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Novo Relatório da IFPI Estima Receita Global da Música em 2025 em Cerca de 32 ...
A indústria da música gravada prepara-se para atingir receitas globais de 31,7 mil milhões de dólares em 2025, marcando o 11.º ano consecutivo de crescimento e consolidando o domínio do streaming como principal motor deste sucesso.
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Redação PORTA B
21 de março de 2026
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## Relatório aponta receitas globais da música em 2025 na casa dos 32 mil milhões de dólares
A indústria da música gravada continua a crescer, e os números mais recentes revelam um cenário promissor para este sector que tem vindo a reinventar-se há mais de uma década. Segundo o relatório anual mais recente, em 2025 as receitas globais da música gravada atingiram os 31,7 mil milhões de dólares, representando um crescimento de 6,4% em relação ao ano anterior. Este marco assinala o 11.º ano consecutivo de crescimento, um feito notável para uma indústria que, há não muito tempo, enfrentava desafios profundos devido à pirataria e à transição para o digital.
### O domínio do streaming: uma tendência consolidada
O streaming continua a ser o motor principal do crescimento da indústria musical. Em 2025, as receitas provenientes do streaming (entre subscrições pagas e suportadas por anúncios) ultrapassaram os 22 mil milhões de dólares, o que equivale a 69,6% do total das receitas de música gravada. Este número ilustra o papel central que as plataformas de streaming têm vindo a assumir nos últimos anos, transformando radicalmente os modelos de negócio tradicionais.
As subscrições pagas, em particular, registaram um aumento significativo de 8,8% face ao ano anterior, com o número de assinantes pagos a alcançar os 837 milhões a nível global. Este crescimento demonstra que os consumidores estão cada vez mais dispostos a pagar por serviços que lhes garantam acesso ilimitado a música, sem anúncios e com maior qualidade de som.
### O renascimento dos formatos físicos
Apesar do domínio do digital, os formatos físicos surpreenderam ao registar crescimento pelo segundo ano consecutivo, com um aumento de 8% em relação a 2024, totalizando receitas de 5,3 mil milhões de dólares. Este fenómeno, que parece desafiar a tendência de digitalização, é impulsionado, em grande parte, pelo regresso do vinil à ribalta. As receitas deste formato específico cresceram 13,7%, marcando o 19.º ano consecutivo de expansão. Este ressurgimento do vinil, associado a um apelo nostálgico, reforça a ideia de que o público ainda valoriza a tangibilidade e a estética dos discos físicos.
Por outro lado, as receitas provenientes dos direitos de execução pública atingiram os 2,9 mil milhões de dólares, com um crescimento marginal de 0,3%. Este segmento, embora não tão dinâmico quanto o streaming ou o vinil, continua a ser uma componente importante do ecossistema musical.
### Crescimento regional: a força dos mercados emergentes
Um dos aspectos mais notáveis do relatório é o crescimento acentuado em mercados emergentes. A América Latina destacou-se como a região de maior crescimento, com um aumento anual de 17,1% nas receitas. Regiões como o Médio Oriente e Norte de África (15,2%), África Subsariana (15,2%) e Ásia (10,9%) também registaram crescimentos expressivos, refletindo o potencial de mercados fora do eixo tradicionalmente dominado por regiões como a América do Norte e a Europa.
No entanto, é de salientar que a América do Norte continua a ser a maior fonte de receitas globais, contribuindo com 38,7% do total, apesar de um crescimento mais modesto de 3,5%. Por sua vez, a Europa registou um crescimento de 5,6%, e a região Australásia (Austrália e Nova Zelândia) apresentou um aumento mais tímido, de apenas 1,5%, alcançando receitas de 623 milhões de dólares.
Entre os cinco maiores mercados globais destacam-se os Estados Unidos, Japão, Reino Unido, China e Alemanha. É digna de nota a performance da China, que registou um crescimento de 20,1% nas receitas, consolidando-se como um dos mercados mais promissores. No top 10, Brasil e México também marcaram presença, com crescimentos de 14,1% e 13,3%, respetivamente.
### Análise crítica: a evolução e os desafios do sector
Os dados apresentados no relatório evidenciam um sector em transformação profunda, capaz de se adaptar às mudanças no comportamento dos consumidores e às exigências do mercado. O crescimento consistente ao longo de mais de uma década é, sem dúvida, uma prova da resiliência da indústria da música.
Contudo, não podemos ignorar os desafios latentes. Embora o streaming seja o grande propulsor das receitas, a sua preponderância também levanta questões sobre a sustentabilidade do modelo de distribuição de receitas entre as plataformas, os artistas e as editoras. Apesar de o número de subscritores pagos continuar a crescer, o mercado pode, eventualmente, atingir um ponto de saturação - especialmente nos mercados mais desenvolvidos.
Por outro lado, o renascimento do vinil, embora importante do ponto de vista cultural e da diversificação de receitas, representa ainda uma fatia pequena do mercado global. O mesmo se aplica às receitas de direitos de execução pública, cujo crescimento estagnado pode ser um reflexo de uma mudança estrutural no consumo musical.
Os mercados emergentes, como a América Latina, o Médio Oriente e a Ásia, despontam como a grande esperança para o futuro da indústria musical. No entanto, a entrada nestes mercados não está isenta de desafios, exigindo adaptações culturais e económicas significativas.
Em suma, o panorama da música gravada em 2025 é marcadamente positivo, mas as incertezas permanecem. O sector continua a caminhar num terreno dinâmico e em constante evolução, onde a inovação e a capacidade de adaptação serão essenciais para sustentar o crescimento a longo prazo.
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