INTERNACIONAL

Prose Ventures lança aceleradora para artistas que criam música com inteligência artificial

A Prose Ventures lança uma aceleradora inovadora que apoia artistas independentes a explorar e potenciar a criação musical através da inteligência artificial, combinando criatividade e tecnologia num programa intensivo de oito semanas.

R

Redação PORTA B

6 de março de 2026

193 visualizações
Prose Ventures lança aceleradora para artistas que criam música com inteligência artificial

Prose Ventures lança aceleradora para artistas que criam música com inteligência artificial

A música criada com inteligência artificial tem sido alvo de grande atenção e debate nos últimos tempos. Contudo, para compreender verdadeiramente o impacto desta tecnologia, é essencial ouvir e analisar tanto as obras como os criadores por detrás delas. Esta é a premissa defendida por Jules Miller, fundadora da Prose Ventures, ao apresentar a sua aceleradora dedicada a artistas independentes que utilizam ferramentas de inteligência artificial no processo criativo.

A aceleradora, concebida como um programa intensivo de oito semanas, procura oferecer suporte técnico e estratégico aos participantes, ajudando-os a desenvolver identidade artística, planos de lançamento e modelos de monetização adaptados às possibilidades que a inteligência artificial proporciona. De acordo com Miller, o objetivo não é promover música gerada automaticamente, mas sim estimular um processo criativo mais rico e complexo.

Um programa completo para artistas independentes

O programa divide-se em várias etapas e requer uma dedicação mínima de cinco horas semanais. Durante as oito semanas, os participantes têm acesso a workshops com especialistas da indústria musical, tecnólogos, advogados, produtores e profissionais de marketing. O objetivo é proporcionar uma formação abrangente que contemple as necessidades criativas, técnicas e comerciais dos artistas.

Nas semanas iniciais, os artistas focam-se em análise de mercado e posicionamento artístico, elementos essenciais para construir uma base sólida para os seus projetos. Segue-se uma fase dedicada à composição musical assistida por inteligência artificial, produção audiovisual e construção de narrativas que complementem a identidade dos seus trabalhos. A componente jurídica também recebe atenção especial, com uma semana inteira dedicada a discutir direitos autorais, propriedade intelectual e licenciamento de conteúdos criados com IA.

O programa culmina num Demo Day, onde os artistas apresentam os seus projetos a profissionais da indústria musical. Estes projetos variam em estilo e abordagem, explorando desde misturas de géneros inusitadas até à criação de subgéneros híbridos. Um dos exemplos mais curiosos da primeira edição foi o estilo “Tired Dad Core”, que combina humor, narrativa pessoal e estética digital.

A criatividade na era da inteligência artificial

Embora a aceleradora da Prose Ventures procure incentivar o uso da inteligência artificial como ferramenta criativa, o seu impacto continua a gerar controvérsia no mercado musical. O uso de IA levanta questões éticas e jurídicas, especialmente no que diz respeito ao treino de modelos com obras protegidas por direitos autorais sem a devida autorização dos seus criadores originais. Este tema tem sido motivo de acesas discussões entre gravadoras, editoras, associações de compositores e plataformas digitais em todo o mundo.

No entanto, Miller acredita que estas ferramentas têm um potencial transformador, desde que utilizadas de forma responsável e criativa. Para ela, a primeira edição da aceleradora foi um ponto de viragem, demonstrando que a fusão entre inteligência artificial e arte pode gerar resultados inovadores e inesperados.

“Esta experiência começou como um pequeno experimento para entender as oportunidades de investimento em música com IA, mas rapidamente se tornou uma obsessão. Estou convencida de que os criadores que utilizam inteligência artificial terão um papel central no futuro das indústrias criativas”, afirmou Miller.

Impacto na indústria musical portuguesa e europeia

A introdução de iniciativas como a aceleradora da Prose Ventures levanta questões relevantes para o panorama musical português e europeu. Por um lado, representa uma oportunidade para artistas independentes explorarem novas formas de expressão e alcançarem públicos mais amplos. Por outro, coloca desafios significativos, sobretudo no que concerne à proteção dos direitos dos criadores e à valorização do trabalho artístico num contexto cada vez mais automatizado.

Em Portugal, onde a música independente tem vindo a ganhar espaço e reconhecimento, este tipo de programa pode ser particularmente relevante para artistas que procuram inovar sem perder as raízes culturais que caracterizam o mercado local. Contudo, é crucial que se estabeleçam regulação e práticas claras para garantir que o uso de IA não prejudique os autores e compositores, cuja obra muitas vezes serve de base para o desenvolvimento destas tecnologias.

A nível europeu, iniciativas como esta aceleradora podem contribuir para uma maior dinamização do setor, ao incentivar a colaboração entre artistas e tecnólogos. No entanto, é fundamental que se promovam discussões mais aprofundadas sobre os impactos legais e éticos da inteligência artificial na música. Sem um enquadramento adequado, o risco de desvalorização da criação artística e de problemas relacionados com a propriedade intelectual pode aumentar exponencialmente.

A Prose Ventures demonstra, com esta aceleradora, que a inteligência artificial pode ser mais do que uma ferramenta de automação. Pode tornar-se num catalisador para novas formas de arte e inovação. Mas cabe aos artistas, às instituições e às comunidades culturais garantir que esta tecnologia seja usada em benefício da criatividade, sem comprometer os valores fundamentais que sustentam a música enquanto expressão humana.

PORTA B — Este artigo representa a perspetiva independente da nossa redação. Jornalismo cultural crítico, sem financiamento corporativo ou estatal.

Prose Ventures lança aceleradora para artistas que criam música com inteligência artificial | PORTA B