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Exclusivo: Selo Massa estreia com Sorriso Maroto e aposta na força da música brasileira em vinil

Selo Massa promete revolucionar o mercado de vinil ao trazer a energia da música brasileira, como Sorriso Maroto, para um formato que conquista cada vez mais adeptos pelo mundo.

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Redação PORTA B

10 de abril de 2026

5 min de leitura|119 leituras
Exclusivo: Selo Massa estreia com Sorriso Maroto e aposta na força da música brasileira em vinil

O renascimento do vinil e o impacto na indústria musical

O mercado de vinil tem vindo a crescer de forma significativa nos últimos anos, tanto a nível global como em alguns mercados específicos. No entanto, este crescimento tem sido, em grande medida, protagonizado por géneros como o rock, o jazz e as grandes edições de catálogos clássicos. Um novo selo editorial, agora lançado no Brasil, procura alterar esta narrativa e dar visibilidade aos géneros musicais que dominam as tabelas de escuta no país. Esta iniciativa, além de interessante no seu contexto nacional, levanta questões pertinentes sobre o impacto e as possibilidades deste formato na Europa, incluindo em Portugal.

O novo selo, que se apresenta como independente mas integrado na estrutura da Três Selos Rocinante, propõe-se a trazer para o vinil artistas e géneros que têm sido sub-representados no mercado físico. A ideia é simples, mas ambiciosa: aproximar o formato de vinil das tendências musicais contemporâneas, como o pagode, o forró, o sertanejo e até o pop, géneros que mobilizam milhões de ouvintes e enchem salas de espetáculos. Para muitos, esta é uma abordagem inovadora que desafia a conceção do vinil como um produto exclusivamente nostálgico ou de nicho.

O vinil como experiência tangível e propósito de audição

Segundo os responsáveis pelo novo selo, o vinil é mais do que apenas um formato físico; é uma experiência cultural. Num mundo cada vez mais digital e efémero, o vinil oferece um regresso à materialidade. Escutar um disco em vinil implica um envolvimento diferente, mais atento, mais intencional. Como sublinha um dos executivos do projeto, "o vinil deixou de ser apenas nostalgia e voltou a ocupar um lugar importante na experiência de ouvir música com propósito, desconectado". É uma experiência que aproxima o ouvinte do artista, transformando o álbum num objeto para guardar, colecionar e valorizar.

Esta visão ressoa, sem dúvida, com os consumidores que procuram uma relação mais profunda com a música. A materialidade do vinil, acompanhada muitas vezes por capas elaboradas e encartes detalhados, oferece uma experiência sensorial que o streaming não consegue replicar. Esta tendência já se sente na Europa, onde o renascimento do vinil tem dado origem a feiras, clubes de colecionadores e uma nova onda de reedições e lançamentos em edições limitadas.

O papel da música nacional no crescimento do formato

Outro ponto de destaque desta iniciativa é o foco na música nacional. Segundo dados recentes da Pro-Música Brasil, 94% das 50 músicas mais tocadas no país em 2025 eram de artistas brasileiros. Este dado demonstra não só a força da música nacional no mercado interno, mas também a necessidade de ampliar a presença destes repertórios no formato físico.

Esta perspetiva é particularmente relevante quando pensamos no mercado europeu, onde a música portuguesa tem, muitas vezes, dificuldades em competir com as sonoridades anglo-saxónicas. A aposta no vinil como um meio de preservação e valorização da música popular portuguesa poderia ser uma resposta interessante para reforçar a identidade cultural e ampliar o alcance de géneros que nem sempre encontram espaço no mercado digital globalizado.

Lições para a indústria musical portuguesa e europeia

A estratégia deste novo selo pode servir de inspiração para a indústria musical portuguesa e europeia. Em Portugal, géneros como o fado, a música popular ou até mesmo as novas expressões do hip-hop e da música eletrónica poderiam beneficiar de uma abordagem semelhante. O vinil, além de ser um formato em crescimento, continua a ser um objeto de desejo para muitos colecionadores e entusiastas da música.

A criação de um selo português que apostasse na diversidade cultural e na riqueza do repertório nacional poderia não só fortalecer a indústria musical local, mas também exportar a nossa música para mercados internacionais, onde o vinil tem uma base de fãs consolidada. Esta estratégia, aliada a um marketing inovador e a uma distribuição eficiente, poderia ajudar a revitalizar o mercado físico e ampliar a visibilidade dos artistas portugueses.

Outro ponto a considerar é a integração de iniciativas de vinil em projetos educativos e culturais. Em vez de deixar o formato confinado a um público de nicho ou a colecionadores, há um potencial significativo em utilizar o vinil como uma ferramenta para educar novas gerações sobre a história da música e a importância de preservar o património cultural.

Conclusão: um modelo para adaptar e expandir

O sucesso do renascimento do vinil no Brasil, impulsionado por projetos como este novo selo, demonstra que a inovação e a tradição podem caminhar lado a lado. Embora o foco inicial esteja nas tendências musicais brasileiras, o conceito pode facilmente ser adaptado a outros contextos culturais, como o português ou o europeu.

A indústria musical portuguesa enfrenta desafios únicos, mas também oportunidades de ouro. Ao aprender com exemplos internacionais, como este do Brasil, e ao valorizar as particularidades do seu próprio património cultural, Portugal tem o potencial de fortalecer a sua posição no mercado global de música, tanto no digital como no físico. Afinal, o vinil não é apenas um formato; é uma declaração de amor à música que merece ser explorada em toda a sua plenitude.

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