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Rock World anuncia sucessão de CEO e escolhe Ronaldo Pereira para assumir após o Rock in Rio 2026

A Rock World prepara uma nova era ao anunciar Ronaldo Pereira como sucessor de Luis Justo no cargo de CEO, a partir de 2026, garantindo a continuidade do legado do icónico Rock in Rio.

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Redação PORTA B

7 de abril de 2026

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Rock World anuncia sucessão de CEO e escolhe Ronaldo Pereira para assumir após o Rock in Rio 2026

Rock World anuncia sucessão de CEO com Ronaldo Pereira a assumir após o Rock in Rio 2026

A Rock World, empresa responsável pela organização do emblemático festival Rock in Rio, está a preparar uma transição na sua estrutura de liderança. Esta mudança ocorre num momento crucial, em que a empresa procura manter o seu ritmo de crescimento e expandir os seus projectos, ao mesmo tempo que reorganiza a gestão para os desafios futuros.

De acordo com informações divulgadas pela própria empresa, Luis Justo está de saída do cargo de CEO, uma decisão que, segundo o comunicado, foi pessoal e amadurecida em conjunto com o conselho de administração. Justo, que ocupa a posição desde 2011, assumirá um papel mais estratégico, afastando-se da gestão operacional diária para se dedicar ao desenvolvimento de novos produtos e experiências.

“Nos últimos 15 anos, construímos algo que vai muito além de festivais. Para além dos resultados extraordinários alcançados em conjunto com a nossa equipa, o maior legado será, sem dúvida, a criação de experiências que marcaram gerações e colocaram o Brasil no mapa global do entretenimento ao vivo. Esta decisão foi tomada com muito orgulho do que alcançámos até aqui e com um entusiasmo ainda maior pelo que está por vir”, afirmou Luis Justo.

A transição de liderança é uma prática comum em empresas que atingem um elevado grau de maturidade e que precisam de renovar a gestão sem perder o conhecimento acumulado. Neste caso, a Rock World optou por um processo de sucessão planeado, com Ronaldo Pereira a ser integrado como co-CEO até ao fim do Rock in Rio 2026, antes de assumir o cargo em pleno.

Quem é Ronaldo Pereira e o que significa a sua nomeação?

A escolha de Ronaldo Pereira para suceder Luis Justo é particularmente interessante pelo perfil do novo líder. Pereira tem uma carreira mais ligada ao sector do retalho e à gestão corporativa, tendo sido CEO do Grupo Ri Happy e sócio das Óticas Carol. Não tendo vindo directamente do mercado do entretenimento, a sua nomeação sugere uma aposta estratégica da Rock World numa visão mais abrangente e orientada para a eficiência empresarial.

O processo de selecção foi conduzido pelo próprio Luis Justo em colaboração com o conselho, um sinal de que a sucessão foi cuidadosamente planeada. O período de co-gestão até 2026 permitirá a Pereira familiarizar-se com a dinâmica interna da empresa, uma abordagem que reflecte a crescente profissionalização e complexidade operacional do sector de eventos ao vivo.

A Rock World, para além do Rock in Rio, desenvolve experiências e propriedades de entretenimento que requerem não só uma curadoria artística de excelência, mas também uma sólida capacidade de gestão e uma visão empresarial ousada. A entrada de Pereira poderá indicar uma nova fase de foco na diversificação de receitas e na maximização da eficiência operacional, aspectos cruciais para a sustentabilidade de grandes eventos num mercado global cada vez mais competitivo.

Impacto na indústria musical portuguesa e europeia

Para a indústria musical europeia e, em particular, a portuguesa, esta transição na liderança da Rock World é um indicador importante das tendências globais no sector dos grandes festivais. Portugal, que tem sido palco de festivais de grande dimensão como o NOS Alive, o Super Bock Super Rock e o Primavera Sound, partilha com o Brasil desafios semelhantes: a necessidade de equilibrar a identidade artística com a viabilidade financeira.

A profissionalização de estruturas e a crescente adopção de práticas corporativas avançadas podem ser vistas como um reflexo de um mercado onde a escala e a diversificação de receitas são cada vez mais imperativas. O exemplo da Rock World demonstra que, mesmo marcas fortemente consolidadas, não podem dar nada por garantido num cenário pós-pandémico, onde o público e os patrocinadores são mais exigentes.

Além disso, a aposta em líderes com diferentes experiências sectoriais, como é o caso de Ronaldo Pereira, pode inspirar players europeus a ousar na escolha de gestores fora do circuito tradicional da música e do entretenimento. Esta visão mais ampla de negócio pode revelar-se crucial para a sustentabilidade e inovação em mercados saturados.

Portugal, enquanto destino cada vez mais relevante para o turismo cultural, tem muito a aprender com este modelo de gestão. A capacidade de atrair públicos internacionais, de diversificar propostas de valor e de criar experiências memoráveis é uma lição que pode ser aplicada localmente. No entanto, é igualmente importante que a expansão corporativa não comprometa a autenticidade e a ligação emocional que os festivais têm com o público.

O futuro da Rock World e o papel do Rock in Rio

A sucessão no topo da Rock World acontece num contexto de recuperação do mercado global de eventos ao vivo, após os duros impactos da pandemia. Festivais como o Rock in Rio estão a operar com estruturas cada vez mais robustas, exigindo maior coordenação e estratégias de monetização eficazes.

Ao manter Luis Justo no conselho, a Rock World assegura a continuidade de uma visão que consolidou o Rock in Rio como uma das marcas mais reconhecidas no sector. Simultaneamente, a liderança de Ronaldo Pereira pode trazer uma abordagem mais orientada para o crescimento e a eficiência, potenciando novas oportunidades de negócio.

Nos próximos anos, será interessante observar como a empresa equilibrará a preservação da sua identidade com a necessidade de se adaptar às exigências de um mercado em constante transformação. Para Portugal e para a Europa, o caso da Rock World é um sinal claro de que o futuro dos grandes festivais e eventos ao vivo depende de uma gestão inovadora e adaptável, mas também profundamente enraizada no respeito pelo público e pelos artistas.

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