a-dia, seja durante viagens, em casa ou ao explorar novos artistas que surgem no seu radar.

Ancestralidade e resiliência: memórias que moldam trajetórias

Um dos momentos mais marcantes da conversa ocorre quando Eliane revela que só recentemente descobriu as condições em que nasceu: em casa, sem energia eléctrica, filha de uma mãe adolescente de 16 anos. Esta revelação foi determinante para a forma como passou a entender a sua própria força e resistência perante os desafios da vida e da carreira.

“Existe uma cultura, que precisa desaparecer, de que a mulher negra precisa suportar tudo. Eu mesma tive que suportar muitas coisas e nem sei como estou viva. Mas quando soube como nasci, entendi que aquilo foi a coisa mais difícil que fiz na vida. O resto, eu posso enfrentar”, partilha Eliane, numa reflexão que sublinha o impacto da ancestralidade e da resiliência nas escolhas profissionais e pessoais.

Outro ponto revelador da sua história é o momento em que, sem saber ler, levou um livro para casa e procurou ajuda junto da mãe, também analfabeta. A resposta que recebeu tornou-se um ponto de viragem na sua visão sobre o mundo e as palavras: “Eu ouvi dizer que quem entende das palavras são os advogados.” Este episódio sublinha a importância da educação e da busca por conhecimento, elementos que se tornaram fundamentais na construção da sua carreira.

Maternidade e gestão artística: lições de vida aplicadas ao trabalho

Eliane Dias mostra que a sua vivência enquanto mãe está profundamente interligada com o seu trabalho enquanto gestora musical. Criar dois filhos no meio de turnés, negociações e uma rotina exigente ensinou-lhe a importância de planear a longo prazo e garantir autonomia, valores que aplica na gestão de carreiras artísticas. A sua experiência pessoal reflete-se na forma como aborda o trabalho com os Racionais MC’s, um dos grupos mais emblemáticos que gere. Para Eliane, gerir um grupo deste calibre não é apenas sobre acordos comerciais; trata-se de proteger o legado cultural e estruturar um modelo sustentável que preserve o património artístico e financeiro para o futuro.

Um novo olhar sobre a música enquanto narrativa

“Música que Não Toca Por Aí”, idealizado por Monique Dardenne, apresenta um formato que se afasta do tradicional foco nos sucessos do momento. Em vez disso, o projecto aposta em músicas que marcaram trajetórias pessoais, utilizando-as como ponto de partida para histórias que ajudam a compreender valores, escolhas e visões de mundo. O programa propõe uma abordagem mais intimista e reflexiva, onde memória, mercado e identidade se entrelaçam.

Ao receber Eliane Dias no quarto episódio, Monique reforça a essência do projecto: criar espaço para conversas profundas, em que a música deixa de ser apenas banda sonora e se torna peça central na compreensão das dinâmicas que movem a indústria musical nos bastidores. Este formato abre portas para uma discussão sobre o impacto da música na construção de narrativas individuais e no legado cultural.

Impacto na indústria musical portuguesa e europeia

A abordagem proposta por “Música que Não Toca Por Aí” levanta questões relevantes para a indústria musical portuguesa e europeia. Num sector frequentemente dominado pela procura de hits e tendências comerciais, programas como este desafiam as normas ao valorizar a ligação emocional e a bagagem cultural que a música carrega. Para a realidade portuguesa, onde a diversidade musical e a preservação de patrimónios culturais ainda lutam por maior visibilidade, esta perspectiva apresenta uma oportunidade para repensar o papel da música enquanto elemento transformador.

Além disso, a experiência de Eliane Dias como gestora de um dos grupos mais influentes do seu país pode servir de inspiração para a indústria europeia. A sua visão centrada na sustentabilidade e na protecção do legado cultural é um exemplo de como a gestão artística pode ir além do lucro imediato, promovendo uma abordagem ética e de longo prazo. Este modelo, adaptado às especificidades do mercado europeu, pode ajudar a fortalecer o impacto cultural da música no continente.

O quarto episódio de “Música que Não Toca Por Aí” está já disponível online e promete continuar a abrir diálogos que ultrapassam o óbvio, ligando música, memória e identidade de forma singular.

PORTA B — Este artigo representa a perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.

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