Em Movimento: Tuma Basa Termina Oito Anos no YouTube
Tuma Basa, uma das figuras mais influentes na curadoria de música afrodescendente, encerra um ciclo de oito anos no YouTube, deixando um legado de impacto global na indústria musical.
Redação PORTA B
8 de abril de 2026

Mudanças de peso na indústria: Tuma Basa deixa o YouTube e Kevin Shivers é promovido na THE·TEAM
Tuma Basa encerra um ciclo de oito anos no YouTube
Depois de uma carreira marcante no YouTube, Tuma Basa anunciou a sua saída após oito anos como Director of Black Music & Culture. Durante o seu mandato, Basa desempenhou um papel fundamental na promoção da música afrodescendente a nível global, trabalhando com criadores e artistas em múltiplos continentes. Antes do YouTube, Basa já era uma figura de destaque na indústria, tendo liderado o Global Programming de Hip-Hop no Spotify, onde esteve associado à icónica playlist “RapCaviar”. Este trabalho consolidou a sua reputação como um dos curadores mais influentes no universo da música negra ao longo da última década. Ainda não foi revelado qual será o seu próximo passo, mas a sua saída deixa uma lacuna significativa numa das maiores plataformas digitais do mundo.
A decisão de Basa chama a atenção para o papel transformador que plataformas de streaming e vídeo têm desempenhado na forma como a música é descoberta e consumida. Profissionais como Basa têm sido cruciais ao criarem pontes entre os artistas e os fãs, curando conteúdos que moldam tendências globais e promovem uma maior diversidade cultural. A sua saída do YouTube levanta questões sobre o futuro da curadoria musical no contexto das grandes plataformas, numa era em que algoritmos muitas vezes se sobrepõem ao toque humano na seleção de conteúdos.
Kevin Shivers assume nova liderança na THE·TEAM
Enquanto isso, Kevin Shivers foi promovido a Co-Presidente da divisão de música da THE·TEAM, anteriormente conhecida como Wasserman. Shivers irá colaborar com Lee Anderson, Presidente da organização, na definição de estratégias globais, operações e expansão do negócio de eventos ao vivo, um sector especialmente afetado pela pandemia, mas que tem vindo a recuperar terreno de forma significativa.
Com um portefólio de clientes que inclui nomes como Tyler, the Creator, Kid Cudi, Kali Uchis, Vince Staples e Jazmine Sullivan, Shivers tem vindo a consolidar-se como uma figura proeminente no campo da gestão de artistas e produção de eventos ao vivo. Num momento em que o mercado de concertos e festivais vive um renascimento, a sua nova posição na THE·TEAM pode significar um impacto positivo para o futuro do segmento, especificamente na diversificação de experiências musicais e estratégias de crescimento.
A ascensão de Shivers reflete a aposta da THE·TEAM em talento interno, mas também a sua visão em adaptar-se às necessidades contemporâneas do mercado, onde a experiência ao vivo se torna cada vez mais digitalizada e integrada com plataformas de streaming e redes sociais.
Reestruturações e novas lideranças noutras grandes organizações
A semana foi igualmente marcada por mudanças de destaque noutras grandes empresas do sector. Ann Marie Licata foi nomeada CEO do grupo Multiplatform da iHeartMedia, assumindo a gestão do maior segmento da empresa, que inclui mais de 860 estações de rádio locais, eventos ao vivo e redes de patrocínio. Esta nomeação sublinha a importância crescente da abordagem multiplataforma no mundo da música e do entretenimento, onde a convergência de formatos é essencial para capturar a atenção de audiências mais jovens e dispersas.
Em Londres, Andre Belcourt e Will Marshall juntaram-se à equipa de música contemporânea da WME, fortalecendo a presença da agência no mercado europeu. Belcourt vai liderar o departamento de música eletrónica, enquanto Marshall traz consigo uma lista de artistas emergentes que incluem beabadoobee e Baby Queen.
Outro destaque vai para a entrada de Beth Kessenich na whynow Media como Vice-Presidente de Vendas e Desenvolvimento de Negócios na América do Norte. A sua missão será expandir parcerias com editoras discográficas, plataformas de streaming e artistas, num momento em que a monetização do conteúdo digital e a criação de experiências inovadoras se tornaram prioridades no sector.
Análise crítica: o impacto destas mudanças na indústria musical
Estas movimentações refletem a constante transformação de uma indústria marcada pela interseção entre tecnologia, cultura e negócios. A saída de Tuma Basa do YouTube, em particular, é um lembrete de que a música digital não é apenas algoritmos e números; é também o trabalho de visionários que humanizam as plataformas, tornando-as mais inclusivas e culturalmente ricas. A sua ausência poderá ser uma oportunidade para o YouTube repensar o papel da curadoria humana e reforçar a sua estratégia.
Por outro lado, a ascensão de Kevin Shivers na THE·TEAM mostra como as empresas de gestão de artistas e eventos estão a reposicionar-se para responder a um mercado em recuperação, onde a procura por experiências culturais ao vivo está a atingir novos picos. Esta é uma área que pode beneficiar grandemente do seu know-how, mas que também exigirá inovação para se manter competitiva à medida que a tecnologia redefine os limites do "ao vivo".
A crescente aposta em lideranças femininas e diversificação de equipas, como o caso de Ann Marie Licata na iHeartMedia, é outro sinal de progresso numa indústria que, historicamente, tem sido criticada pela sua falta de representatividade. Mais do que uma tendência, estas escolhas estratégicas podem ter um impacto duradouro na forma como empresas de grande escala operam e se conectam com públicos globalizados.
Estas mudanças sublinham um ponto essencial: a música continua a ser um reflexo dos tempos, e os líderes que a moldam têm a responsabilidade de a adaptar aos desafios e oportunidades do presente. A saída de um curador como Basa, a promoção de Shivers e as novas lideranças noutras empresas são mais do que apenas movimentos internos; são indicadores do futuro de uma indústria em constante evolução.
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